Category Archives: Comunicação

Customização Chegou à McDonald’s

A customização de um produto tem sido uma das tendências em maior crescimento nos últimos anos com as marcas a quererem cada vez mais servir os seus clientes de acordo com os seus gostos, e torná-los co-criadores do produto e dessa forma tornar a ligação do cliente com a marca mais forte e, ao mesmo tempo, aumentar a sua satisfação com o produto.

Em todo o caso, mesmo tendo em conta esta crescente tendência, não deixa de ser interessante verificar que um dos casos de sucesso do sistema “one size fits them all”, como é a McDonald’s resolveu apostar nesta vertente com o desenvolvimento de um sistema de quiosques touchscreen que permitem aos clientes criarem dentro da própria loja o seu próprio hamburguer, de acordo com os seus gostos. Esta é ainda uma experiência – denominada muito bem de “Create Your Taste” – em curso, que já foi surgindo nos EUA e na Austrália, mas que poderá indicar o futuro do segmento de fast-food, sobretudo se de um touchscreen no interior da loja passarmos para aplicações móveis.

Não deixa de ser interessante por outro lado ver o McDonald’s a invadir o terreno de custumização que foi durante muito tempo o ponto distintivo do Burger King com o slogan “Have it Your way”.

Em baixo podem ver um vídeo de um cliente a testar o sistema australiano:

Marriott Teleporta Turistas para Destinos de Férias Virtuais

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Num mundo cada vez mais virtual, transmitir as sensações de uma experiência física (e por vezes espiritual) não é tarefa fácil. A cadeia Marriott resolveu criar uma nova forma de “teleportar” os potenciais clientes para uma experiência única nos vários hotéis da marca em todo o mundo. A iniciativa não se limita a “mostrar” a experiência, mas desafia os turistas a viverem-na numa experiência virtual e imersiva em quatro dimensões.

Além da original pelo formato e tecnologia usada, esta foi uma campanha muito bem pensada e executada tendo claramente em mente o público-alvo e as suas motivações, como demonstra o vídeo abaixo da instalação do “Teleporter” à saída de uma conservatória em New York, oferecendo aos casais recém-casados uma lua-de-mel instantânea.

Porto: Nova Marca, Mas Qual a Identidade?

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A cidade do Porto apresentou recentemente a sua nova “marca”, entenda-se nova linha gráfica da cidade, porque uma Marca, sobretudo quando se refere a território, é definida pelas percepções dos seus interlocutores. Muito se falou sobre a questão do ponto e sobre o seu significado, se reflectia uma afirmação – como indicam os seus criadores – que estabelece a ausência de necessidade para explicar algo mais para além da palavra “Porto”, ou se, por outro lado, reflecte uma cidade fechada sobre si e que se enquadra como produto acabado.

Luís Paixão Martins, interpreta o ponto final, como a conclusão e o fecho sobre si mesmo da cidade, e contrapõe – de forma muito interessante – que Lisboa, se resolvesse assumir um sinal de pontuação para a sua identidade, deveria escolher os dois pontos, que representam a abertura de um diálogo e multiculturalidade. Já o Fernando Moreira de Sá entende que a única sinalética que se adapta ao Porto é o ponto de exclamação, que é o que melhor retrata a vida da cidade e as suas pessoas.

Como diz, e bem, o site da Câmara Municipal do Porto (cuja página online espero que evolua rapidamente para algo bem diferente do que neste momento está visível):

O Porto é incomparável, incontornável. O Porto é o Porto, ponto.

Nenhum portuense – e aqui incluo todo os que, não habitando na cidade, vivem nela e vivem-na a ela – irá discordar com esta frase. O Porto é uma cidade que se sente, não se explica. Uma cidade multifacetada, foliona no São João, aberta durante o Verão, e melancólica – sem ser triste – no Outono, onde os seus cinzentos lhe dão uma luz própria e se torna mais bela. Resumir por isso uma cidade a uma imagem e a um slogan é uma discussão interessante, mas no final, irrelevante.

Uma cidade deve-se afirmar pela sua identidade. Sua, leia-se, das suas gentes, de quem a torna num organismo colectivo. A imagem e o slogan devem reflectir essa identidade, e não sobrepôr-se à mesma ou tentar modificá-la. E é aqui que a cidade do Porto falha: a sua identidade é difusa, numa esquizofrenia de “Portos” que se cruzam, mas nem sempre se interligam. O Porto já foi cidade de resistência, de revoluções, de trabalho, já quis ser da ciência, agora quer afirmar-se no turismo – mas mesmo aqui ainda não é certo que turistas quer, ou consegue cativar.

Ao longo da sua história – que precede a do país – o Porto tem sido sobretudo uma cidade resiliente, que se re-inventa de forma ciclíca, que não se recusa a cair no esquecimento e a tornar-se irrelevante. Olhando para esta história, e para as suas gentes, o Porto é uma cidade empreendedora, e de empreendedores. E essa deveria ser a identidade que a sua “marca” deveria reflectir, esse espírito criativo e de desenrascanço (filosofia tão portuguesa, como tudo o que tem de bom e de mau), que permita à cidade e às suas gentes recriarem-se sempre que necessário e serem, continuamente, líderes e visionários em áreas tão distintas e diferentes.

É por aqui que discordo com o “ponto”, por muito que ele seja reflexo deste sentimento tão tripeiro de que o Porto é nosso, e não precisa de mais adjectivos para se afirmar. Porque o Porto, mesmo quando se fecha ao Mundo, é uma constante criação da sua gente que se vai alterando em constante evolução. O Porto devia afirmar-se como a cidade do Empreendedorismo e trabalhar para que essa característica da cidade, e de quem a vive, fosse efectivamente a sua marca de afirmação para o mundo.

O Porto, não é por isso um ponto final. Quanto muito seriam reticências, a aguardar a próxima iteracção.

McDonald’s Troca Hambúrgueres por Latas

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Iniciativa muito interessante da McDonald’s sueca permitindo a “compra” de hambúrgueres por troca com latas para reciclagem. O objectivo da campanha foi o de consciencializar os jovens para a necessidade de reciclar dando-lhes um incentivo palpável e facilmente perceptível, com custos bem definidos: 1 hambúrguer custa 10 latas, 1 cheeseburguer 20 latas, e 1 Big Mac custa 40 latas. Para facilitar a recolha de latas um outdoor em Estocolmo foi transformado de forma a permitir recolher um saco de lixo para recolha de latas com a informação da campanha.

Para além de socialmente responsável, esta campanha destaca-se pela novidade, apresentando uma solução simples para um problema recorrente, e também por recorrer uma acção concreta da parte do público-alvo reforçando assim a ligação com a marca.

Ikea Austrália Coloca Showrooms Disponíveis no Airbnb

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Se há empresa que tem vindo a utilizar de forma inovadora as novas soluções digitais para se promover é a sueca Ikea. Desde usar a possibilidade de tagging nas imagens do Facebook para permitir a clientes reclamarem para si produtos, até ao criar um site completo no Instagram, as equipas criativas da empresa sueca têm estado na vanguarda da promoção online.

Desta vez, a empresa de mobiliário destaca-se por uma parceria com o Airbnb que permite aos clientes australianos passarem uma noite num dos showrooms que a empresa tem montados nas sua loja de Sydney. A estadia é gratuita (embora seja necessário pagar a taxa de reserva do Airbnb), mas para ter a oportunidade de passar a noite na loja – com a promessa de um serviço de despertar inesquecível – os interessados têm de explicar em 25 palavras ou menos porque são merecedores da oportunidade.

Esta iniciativa enquadra-se na campanha de lançamento do catálogo de 2015 da Ikea, e será certamente um excelente forma da empresa conseguir, uma vez mais, colocar-se no foco de atenção dos consumidores e da imprensa.

Via: PSFK

Usar Remorso e Culpa Para Aumentar o Número de Dadores de Órgãos

Aumentar o número de dadores de órgãos e de sangue é uma questão essencial ao nível da saúde pública. Um pequeno aumento na percentagem de dadores pode significar um acréscimo significativo no número de vidas salvas. A maioria das campanhas realizadas para este propósito centram-se na possível necessidade futura dos alvos, procurando-os colocar na posição de, eventualmente um dia, serem eles a necessitar da generosidade de outros.

Uma outra tipologia de campanha que visa o mesmo fim, foca-se mais na criação de um sentimento de culpa, neste caso pela inacção. Um exemplo é este anúncio sul-africano:

A ideia da campanha é simples: associar o não ser dador de órgãos a um egoísmo assassino. Este princípio de culpabilização e remorso, embora não seja do agrado de todos e até seja considerado por muitos como desadequado, não deixa de ser eficaz. Há alguns anos atrás o mesmo princípio esteve na origem da alteração de conceito das campanhas de prevenção rodoviária britânicas, cujos anúncios passaram a focar mais o impacto negativo que a irresponsabilidade dos condutores tem sobre as outras pessoas, ao invés dos impactos negativos que essa responsabilidade teria sobre o próprio condutor.

Um exemplo disso e a famosa campanha “It’s 30 for a reason” cujos anúncios chocantes foram alvo de polémica pelo carácter excessivamente visual dos mesmos, como podem ver abaixo.

Onde a campanha da sul-africana falha, i.e. tem uma menor capacidade de persuasão, reside no facto de não criar uma maior empatia com as potenciais vítimas, centrando a atenção do público-alvo no impacto da acção sobre essa pessoa em particular – o que no caso da campanha da Think em cima apresentada acontece, sendo a própria vítima a relatar os factos.

Ainda assim, a melhor forma de aumentar o número de dadores continua a ser retirar as barreiras que existem para a inscrição de dadores, como tornar os formulários opt-out e não opt-in, uma vez que as pessoas tendem a seguir o caminho de menor resistência e a deixarem de actuar a inércia.

Um Spa no Metro de Nova Iorque

A equipa do Improve Everywhere é conhecida pela sua irreverência e pela capacidade de criar momentos de animação e reflexão. Um dos últimos “números” foi a criação de um spa no metropolitano de Nova Iorque, em resposta às temperaturas elevadas que se fazem sentir nas estações deste serviço de transporte.

A ideia é óptima, e a execução é excelente. Fica a questão: quanto não ganharia uma marca se tivesse feito uma acção deste género?