Personal Stylist via Instagram, Cortesia da Zappos

A capacidade de integração das actividades “digitais” nas plataformas de redes sociais com as actividades “analógicas” (leia-se fora da web) dos consumidores é um – ou deveria ser – dos principais objectivos das marcas. É nesta capacidade de integração ao longo de canais e de momentos de interacção, que reside o real valor destas plataformas para marcas e consumidores (nota: existem obviamente marcas, produtos ou serviços cujo relacionamento com o consumidor é mais abstracto, e como tal não beneficiam de igual forma desta integração, o que não quer dizer que não a possam fazer de outra forma).

Já aqui falei de alguns exemplos práticos envolvendo marcas como a Coca-Cola, a C&A ou Sydney Luna Park. Hoje trago mais um que vai além do “transporte” do “Like” para o mundo real, e que realmente traz um valor acrescentado para o consumidor: dicas de moda via Instagram da Zappos.

A ideia é simples: basta colocar uma “selfie” no Instagram com a hashtag #NEXTOOTD (Next Outfit Of The Day), para que um personal stylist da Zappos analise o perfil do utilizador neste rede fornecendo um conjunto de dicas de estilo. É aliás tão simples que leva a perguntar como é que isto não é já comum na indústria da moda.

Aquilo que a Zappos fez foi simplesmente analisar o comportamento dos consumidores online, e colocar a marca à disposição destes. Essa análise demonstrou dezenas de milhões de imagens no Instagram associadas à hashtag #OOTD (Outfit Of The Day), que basicamente consistem na exibição dos gostos de moda dos utilizadores.

Mas é importante salientar que a Zappos não se limitou a aproveitar a onda, como é normal fazer-se, promovendo produtos seus usando a hashtag. A empresa cria valor ao disponibilizar um serviço, gratuito, a potenciais clientes. Torna-se parte da cultura, não de uma forma artificial, mas de uma forma que a complementa e apoia. E se com isso, aumentar as vendas, tanto melhor.

 

A Ilusão do Facebook ou Como os Marketers Provaram do Seu Próprio Veneno

Recorrentemente tenho escrito neste blog sobre o fascínio excessivo que os profissionais de marketing e comunicação têm para com o Facebook (em menor escala também se aplica a outras plataformas), como podem ler aqui, aqui e aqui.

De repente tudo se passou a resumir à presença no Facebook, ao número de gostos e à estratégia de conteúdo para o Facebook. Não que nada disto seja irrelevante. São factores importantes no mundo de hoje, mas que têm de ser enquadrados numa realidade mais ampla onde não se deve esquecer que continuam a existir outros meios, menos “cool” mas com provas dadas, que têm valor na comunicação com as pessoas. Um dos meus últimos posts reflectiu precisamente sobre o facto das recomendações pessoais continuarem a ser a forma preferida de recolher informação sobre viagens, mas outros estudos demonstram factos similares.

Vem isto a propósito do contínuo decréscimo do alcance das publicações que as páginas do Facebook têm vindo a registar, e sobretudo da surpresa com que algumas pessoas lidam com isto. É verdade que o decréscimo foi tudo menos suave. Tendo em conta dados de um estudo da Social@Ogilvy desde Outubro de 2013 para Fevereiro de 2014, o alcance orgânico das páginas passou de cerca de 12% para pouco mais de 6%. Mas também é verdade que era expectável que tal acontecesse.

A maior parte das pessoas tende a esquecer-se que o Facebook é uma empresa que tem como objectivo obter lucro. E que esse lucro vem da publicidade que vende a outras empresas que querem “mostrar-se” aos utilizadores da plataforma. É portanto natural que o Facebook procure maximizar a procura por publicidade, e que tenha verificado que com um alcance orgânico das publicações de páginas alto (o que até já nem era o caso) havia menos incentivos para pagar para difundir comunicações.

O problema da maior parte dos profissionais que reclamam desta nova realidade é que se aperceberam tarde de mais que foram vítimas de uma estratégia low-ball, que estão mais habituados a usar do que propriamente a sofrer com ela. Basicamente o Facebook apresentou às marcas uma proposta atractiva de interagir gratuitamente com os consumidores. À medida que as marcas foram apostando na plataforma e ganhando audiência, a empresa começou a apresentar formas de rentabilizar essa relação. Agora, que o investimento das grandes marcas está feito, o Facebook apresenta uma nova realidade em que para conseguir comunicar com os seguidores que angariou ao longo dos anos, uma marca tem de pagar, como faria em outro meio de mass media.

Aos poucos Zuckerberg e companhia foram aumentando o lume. Mas quando nos apercebemos já era tarde de mais para sair da panela.

Princípio da Escassez na Música: Wu-Tang Clan Lançam Álbum com Único Exemplar

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Nada exemplifica melhor o conceito de luxo, do que a escassez de um produto. A possibilidade de possuir um objecto único, de experimentar uma experiência exclusiva, ou de viver um momento irrepetível, é um dos principais motivadores de comportamento de consumo, como aliás já aqui expliquei.

Os Wu-Tang Clan, criam esse perfeito ambiente de luxo e exclusividade com o lançamento do seu novo álbum “The Wu – Once Upon a Time in Shaolin”, que terá UM único exemplar. Apenas uma pessoa em todo o mundo irá ter na sua posse esta obra, que está a ser preparada pelo grupo desde 1997. Mas antes de vender o álbum, o grupo irá exibi-lo em museus e galerias onde, após pagar uma verba que se espera ser superior a 30$, os fãs do grupo poderão ouvir as faixas raras que compõem o álbum. No final da digressão o disco será vendido pelo melhor preço que poderá atingir alguns milhões de dólares.

O grupo afirma que esta é uma iniciativa que visa criar um novo movimento de afirmação da música como arte, e de romper com o tradicionalismo da indústria no que respeita ao lançamento de novos discos. Será interessante ver como se desenrola esta iniciativa, sobretudo sendo os Wu-Tang um dos mais conceituados grupos de hip-hop e que já revolucionou a indústria quando surgiu.

Para Surpresa de Alguns, as Pessoas Continuam a Preferir Falar Umas com as Outras

Um artigo recente do site Skift sobre os resultados do último Eurobarómetro sobre turismo, aponta para o facto das recomendações pessoais continuarem a ser a principal fonte de informação na escolha do destino turístico, seguindo-se sites na Internet. Quanto aos social media, Rafat Ali afirma que:

On the other hand, social media as a source of travel advice is still not matching the hype and effort that’s being put into it by travel brands.

E analisando os dados do Eurobarómetro vemos claramente que os sites de social media (que merecem uma categoria à parte), apenas foram utilizados por 7% dos inquiridos, ocupando o 7º lugar na listagem de meios de informação, curiosamente com a mesma percentagem dos guias e revistas de turismo.

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Enquanto que Ali vê nestes resultados alguma incapacidade dos social media conseguirem assumir uma preponderância em termos de informar os turistas (resta saber se por culpa das dinâmicas próprias das plataformas, se por incapacidade de quem as trabalha), eu vejo-os com alguma naturalidade e vejo sobretudo problemas metodológicos do questionário e de análise.

Comecemos pelas questões metodológicas. A questão que é colocada aos inquiridos é a de, perante uma lista que lhes é lida, indicar as fontes de informação que utilizou para planear as suas férias. Os sites de social media aparecem numa categoria distinta, mas na verdade é que se encontram no limbo entre os sites da Internet (que é o que são) e as recomendações pessoais (que é a dinâmica que promovem). Compreende-se o interesse em separar estas plataformas de outros tipos de comunicação, mas não há garantias de que essa distinção seja clara para os turistas. Eu, por exemplo, classificaria como recomendação pessoal informação que tenha encontrado através das fotos ou posts de um dos meus contactos pessoais no Facebook, da mesma forma que o faria se fosse via telefone.

Passemos para a análise. Se olharmos atentamente para o gráfico acima, reparamos que os site de social media foram a única fonte de informação que aumentou o seu impacto em relação à vaga anterior. As restantes fontes ou mantêm a importância ou vêem-na diminuir. Se analisarmos as vagas anteriores (desde 2009, sendo que os social media apenas surgem separados em 2012), nota-se que meios tradicionais como as agências e postos de turismo, os media tradicionais, e os guias e revistas de turismo têm vindo progressivamente a perder relevância, sendo que o mesmo se aplica às brochuras, embora isso não seja notório nas duas últimas vagas. Atendendo a que os sites de social media são algo recente, o facto de já atingirem um nível de importância igual a meios que existem há mais de 100 anos é um factor de destaque pela positiva (para as plataformas em si; para a indústria e para os turistas ainda é cedo para dizer).

Por último, não deixo de me surpreender constantemente com o facto de ainda haver quem se surpreenda – ou se finja de surpreendido – com o facto das interacções pessoais entre seres humanos se manterem como o principal meio de comunicação e de recolha de informação. É no mínimo absurdo achar que 20 anos, ou poucos mais, seriam suficientes para alterar milhares de séculos de evolução e de socialização.

Porsche Desafia Consumidores a Trocar o seu Carro por Modelo da Marca

Um conceito no mínimo radical: a Porsche lançou o desafio aos consumidores holandeses de trocarem o seu carro actual pelo novo modelo da marca. O desafio irá permitir ao vencedor ganhar um Porsche novinho em folha, apenas em troca do seu carro usado sem pagar mais um euro. O único senão é que o modelo em questão não é revelado, pelo que é preciso arriscar. Quanto mais cedo o fizerem, maior é a probabilidade de ganhar.

IKEA RGB Outdoor: Criatividade em espaços pequenos

O verdadeiro génio criativo reside na eficiência em passar a mensagem de uma marca de uma forma capaz de surpreender os consumidores. É um alvo difícil de atingir. Felizmente há sempre casos interessantes de como conseguir inovar na comunicação mantendo-se fiel à missão de uma marca, como este outdoor da Ikea na Alemanha que usa um jogo de cores para com um outdoor passar 3 mensagens. Um pouco como a filosofia da cadeia sueca de aproveitar ao máximo o espaço disponível para criar um ambiente acolhedor e surpreendente.