Category Archives: Comunicação

North Face Obriga Clientes a Subir Paredes

Nem todas as marcas se podem dar ao luxo de criar uma acção em loja que recrie de forma eficaz aquilo que representa para os seus clientes. Mas esse não é um problema para a North Face que criou uma experiência numa das suas lojas na Coreia do Sul em que obrigou os clientes a mostrarem estar à altura do espírito aventureiro e desportivo da marca para conseguirem um dos produtos da nova colecção.

British Airways Cria a Bando Sonora Perfeita para as Refeições a Bordo

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A capacidade de oferecer um serviço diferenciado e de excelência é, hoje em dia, uma necessidade básica das companhias aéreas, sobretudo as que operam nos segmentos mais elevados do mercado. Não é por isso surpreendente que cada vez mais o recurso ao marketing sensorial seja uma realidade e não apenas uma promessa-futura no sector. Desde fragrâncias exclusivas capazes de activar memórias, passando por refeições preparadas por chefs com múltiplas estrelas Michelin, as principais companhias aéreas mundiais não se têm poupado a esforços para oferecer um serviço que cative e, sobretudo, fidelize os clientes.

A British Airways resolveu ir um pouco mais longe na oferta sensorial que oferece aos seus clientes e apostou em melhorar o menu a bordo recorrendo a um ingrediente muito especial: música. Um dos problemas da comida a bordo de aviões – qualidade da confecção à parte – é o facto das nossas papilas gustativas serem afectadas pela altitude, o que resulta numa perde de cerca de 30% na nossa capacidade de provar e distinguir convenientemente sabores. Confrontada com essa dificuldade, a BA apostou na criação de uma playlist de 13 músicas que deverão ser emparelhadas com as suas refeições a bordo.

A aposta assenta em estudos que comprovam que certos tons e melodias afectam a forma como saboreamos os alimentos, emparelhando sons e sabores para uma experiência mais rica. Por exemplo, sons agudos ajudam a perceber os alimentos como sendo mais doces, enquanto que sons mais graves, como os produzidos por trombones, aumentam a percepção de que os alimentos são mais amargos.

A playlist da BA tem por objectivo maximizar a experiência gastronómica dos seus clientes ao apresentar a música perfeita para acompanhar cada refeição, como por exemplo “Somewhere Only We Know” de Lilly Allen para o prato principal, e nada como “Ray of Light” de Madonna para tornar a sobremesa mais doce. Para finalizar, um bom café ao som de “Nessun Dorma” interpretado por Plácido Domingo.

Abaixo um exemplo de uma banda sonora a bordo de um voo da BA:

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Anúncio Móvel com Seios Gigantes Causa Mais de 500 Acidentes em Moscovo

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A ideia de que sexo vende não faz parte apenas dos preconceitos dos criativos das agências de publicidade ou dos responsáveis de marketing das marcas. Também os fornecedores de meios entendem que nada melhor para chamar a atenção de potenciais clientes do que uma imagem gigante de seios na lateral de uma carrinha a passear pelas ruas de Moscovo.

A “campanha” pertence à empresa Sarafan Advertising e teve como único objectivo despertar a atenção para o novo meio móvel de publicidade da empresa. A mensagem do anúncio não podia ser mais simples: “Eles atraem”. Uma mensagem que demonstrou a sua eficácia uma vez que se registaram mais de 500 acidentes em Moscovo como resultado de distracções causadas pelo anúncio.

Customização Chegou à McDonald’s

A customização de um produto tem sido uma das tendências em maior crescimento nos últimos anos com as marcas a quererem cada vez mais servir os seus clientes de acordo com os seus gostos, e torná-los co-criadores do produto e dessa forma tornar a ligação do cliente com a marca mais forte e, ao mesmo tempo, aumentar a sua satisfação com o produto.

Em todo o caso, mesmo tendo em conta esta crescente tendência, não deixa de ser interessante verificar que um dos casos de sucesso do sistema “one size fits them all”, como é a McDonald’s resolveu apostar nesta vertente com o desenvolvimento de um sistema de quiosques touchscreen que permitem aos clientes criarem dentro da própria loja o seu próprio hamburguer, de acordo com os seus gostos. Esta é ainda uma experiência – denominada muito bem de “Create Your Taste” – em curso, que já foi surgindo nos EUA e na Austrália, mas que poderá indicar o futuro do segmento de fast-food, sobretudo se de um touchscreen no interior da loja passarmos para aplicações móveis.

Não deixa de ser interessante por outro lado ver o McDonald’s a invadir o terreno de custumização que foi durante muito tempo o ponto distintivo do Burger King com o slogan “Have it Your way”.

Em baixo podem ver um vídeo de um cliente a testar o sistema australiano:

Marriott Teleporta Turistas para Destinos de Férias Virtuais

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Num mundo cada vez mais virtual, transmitir as sensações de uma experiência física (e por vezes espiritual) não é tarefa fácil. A cadeia Marriott resolveu criar uma nova forma de “teleportar” os potenciais clientes para uma experiência única nos vários hotéis da marca em todo o mundo. A iniciativa não se limita a “mostrar” a experiência, mas desafia os turistas a viverem-na numa experiência virtual e imersiva em quatro dimensões.

Além da original pelo formato e tecnologia usada, esta foi uma campanha muito bem pensada e executada tendo claramente em mente o público-alvo e as suas motivações, como demonstra o vídeo abaixo da instalação do “Teleporter” à saída de uma conservatória em New York, oferecendo aos casais recém-casados uma lua-de-mel instantânea.

Porto: Nova Marca, Mas Qual a Identidade?

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A cidade do Porto apresentou recentemente a sua nova “marca”, entenda-se nova linha gráfica da cidade, porque uma Marca, sobretudo quando se refere a território, é definida pelas percepções dos seus interlocutores. Muito se falou sobre a questão do ponto e sobre o seu significado, se reflectia uma afirmação – como indicam os seus criadores – que estabelece a ausência de necessidade para explicar algo mais para além da palavra “Porto”, ou se, por outro lado, reflecte uma cidade fechada sobre si e que se enquadra como produto acabado.

Luís Paixão Martins, interpreta o ponto final, como a conclusão e o fecho sobre si mesmo da cidade, e contrapõe – de forma muito interessante – que Lisboa, se resolvesse assumir um sinal de pontuação para a sua identidade, deveria escolher os dois pontos, que representam a abertura de um diálogo e multiculturalidade. Já o Fernando Moreira de Sá entende que a única sinalética que se adapta ao Porto é o ponto de exclamação, que é o que melhor retrata a vida da cidade e as suas pessoas.

Como diz, e bem, o site da Câmara Municipal do Porto (cuja página online espero que evolua rapidamente para algo bem diferente do que neste momento está visível):

O Porto é incomparável, incontornável. O Porto é o Porto, ponto.

Nenhum portuense – e aqui incluo todo os que, não habitando na cidade, vivem nela e vivem-na a ela – irá discordar com esta frase. O Porto é uma cidade que se sente, não se explica. Uma cidade multifacetada, foliona no São João, aberta durante o Verão, e melancólica – sem ser triste – no Outono, onde os seus cinzentos lhe dão uma luz própria e se torna mais bela. Resumir por isso uma cidade a uma imagem e a um slogan é uma discussão interessante, mas no final, irrelevante.

Uma cidade deve-se afirmar pela sua identidade. Sua, leia-se, das suas gentes, de quem a torna num organismo colectivo. A imagem e o slogan devem reflectir essa identidade, e não sobrepôr-se à mesma ou tentar modificá-la. E é aqui que a cidade do Porto falha: a sua identidade é difusa, numa esquizofrenia de “Portos” que se cruzam, mas nem sempre se interligam. O Porto já foi cidade de resistência, de revoluções, de trabalho, já quis ser da ciência, agora quer afirmar-se no turismo – mas mesmo aqui ainda não é certo que turistas quer, ou consegue cativar.

Ao longo da sua história – que precede a do país – o Porto tem sido sobretudo uma cidade resiliente, que se re-inventa de forma ciclíca, que não se recusa a cair no esquecimento e a tornar-se irrelevante. Olhando para esta história, e para as suas gentes, o Porto é uma cidade empreendedora, e de empreendedores. E essa deveria ser a identidade que a sua “marca” deveria reflectir, esse espírito criativo e de desenrascanço (filosofia tão portuguesa, como tudo o que tem de bom e de mau), que permita à cidade e às suas gentes recriarem-se sempre que necessário e serem, continuamente, líderes e visionários em áreas tão distintas e diferentes.

É por aqui que discordo com o “ponto”, por muito que ele seja reflexo deste sentimento tão tripeiro de que o Porto é nosso, e não precisa de mais adjectivos para se afirmar. Porque o Porto, mesmo quando se fecha ao Mundo, é uma constante criação da sua gente que se vai alterando em constante evolução. O Porto devia afirmar-se como a cidade do Empreendedorismo e trabalhar para que essa característica da cidade, e de quem a vive, fosse efectivamente a sua marca de afirmação para o mundo.

O Porto, não é por isso um ponto final. Quanto muito seriam reticências, a aguardar a próxima iteracção.