Comunidades Online: Análise ao Estudo Tribalization of Businness (1)

2008 Julho 24
by Bruno Ribeiro

Tal com referi no meu post sobre este estudo, irei agora efectuar uma análise mais detalhada do mesmo tendo por base o relatório lançado pelas empresas responsáveis pela sua criação. Para melhor organizar a análise, resolvi dividi-la em dois momentos de acordo com os temas em que me irei focar: em primeiro lugar irei analisar resultados relacionados com os objectivos propostos e os resultados alcançados com a existência destas comunidades e, num segundo post, a lançar amanhã, focar-me-ei nas questões de gestão das comunidades online.

Começando pelo mais prático, de acordo com o estudo os principais motivos declarados pelas marcas para avançarem com uma comunidade online são os seguintes (por ordem de respostas): obter insights de estudos de mercado; amplificar o word of mouth; gerar ideias de negócio; perceber e sentir o mercado; actividades de marketing no geral; e avaliar e aumentar a lealdade dos consumidores. Sobretudo aquilo que aqui temos é uma tentativa de estudar e perceber o mercado, havendo também iniciativas de branding o que me parece normal e de todo expectável.

Em termos de variáveis accionáveis de negócio o gerar mais word of mouth surge como objectivo principal por parte destas empresas. De facto, os social media são um meio interessante para a disseminação de informação, positiva e negativa, via word of mouth – embora seja mais correcto falar de “word of mouse” – mas também é um facto que ter isso como um objectivo possa ser um pouco enganador, já que o Word of mouth é algo que parte essencialmente dos consumidores e não das marcas. Mas reconheço que as comunidades online possam ser fundamentais em dar um “empurrãozito”. O aumento da lealdade dos consumidores e a procurar aumentar a visibilidade das marcas e produtos da empresa são outros objectivos mencionados.

Mais interessante é o facto de uma elevada percentagem dos inquiridos (cerca de 45%) referir como objectivo destas comunidades trazer ideias do exterior para dentro da empresa. E considero este facto interessante porque esta é a essência dos social media: abertura e colaboração. Sou da opinião que as empresas podem beneficiar e muito deste tipo de atitudes, de saberem escutar os consumidores, aceitar as suas críticas e incorporar os seus conselhos no dia-a-dia da empresa.

Também interessante é o facto de os inquiridos terem declarado que o aumento do word of mouth foi o objectivo que melhor conseguiram alcançar. Como não sei que tipo de medidas usaram para avaliar isto, não é possível saber se isto corresponde a um aumento real ou um aumento percebido, o que são coisas bem diferentes. Já nos objectivos que maiores dificuldades sentiram em concretizar, 30% (a maior percentagem de respostas) indicou não estar certo de qual é o objectivo mais difícil de concretizar! Isto reflecte sobretudo uma incapacidade em avaliar correctamente a concretização dos objectivos propostos, o que do ponto de vista empresarial podemos considerar no mínimo de preocupante.

Numa análise mais qualitativa foi perguntado aos inquiridos quais foram os princípios benefícios que obtiveram e que não esperariam. Destaco uma única frase (tradução livra da minha autoria):

O facto de o mercado estar disposto a dizer-nos aquilo que quer – desde que lhe perguntemos.

Como já disse, acho que as empresas estão a perder uma grande oportunidade por não aderirem aos social media. Os consumidores estão dispostos e desejosos de falar com as empresas. Dispostos a dizerem aquilo que gostariam de ter ou de ver ser feito, e de dizer aquilo que na sua opinião não está correcto ou que contribuiu para uma possível insatisfação da sua parte. Só falta as empresas estarem dispostas a ouvi-los.

Finalmente, e para terminar este post, é importante reflectir sobre os principais obstáculos encontrados por parte dos inquiridos: dificuldade em fazer com que as pessoas participem mais activamente, e falta de tempo para gerir eficazmente a comunidade. Este segundo ponto deixá-lo-ei para amanhã já que se insere na questão da gestão das comunidades online.

A questão da falta de participação mencionada pelos inquiridos relaciona-se, penso eu, em grande parte com aquilo que aqui referi no meu primeiro post acerca deste estudo:

Aquilo que me parece acontecer em muitos casos é que os responsáveis destas comunidades assumem que a sua marca é suficientemente forte para garantir a inscrição e participação dos consumidores (…) Aquilo em que as marcas se devem centrar é precisamente na similaridade entre atitudes, crenças e comportamentos dos seus actuais e potenciais clientes, e não no facto de usarem um produto específico.

As marcas devem actuar mais numa perspectiva de facilitarem a conversa entre os consumidores e não em serem o foco da conversa. Eu percebo que isto seja difícil de aceitar à luz do tradicional paradigma que gere as empresas a nível mundial; mas é necessário que se perceba que se vai assistindo a uma mudança de mentalidade por parte dos consumidores e que é necessário que as empresas percebam e acompanhem essa mudança. Recomendo a leitura de um post de David Armano precisamente acerca dessa mudança conceptual das marcas como difusoras de mensagem para marcas como facilitadoras da conversa.

Para amanhã fica o resto da minha análise a este documento.

P.S. quem quiser aceder ao relatório só tem de se inscrever neste endereço e esperar que o convite chegue ao e-mail.

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