Category Archives: Comunicação

Anúncio Móvel com Seios Gigantes Causa Mais de 500 Acidentes em Moscovo

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A ideia de que sexo vende não faz parte apenas dos preconceitos dos criativos das agências de publicidade ou dos responsáveis de marketing das marcas. Também os fornecedores de meios entendem que nada melhor para chamar a atenção de potenciais clientes do que uma imagem gigante de seios na lateral de uma carrinha a passear pelas ruas de Moscovo.

A “campanha” pertence à empresa Sarafan Advertising e teve como único objectivo despertar a atenção para o novo meio móvel de publicidade da empresa. A mensagem do anúncio não podia ser mais simples: “Eles atraem”. Uma mensagem que demonstrou a sua eficácia uma vez que se registaram mais de 500 acidentes em Moscovo como resultado de distracções causadas pelo anúncio.

Customização Chegou à McDonald’s

A customização de um produto tem sido uma das tendências em maior crescimento nos últimos anos com as marcas a quererem cada vez mais servir os seus clientes de acordo com os seus gostos, e torná-los co-criadores do produto e dessa forma tornar a ligação do cliente com a marca mais forte e, ao mesmo tempo, aumentar a sua satisfação com o produto.

Em todo o caso, mesmo tendo em conta esta crescente tendência, não deixa de ser interessante verificar que um dos casos de sucesso do sistema “one size fits them all”, como é a McDonald’s resolveu apostar nesta vertente com o desenvolvimento de um sistema de quiosques touchscreen que permitem aos clientes criarem dentro da própria loja o seu próprio hamburguer, de acordo com os seus gostos. Esta é ainda uma experiência – denominada muito bem de “Create Your Taste” – em curso, que já foi surgindo nos EUA e na Austrália, mas que poderá indicar o futuro do segmento de fast-food, sobretudo se de um touchscreen no interior da loja passarmos para aplicações móveis.

Não deixa de ser interessante por outro lado ver o McDonald’s a invadir o terreno de custumização que foi durante muito tempo o ponto distintivo do Burger King com o slogan “Have it Your way”.

Em baixo podem ver um vídeo de um cliente a testar o sistema australiano:

Marriott Teleporta Turistas para Destinos de Férias Virtuais

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Num mundo cada vez mais virtual, transmitir as sensações de uma experiência física (e por vezes espiritual) não é tarefa fácil. A cadeia Marriott resolveu criar uma nova forma de “teleportar” os potenciais clientes para uma experiência única nos vários hotéis da marca em todo o mundo. A iniciativa não se limita a “mostrar” a experiência, mas desafia os turistas a viverem-na numa experiência virtual e imersiva em quatro dimensões.

Além da original pelo formato e tecnologia usada, esta foi uma campanha muito bem pensada e executada tendo claramente em mente o público-alvo e as suas motivações, como demonstra o vídeo abaixo da instalação do “Teleporter” à saída de uma conservatória em New York, oferecendo aos casais recém-casados uma lua-de-mel instantânea.

Porto: Nova Marca, Mas Qual a Identidade?

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A cidade do Porto apresentou recentemente a sua nova “marca”, entenda-se nova linha gráfica da cidade, porque uma Marca, sobretudo quando se refere a território, é definida pelas percepções dos seus interlocutores. Muito se falou sobre a questão do ponto e sobre o seu significado, se reflectia uma afirmação – como indicam os seus criadores – que estabelece a ausência de necessidade para explicar algo mais para além da palavra “Porto”, ou se, por outro lado, reflecte uma cidade fechada sobre si e que se enquadra como produto acabado.

Luís Paixão Martins, interpreta o ponto final, como a conclusão e o fecho sobre si mesmo da cidade, e contrapõe – de forma muito interessante – que Lisboa, se resolvesse assumir um sinal de pontuação para a sua identidade, deveria escolher os dois pontos, que representam a abertura de um diálogo e multiculturalidade. Já o Fernando Moreira de Sá entende que a única sinalética que se adapta ao Porto é o ponto de exclamação, que é o que melhor retrata a vida da cidade e as suas pessoas.

Como diz, e bem, o site da Câmara Municipal do Porto (cuja página online espero que evolua rapidamente para algo bem diferente do que neste momento está visível):

O Porto é incomparável, incontornável. O Porto é o Porto, ponto.

Nenhum portuense – e aqui incluo todo os que, não habitando na cidade, vivem nela e vivem-na a ela – irá discordar com esta frase. O Porto é uma cidade que se sente, não se explica. Uma cidade multifacetada, foliona no São João, aberta durante o Verão, e melancólica – sem ser triste – no Outono, onde os seus cinzentos lhe dão uma luz própria e se torna mais bela. Resumir por isso uma cidade a uma imagem e a um slogan é uma discussão interessante, mas no final, irrelevante.

Uma cidade deve-se afirmar pela sua identidade. Sua, leia-se, das suas gentes, de quem a torna num organismo colectivo. A imagem e o slogan devem reflectir essa identidade, e não sobrepôr-se à mesma ou tentar modificá-la. E é aqui que a cidade do Porto falha: a sua identidade é difusa, numa esquizofrenia de “Portos” que se cruzam, mas nem sempre se interligam. O Porto já foi cidade de resistência, de revoluções, de trabalho, já quis ser da ciência, agora quer afirmar-se no turismo – mas mesmo aqui ainda não é certo que turistas quer, ou consegue cativar.

Ao longo da sua história – que precede a do país – o Porto tem sido sobretudo uma cidade resiliente, que se re-inventa de forma ciclíca, que não se recusa a cair no esquecimento e a tornar-se irrelevante. Olhando para esta história, e para as suas gentes, o Porto é uma cidade empreendedora, e de empreendedores. E essa deveria ser a identidade que a sua “marca” deveria reflectir, esse espírito criativo e de desenrascanço (filosofia tão portuguesa, como tudo o que tem de bom e de mau), que permita à cidade e às suas gentes recriarem-se sempre que necessário e serem, continuamente, líderes e visionários em áreas tão distintas e diferentes.

É por aqui que discordo com o “ponto”, por muito que ele seja reflexo deste sentimento tão tripeiro de que o Porto é nosso, e não precisa de mais adjectivos para se afirmar. Porque o Porto, mesmo quando se fecha ao Mundo, é uma constante criação da sua gente que se vai alterando em constante evolução. O Porto devia afirmar-se como a cidade do Empreendedorismo e trabalhar para que essa característica da cidade, e de quem a vive, fosse efectivamente a sua marca de afirmação para o mundo.

O Porto, não é por isso um ponto final. Quanto muito seriam reticências, a aguardar a próxima iteracção.

McDonald’s Troca Hambúrgueres por Latas

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Iniciativa muito interessante da McDonald’s sueca permitindo a “compra” de hambúrgueres por troca com latas para reciclagem. O objectivo da campanha foi o de consciencializar os jovens para a necessidade de reciclar dando-lhes um incentivo palpável e facilmente perceptível, com custos bem definidos: 1 hambúrguer custa 10 latas, 1 cheeseburguer 20 latas, e 1 Big Mac custa 40 latas. Para facilitar a recolha de latas um outdoor em Estocolmo foi transformado de forma a permitir recolher um saco de lixo para recolha de latas com a informação da campanha.

Para além de socialmente responsável, esta campanha destaca-se pela novidade, apresentando uma solução simples para um problema recorrente, e também por recorrer uma acção concreta da parte do público-alvo reforçando assim a ligação com a marca.

Ikea Austrália Coloca Showrooms Disponíveis no Airbnb

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Se há empresa que tem vindo a utilizar de forma inovadora as novas soluções digitais para se promover é a sueca Ikea. Desde usar a possibilidade de tagging nas imagens do Facebook para permitir a clientes reclamarem para si produtos, até ao criar um site completo no Instagram, as equipas criativas da empresa sueca têm estado na vanguarda da promoção online.

Desta vez, a empresa de mobiliário destaca-se por uma parceria com o Airbnb que permite aos clientes australianos passarem uma noite num dos showrooms que a empresa tem montados nas sua loja de Sydney. A estadia é gratuita (embora seja necessário pagar a taxa de reserva do Airbnb), mas para ter a oportunidade de passar a noite na loja – com a promessa de um serviço de despertar inesquecível – os interessados têm de explicar em 25 palavras ou menos porque são merecedores da oportunidade.

Esta iniciativa enquadra-se na campanha de lançamento do catálogo de 2015 da Ikea, e será certamente um excelente forma da empresa conseguir, uma vez mais, colocar-se no foco de atenção dos consumidores e da imprensa.

Via: PSFK

Usar Remorso e Culpa Para Aumentar o Número de Dadores de Órgãos

Aumentar o número de dadores de órgãos e de sangue é uma questão essencial ao nível da saúde pública. Um pequeno aumento na percentagem de dadores pode significar um acréscimo significativo no número de vidas salvas. A maioria das campanhas realizadas para este propósito centram-se na possível necessidade futura dos alvos, procurando-os colocar na posição de, eventualmente um dia, serem eles a necessitar da generosidade de outros.

Uma outra tipologia de campanha que visa o mesmo fim, foca-se mais na criação de um sentimento de culpa, neste caso pela inacção. Um exemplo é este anúncio sul-africano:

A ideia da campanha é simples: associar o não ser dador de órgãos a um egoísmo assassino. Este princípio de culpabilização e remorso, embora não seja do agrado de todos e até seja considerado por muitos como desadequado, não deixa de ser eficaz. Há alguns anos atrás o mesmo princípio esteve na origem da alteração de conceito das campanhas de prevenção rodoviária britânicas, cujos anúncios passaram a focar mais o impacto negativo que a irresponsabilidade dos condutores tem sobre as outras pessoas, ao invés dos impactos negativos que essa responsabilidade teria sobre o próprio condutor.

Um exemplo disso e a famosa campanha “It’s 30 for a reason” cujos anúncios chocantes foram alvo de polémica pelo carácter excessivamente visual dos mesmos, como podem ver abaixo.

Onde a campanha da sul-africana falha, i.e. tem uma menor capacidade de persuasão, reside no facto de não criar uma maior empatia com as potenciais vítimas, centrando a atenção do público-alvo no impacto da acção sobre essa pessoa em particular – o que no caso da campanha da Think em cima apresentada acontece, sendo a própria vítima a relatar os factos.

Ainda assim, a melhor forma de aumentar o número de dadores continua a ser retirar as barreiras que existem para a inscrição de dadores, como tornar os formulários opt-out e não opt-in, uma vez que as pessoas tendem a seguir o caminho de menor resistência e a deixarem de actuar a inércia.