Monthly Archives: Abril 2008

Mais Estudos Sobre Social Media e a sua Importância no Marketing

Já aqui dei conta de um estudo que indicava que os social media estão a ser usados como referência na recolha de informações acerca de empresas e produtos por parte dos consumidores. Trago agora aqui mais 3 referências acerca do tema.

Primeiro destaco um estudo da Universal McCann levado a cabo a nível global, e onde se atesta a crescente importância dos social media em termos de hábitos online, de tal forma que cada vez mais podem (devem?) ser vistos como uma ameaça aos media tradicionais. Um pouco no mesmo fio de pensamento, recomendo a leitura de uma apresentação da Morgan Stanley acerca deste mesmo tema a que tive acesso através de um post do Paulo Querido. Embora tal possa parecer old news, não deixam de ser dados importantes sobretudo tendo em conta as fontes em causa.

Mais interessante ainda, é este excelente post do Jeremiah Owyang onde referencia três estudos acerca da confiança atribuída por parte das pessoas a vários agentes. A evidência que resulta dos 3 é que os amigos e familiares são aqueles em quem as pessoas depositam maior confiança no que toca à informação recebida, sejam notícias, recomendações, rumores ou outra coisa qualquer. Aquilo que no entanto me interessa, e que Owyan destaca, é a pouca confiança depositada nos bloggers e nas informações que estes fornecem. Mas será esta uma boa conclusão a retirar destes dados?

Sim e não! Começando pelo “sim”, não há como negar – nem mesmo o porquê de o fazer – os resultados! De facto, bloggers como “agentes” de informação foram aqueles que receberem menor confiança declarada. Mas antes que se use estes dados para rebater a importância dos social media é necessário olhar para os dados com mais cuidado.

O meu problema aqui é o uso, nestes estudos, do termo blogger em abstracto. Passo a explicar: quando se pergunta a alguém se confia naquilo que é escrito por bloggers é tanto provável que essa pessoa pense em algum blogger que se tenha afirmado como sendo credível, como pense na massa total de blogs anónimos e de pouca qualidade que infestam (se calhar a palavra é demasiado forte) a blogosfera! É possível que até sejam estes últimos que melhor se associam ao termo, quando este é usado fora de um contexto específico.

Se virmos os resultados com cuidado, verificamos que as pessoas em quem mais se confia são amigos, familiares, pessoas percebidas como similares, académicos ou experts. Acontece que muitos bloggers encaixam nestas representações, mas é pouco provável que sejam vistos como bloggers quando, na mente das pessoas, sejam percepcionados como uma dessas categorias – aliás, tendo em conta que se tratam de categorias mais relevantes do ponto de vista pessoal e social do que a categoria “bloggers” é mais provável que aconteça isso.

Isto não quer dizer que as pessoas “confiem” nos bloggers; mas tambén não significa que estes sejam vistos com desconfiança. O problema aqui é sobretudo de categorização e de interpretação. A minha opinião é que os bloggers podem ser tanto ou mais influentes do que media tradicionais, desde que algumas condições sejam cumpridas. Tal como qualquer tipo de influência, não se pode tentar avaliar ou medir o potencial que um ou vários blogs têm para influenciar consumidores sem ter em conta uma série de variáveis contextuais.

Links do Dia: 30.04.08

With hundreds of TV channels and the likes of Facebook and Bebo competing ever furiously for our attention, it is no surprise that advertisers are arguably being increasingly controversial. Sometimes they make mistakes and accidentally breach the advertising codes. But much more often it’s a deliberate marketing tactic.

Depois de uma segunda-feira entretido na leitura e comentário (sugerida pelo Chris Brogan), hoje aproveito para partilhar convosco uma das nossas noções básicas relativas à comunicação digital. É com esta base que apresentamos, de uma forma simples, 3 passos para se iniciarem na blogosfera.

Links do Dia: 29.04.08

George Johnson celebrates the great thinkers whose home-brewed experiments transformed our world.

am I seriously suggesting that a PR person MUST become an active Twitter user if they want to have a meaningful career? Even though Twitter is supposedly still a below-the-radar service? Well, yea, kinda. But for more – and more varied – reasons than you might think.

Estudo Indica que Consumidores Usam Social Media para “Bater” nas Empresas

Embora tal não deva ser surpresa para ninguém, um estudo realizado pela Society for New Communications Research nos Estados Unidos, indica que o Social Media vem desempenhado um papel fundamental na troca de experiências comercias entre os consumidores. Sejam recomendações, queixas ou informações as plataformas que a Web 2.0 coloca ao serviço do público servem como local privilegiado para obter conhecimento acerca de uma empresa, os seus produtos/serviços e o seu relacionamento passado como outros consumidores.

Alguns dados que importa reter e reflectir sobre as suas implicações:

  • Cerca de 59% dos inquiridos indica falar sobre as suas experiências com as empresas nas plataformas de social media
  • 72% procura informações online acerca do serviço de apoio a clientes de uma empresa antes de fazer negócio
  • 74% indicou escolher empresas/marcas baseando-se nas informações partilhadas online por outros consumidores
  • Cerca de 81% acredita que os vários serviços de social media podem ajudar os consumidores a terem uma voz mais “presente” no que respeita ao apoio ao cliente prestado pelas empresas. No entanto, menos de 33% acredita que essas mesmas empresas levem a sério as opiniões dos consumidores.

Em suma, este estudo vem apenas reafirmar a importância que os social media vão assumindo nos dias de hoje nas relações entre empresas e consumidores. Esta é uma informação de importância vital para qualquer empresa que procure ter sucesso – sobretudo junto às franjas etárias com maior índice de utilização de novas tecnologias. A gestão de reputação online é hoje em dia uma necessidade vital para toda e qualquer empresa (mais sobre este assunto ainda esta semana).

Acho importante realçar, como fiz com o bold acima, o facto de apenas alguns dos inquiridos considerarem que as opiniões expressas pelos consumidores online são encaradas com seriedade pelas empresas. E isto num mercado, o dos EUA, onde estes meios já entraram na vida empresarial há algum tempo. No fundo, a desconfiança dos consumidores relativamente às empresas e o sentimento de impotência perante o “autismo” com que as suas queixas são tratadas, continua numa altura em que se esperaria um pouco mais de abertura por parte das empresas.

Nota importante: o estudo com pouco mais de 300 utilizadores regulares da Internet. Não só se trata de um número reduzido em termos de representatividade, como se trata de um grupo de pessoas que não corresponde ao consumidor-típico. Ainda assim, os dados são interessantes já que este é o público-alvo de muitas empresas e porque se tratam de pessoas capazes de influenciar as escolhas de outros consumidores. Ainda assim, cuidado com as extrapolações!

Links do Dia: 28.04.08

like a couple of rival hometown newspapers, Engadget and Gizmodo have seen their competition develop into a full-blown feud, complete with charges of malfeasance and sabotage. Engadget rarely links to Gizmodo, and often it’s to ridicule the site for faulty predictions; Gizmodo’s publisher, blogging impresario Nick Denton, has accused Engadget of being “amateurish” and “gullible.

Humans alone practice religion because they’re the only creatures to have evolved imagination. That’s the argument of anthropologist Maurice Bloch of the London School of Economics. Bloch challenges the popular notion that religion evolved and spread because it promoted social bonding, as has been argued by some anthropologists.

Links do Dia: 26.04.08

Social media is about a lot of things, but not shouting at your customers. And that’s exactly what you’re doing when you force information down the pipeline without making yourself available for a real conversation with its recipient.

How useful can communication limited to 140 characters be for serious journalism? It turns out that the short messages you find on Twitter have proven wildly useful for some writers penning larger pieces.

A Ciência da Persuasão: 6 Princípios Psicológicos

Há pessoas que parecem ter o dom de convencer os outros sem que tenham que se esforçar muito. São capazes de pedir favores, de efectuar vendas ou de angariar fundos com aparente facilidade. Para os restantes, aqueles que são persuadidos, tal capacidade parece quase que “mágica”, como fazendo parte da personalidade dessas pessoas e sendo por isso inatingível para os restantes. É por isso natural que muitas vezes se fale na “arte da persuasão”, porque a arte é algo que se desenvolve e cultiva mas que dificilmente se aprende. Anos passados em escolas artísticas não tornam qualquer um num pintor famoso; ou se tem arte, ou não se tem! Mas este pensamento aplicado à persuasão está errado! A persuasão não é uma arte, é uma ciência, ou melhor, um ramo de uma ciência que se chama psicologia!

Os processos de influência e persuasão já são estudados desde a Grécia Antiga, com a Retórica de Aristóteles como referência máxima, mas continuam ainda hoje a fascinar os investigadores na área das ciências sociais particularmente na área da psicologia social. Estudar os mecanismos que levam a que alguém esteja em melhores condições para persuadir, ou ser persuadido, tem sido preocupação de vários investigadores cujos trabalhos desmistificaram a ideia da persuasão como uma arte controlado por uns poucos, e a colocaram num patamar científico e disponível para ser aprendida por qualquer pessoa.

Um desses psicólogos sociais é Robert Cialdini, professor na Universidade Estatal do Arizona e presidente da empresa Influence at Work. Cialdini tem sido um dos investigadores mais envolvidos com as dinâmicas da persuasão e da influência social sendo um dos nomes mais respeitados a nível académico nesta campo. Este autor é sobretudo reconhecido pela sua definição dos 6 princípios base que estão por detrás de qualquer tentativa de persuasão, uma teoria que tem servido de pilar no qual o estudo deste tema se tem suportado nos últimos anos e que se encontra delineada na obra Influence: The Psychology of Persuasion
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De acordo com Cialdini os 6 princípios da persuasão são:

  1. Reciprocidade – este princípio define que as pessoas estão mais dispostas a anuir com algum pedido quando algo lhes foi “dado” em primeiro lugar;
  2. Consistência – as pessoas sentem-se mais dispostas a actuar de uma certa forma se encararem isso como sendo consistente com o seu comportamento prévio;
  3. Autoridade – de acordo com este princípio, a autoridade ou perícia percebida do comunicador é um factor importante para que as pessoas se sintam dispostas a concordar ou fazer algo;
  4. Validação Social – quanto mais “popular” for percebido ser um comportamento, maior será a tendência para que alguém se comporte dessa forma;
  5. Escassez – a atractividade de um dado objecto/serviço/situação é inversamente proporcional à sua disponibilidade;
  6. Atracção – as pessoas estão mais dispostas a ajudar ou concordar com aqueles de quem gostam, têm uma relação de amizade, por quem se sentem atraídos ou consideram ser similares a si.

Todas as estratégias de persuasão de sucesso se enquadram num, ou em mais, destes princípios. Em posts futuros irei abordar mais cuidadosamente cada um deles.

Este post pertence à serie Princípios de Persuasão.