Category Archives: Comunicação

Ikea Austrália Coloca Showrooms Disponíveis no Airbnb

ikea-airbnb2

Se há empresa que tem vindo a utilizar de forma inovadora as novas soluções digitais para se promover é a sueca Ikea. Desde usar a possibilidade de tagging nas imagens do Facebook para permitir a clientes reclamarem para si produtos, até ao criar um site completo no Instagram, as equipas criativas da empresa sueca têm estado na vanguarda da promoção online.

Desta vez, a empresa de mobiliário destaca-se por uma parceria com o Airbnb que permite aos clientes australianos passarem uma noite num dos showrooms que a empresa tem montados nas sua loja de Sydney. A estadia é gratuita (embora seja necessário pagar a taxa de reserva do Airbnb), mas para ter a oportunidade de passar a noite na loja – com a promessa de um serviço de despertar inesquecível – os interessados têm de explicar em 25 palavras ou menos porque são merecedores da oportunidade.

Esta iniciativa enquadra-se na campanha de lançamento do catálogo de 2015 da Ikea, e será certamente um excelente forma da empresa conseguir, uma vez mais, colocar-se no foco de atenção dos consumidores e da imprensa.

Via: PSFK

Usar Remorso e Culpa Para Aumentar o Número de Dadores de Órgãos

Aumentar o número de dadores de órgãos e de sangue é uma questão essencial ao nível da saúde pública. Um pequeno aumento na percentagem de dadores pode significar um acréscimo significativo no número de vidas salvas. A maioria das campanhas realizadas para este propósito centram-se na possível necessidade futura dos alvos, procurando-os colocar na posição de, eventualmente um dia, serem eles a necessitar da generosidade de outros.

Uma outra tipologia de campanha que visa o mesmo fim, foca-se mais na criação de um sentimento de culpa, neste caso pela inacção. Um exemplo é este anúncio sul-africano:

A ideia da campanha é simples: associar o não ser dador de órgãos a um egoísmo assassino. Este princípio de culpabilização e remorso, embora não seja do agrado de todos e até seja considerado por muitos como desadequado, não deixa de ser eficaz. Há alguns anos atrás o mesmo princípio esteve na origem da alteração de conceito das campanhas de prevenção rodoviária britânicas, cujos anúncios passaram a focar mais o impacto negativo que a irresponsabilidade dos condutores tem sobre as outras pessoas, ao invés dos impactos negativos que essa responsabilidade teria sobre o próprio condutor.

Um exemplo disso e a famosa campanha “It’s 30 for a reason” cujos anúncios chocantes foram alvo de polémica pelo carácter excessivamente visual dos mesmos, como podem ver abaixo.

Onde a campanha da sul-africana falha, i.e. tem uma menor capacidade de persuasão, reside no facto de não criar uma maior empatia com as potenciais vítimas, centrando a atenção do público-alvo no impacto da acção sobre essa pessoa em particular – o que no caso da campanha da Think em cima apresentada acontece, sendo a própria vítima a relatar os factos.

Ainda assim, a melhor forma de aumentar o número de dadores continua a ser retirar as barreiras que existem para a inscrição de dadores, como tornar os formulários opt-out e não opt-in, uma vez que as pessoas tendem a seguir o caminho de menor resistência e a deixarem de actuar a inércia.

Um Spa no Metro de Nova Iorque

A equipa do Improve Everywhere é conhecida pela sua irreverência e pela capacidade de criar momentos de animação e reflexão. Um dos últimos “números” foi a criação de um spa no metropolitano de Nova Iorque, em resposta às temperaturas elevadas que se fazem sentir nas estações deste serviço de transporte.

A ideia é óptima, e a execução é excelente. Fica a questão: quanto não ganharia uma marca se tivesse feito uma acção deste género?

Colgate: Pasta dos Dentes em Máquinas de Venda Automática

Nem sempre é fácil surpreender o público com campanhas para artigos de conveniência, como é o caso da pasta dentrífica. O normal são anúncios com gente com sorriso perfeito felizes enquanto escovam os dentes, situações embaraçosas em que dentes mal lavados prejudicam as actividades diárias das personagens, ou o simples anúncio “científico” com alguém de bata branca a enaltecer todas as vantagens de um produto face a toda a concorrência.

Mas pensar fora do convencional, às vezes traz as suas vantagens como é o caso desta campanha da Colgate que emparelhou amostras do seu produto com doces comprados numa máquina de venda automática. Para além de surpreender os consumidores, fá-lo de uma forma extremamente relevante para a categoria em que o produto se insere.

TomTom: Seios Atléticos

Já há algum tempo que não apresentava aqui um exemplo do uso gratuito de sexo em acções publicitárias. Hoje trago um anúncio da TomTom para o seu aparelho de fitness de pulso que não necessita que o utilizador use uma cinta peitoral para recolher dados biométricos. E que melhor forma de demonstrar essa inovação do que um anúncio cheio de close-ups aos seios de uma corredora?

Ikeahacking: A História de uma Oportunidade Perdida

jules-sad Chegados a 2014 é interessante constatar que, por muita evangelização que seja feita e por muitos posts em blogs que se tenham criado, a “socialização” do mundo corporativo ainda é um processo na sua infância. O paradigma hiper-protectivo da marca e da sua imagem ainda reina, e a co-criação de valor, não obstante alguns exemplos interessantes, é ainda uma utopia relegada para projectos menores e pontuais.

Vem isto a propósito da recente “polémica” entre a Ikea e o site Ikeahackers.net, resultante de uma acção Cease & Desist da multinacional sueca para o abandono da utilização do nome da empresa na denominação do site, ou para, mantendo o nome, que o mesmo deixe de ter qualquer fim comercial, incluindo a exibição de anúncios publicitários. Podem ler a explicação do caso neste post do criador do site.

Do ponto de vista legal e corporativo, a Ikea fez o que seria de esperar (estranho é que tenha demorado tanto): viu uma utilização abusiva da sua marca, e agiu para impedir que a mesma continuasse. Além disso, há que acrescentar que as alterações aos produtos podem resultar numa menor funcionalidade e durabilidade dos mesmos, sendo compreensível que a Ikea não quisesse ser responsabilizada por situações que não controla.

Há no entanto a perda de uma clara oportunidade de criar valor para a sua comunidade e para a sua própria marca. Sendo evidente que o site apresentava formas “não sancionadas” de utilização dos produtos Ikea, também é verdade que o mesmo ajudava a promover a marca e a fazer crescer o seu impacto comercial, mostrando que há mais vida num modelo de estantes do que simplesmente decidir se é colocado na vertical ou na horizontal.

Aquilo que a Ikea poderia, e deveria, ter feito era integrar o site na sua estratégia digital e garantir que toda a publicidade apresentada no site era sua, e que seria fácil para os utilizadores, a partir dos vários posts, efectuar a compra dos produtos da marca. Poderia, e deveria, ter acordado com os proprietários do site que, em todos os posts, fosse colocado um aviso a desresponsabilizar a marca pelo uso dos seus materiais para outros fins que não aqueles para que foram feitos. Poderia, e deveria, promover a comunidade a apresentar formas criativas de utilização dos seus produtos e poderia, e deveria, criar anualmente uma amostra nas suas lojas dos designs mais criativos e originais. Poderia e deveria.

Mas para isso era preciso “largar” um pouco mais a marca para que esta pudesse ser trabalhada pelos consumidores. E é este medo de perder controlo por algo que é seu que leva as empresas a não assumirem uma política mais aberta e social. O que se esquecem é que na realidade, sempre foram os consumidores a “controlarem” a imagem das marcas.

Imagem: ikeahackers.net

O Diário de um Sem-Abrigo no Facebook

O recurso às plataformas de social media para campanhas pró-sociais não é algo de novo, mas é sempre interessante ver boas execuções como este caso em que o dia-a-dia de um sem-abrigo de Viena foi acompanhado no Facebook com o intuito de consciencializar as pessoas para os problemas de quem vive na rua, e das entidades que trabalham para as ajudar.