Blogs Corporativos: Valem a Pena?
No comentário ao meu post Blogs Corporativos: Uma Questão de Branding e Não de Publicidade, o Miguel Albano abordou alguns tópicos que já estavam na minha agenda partir do momento em que resolvi abordar a questão dos blogs corporativos: o facto de nem todas as empresas terem necessidade de ter um blog e quem deve ter a responsabilidade de escreve o blog de uma empresa, mais concretamente se deverá este ser um esforço colectivo ou individual. Este segundo ponto irei deixar para um outro post, sendo que neste me irei concentrar em analisar a necessidade de uma empresa ter um blog. Como diz o Miguel, e bem:
Nalguns casos, até poderá fazer sentido pensar numa ferramenta como um blog. Noutros, nem de perto nem de longe. Não são todas as organizações que beneficiam de um blog. Nem são todas as organizações que têm capacidade para avançar com um.
Não podia estar mais de acordo!
A “febre” dos blogs baixou nos últimos tempos, mas a verdade é que ainda não pegou no mundo empresarial, assistindo-se a uma mudança de postura gradual neste meio. Como em todas as modas, haverá quem as siga por convicção, por achar ser o mais útil/indicado para si naquele momento, ou apenas e só para não ficar de fora da carruagem. Ter um blog apenas porque os outros têm e porque não quer ficar mal visto é algo que não pode acontecer numa empresa!
A criação de um blog corporativo pode representar um benefício enorme em termos de imagem e de estratégia de comunicação de uma empresa. Mas um blog falhado é capaz de ter o mesmo impacto mas de forma negativa! Um blog dá trabalho, muito mais do que aqueles que apenas os lêem, ou nem isso, julgam. Um blog corporativo dá ainda mais trabalho porque a liberdade editorial que um blogger possui não é replicável no contexto empresarial. É verdade que se exige transparência num blog de uma empresa, mas há assuntos que pura e simplesmente não podem ser abordados. E mesmo aqueles que podem ser abordados, têm de o ser com especial cuidado com aquilo que se escreve. Os benefícios são elevados, mas os riscos também!
Além disso, sou capaz de apostar quem em 90% dos casos não há necessidade para que uma empresa tenha um blog já que existem outras ferramentas disponíveis que serão mais indicadas. Encontrar a ferramenta adequada ao objectivo proposto deverá ser algo estudado com muito cuidado, antes de se tomar uma decisão definitiva. Um blog criado por qualquer pessoa que ao fim de 2 ou 3 meses “morre” é algo que acontece e ninguém nota. Se isso acontecer com um blog corporativo, a empresa em questão terá sempre essa mancha colada a si; com o carimbo do Google!
Não quero com isto traçar um cenário negro que afaste todas as empresas da criação de um blog corporativo. Este post tem mais por objectivo alertar para o facto de o acto de criar, e sobretudo, manter um blog não é um “mar de rosas”. Não basta ter o software correcto, instalar e lançar uns posts ao sabor do vento. Todo o blog, que queira ter sucesso, tem de obrigatoriamente ter um plano estruturado. Não digo ter a sequência de posts previamente definida, mas sim ter um objectivo estabelecido e percorrer o caminho necessário para o alcançar.
Tudo somado, acho que as organizações, umas mais do que outras, têm mais a ganhar do que a perder com a criação de um blog corporativo. Mas o facto dos benefícios serem altos, não exclui nenhuma empresa de fazer uma análise cuidada dos mesmos de forma a optar pela solução que mais lhe convém. A expressão “cada caso, é um caso” assenta que nem uma luva nesta problemática. Para que um blog corporativo tenha sucesso é necessário um planeamento pormenorizado de toda a sua estrutura e, sobretudo, paciência; muita paciência, porque na blogosfera os leitores e os comentários não surgem da noite para o dia. Há que merecê-los!

A propósito, o artigo do WSJ, em consequência do estudo da FOrrester:
http://blogs.wsj.com/biztech/2008/06/30/most-corporate-blogs-are-unimaginative-failures/
Acho que no final, o problema está no quadro mental com que a maior parte das empresas encara os blogs. A maior parte delas continua a encarar como uma extensão dos seus press-releases e um instrumento “giro” de RP.
E que não vai passar, como diz o Seth Godin, de uma grande Gelado de Almôndegas.
Obrigado pela dica Armando. De facto, penso que em termos de B2B colocam-se dificuldades diferentes das enfrentadas nas empresas de B2C; mas como se conclui do estudo da Forrester, a questão não está no meio mas na fórmula usada.
A maioria dos blogs corporativos continua a falar para para o Mercado (leia-se bolsa, investidores, etc.) e não para os consumidores. Oportunidades perdidas!
Abraço