A TAP e a ANA realizaram uma interessante acção no aeroporta da Portela para desejar um Feliz Natal às pessoas que se encontravam naquele momento no local. Fica abaixo o vídeo:
Apesar de interessante e bem realizada, e ao contrário do que tem sido dito, isto não é uma flashmob, é uma acção de marketing. Uma flashmob é uma reunião espontânea de pessoas num dado local para realizar uma certa acção e que se dispersa rapidamente. Tudo características que a acção da TAP e da ANA contém. A diferença é que neste caso se trata de uma acção de marketing e não de uma acção “espontânea” por parte de um grupo de pessoas que combinou encontrar-se num determinado local para realizar uma acção.
A colagem de buzzwords a acções de marketing é algo “normal” no intuito de aumentar a notoriedade e o potencial de se tornar notícia. A buzzword do ano parece mesmo ter sido flashmob tal a quantidade de iniciativas de marketing que foram catalogadas como tal, mesmo que erroneamente (na maioria dos casos, entenda-se). Outra palavra muito “querida” em termos de comunicação é viral! Aquilo que antes apenas era usado para se referir a uma doença tornou-se numa característica essencial em termos de marketing. É cada vez mais comum vermos press releases, que se tornam em notícias, de que uma dada marca lançou um anúncio viral.
Cada vez mais empresas, no desespero de parecerem cool, lançam este tipo de anúncios. Isto não passa de wishful thinking: algo não se torna viral só porque nós o catalogamos como tal! Ser “viral” tem a ver com o modo de propagação de algo e não de uma característica intrínseca. Como tal, a classificação de “viral” é algo que é feito à posteriori, após se ter identificado um determinado tipo de comportamento, e nunca à priori.
Não se “criam” e “lançam” virais. Criam-se sim conteúdos que tenham características que os possam levar a tornarem-se virais. A identificação destas características pode ser feita através do estudo de como outros conteúdos similares se tornaram virais, ou não (os casos de fracasso também servem como fonte de aprendizagem) e através do estudo do comportamento humano. Mas isso não é garantia de que algo se torne viral.
A acção da TAP e da ANA tornou-se viral. Rapidamente a acção foi distribuída pelas redes sociais fazendo com que chegassem (devia ler-se “fazendo com que chegasse”) a um leque enorme de pessoas que não teriam conhecimento da acção de outro forma. Neste momento, o vídeo tem perto de 210 mil visualizações o que é de louvar. Mas, lá está, o vídeo tornou-se viral pela acção das pessoas que o viram que o distribuíram. E fizeram-no porque o vídeo tem uma componente de entretenimento elevada o que o torna num potencial viral. É certo que a TAP e ANA esperavam que tal sucede-se (devia ler-se “sucedesse”), mas não lançaram um viral; lançaram um vídeo que se tornou viral!





