A versão original destes “conselhos” data de Fevereiro de 2008. Quase 3 anos após a sua publicação é com algum interesse, e surpresa, que verifico que continuam a ser tão actuais como o eram há data e que ainda há quem, a nível profissional, continue sem entender como deve lidar com blogs e opiniões negativas. Deixo-os aqui novamente para leitura e discussão com dedicatória especial aos senhores da Ensitel:
1. Se não conhece as regras do jogo, fique de fora a assistir.
Da mesma forma que para ter sucesso num determinado desporto é necessário saber como jogá-lo, para que uma empresa/agência consiga lidar correctamente com blogs é necessário que perceba como funcionam e o que motiva quem os escreve. Mais vale não interagir com bloggers do que fazê-lo mal! No primeiro caso, o pior que pode acontecer é perder oportunidades de estabelecer contactos e formar relações com actuais e potenciais clientes; no segundo os riscos são bem maiores e podem resultar em problemas em termos de reputação da empresa/cliente. O melhor é, antes de começar a participar na blogosfera, perder algum tempo a ler blogs e a analisar as práticas mais aceites. O dispêndio de tempo poderá ser elevado, mas os ganhos potenciais justificam-no.
Nós, humanos, gostamos de rankings. E de listas. No fundo gostamos de categorizar. Ou melhor, necessitamos de categorizar para criarmos algum sentido de ordem em ambientes tão diversos e ambíguos como aqueles que o Mundo nos oferece. Esta necessidade de listar e de categorizar foi exponenciada pela web – até porque é uma excelente estratégia de linkbait. Não há 1 dia em que não encontre um post num blog ou um artigo em algum site com o Top [inserir número] de qualquer coisa. Sobretudo neste período de transição entre o velho e o novo ano.
No que diz respeito à web social, é normal encontrar listas e rankings dos bloggers ou perfis do Twitter mais influentes. O problema é que raramente esses rankings e listas utilizam o conceito de influência como medida. O mais comum é a lista de influentes ser na realidade uma lista de popularidade, indicando os blogs com mais visitas ou os perfis com mais seguidores. O que me parece é que para muita gente influência e popularidade são uma e a mesma coisa, quando na realidade são noções diferentes mesmo que se cruzem e interajam.
A TAP e a ANA realizaram uma interessante acção no aeroporta da Portela para desejar um Feliz Natal às pessoas que se encontravam naquele momento no local. Fica abaixo o vídeo:
Apesar de interessante e bem realizada, e ao contrário do que tem sido dito, isto não é uma flashmob, é uma acção de marketing. Uma flashmob é uma reunião espontânea de pessoas num dado local para realizar uma certa acção e que se dispersa rapidamente. Tudo características que a acção da TAP e da ANA contém. A diferença é que neste caso se trata de uma acção de marketing e não de uma acção “espontânea” por parte de um grupo de pessoas que combinou encontrar-se num determinado local para realizar uma acção.
Se dúvidas houvesse quanto ao poder mobilizador (para o bem, para o mal e para o irrelevante) das redes sociais, os últimos dias trouxeram dois casos que o demonstram na perfeição: o vídeo em que Maitê Proença goza com Portugal e o novo anúncio do Pingo Doce. Os dois casos têm sido tema de discussão nas redes socias e rapidamente passaram para os mainstream media.
Começando pelo caso de Maitê Proença, o dito vídeo foi feito em 2007 para o programa Saia Justa e basicamente mostra a actriz por terras nacionais a gozar com Portugal e com os Portugueses. A resposta chegou através de comentários, posts, tweets e petições nas redes sociais. A actriz brasileira foi criticada, gozada e insultada por quem se sintou ofendido ou decepcionado com o seu comportamento. Os interessados em saber mais poderão ler este post no Bitaites e este outro do Paulo Querido que resumem bem as coisas.
Todo o buzz em torno dos social media e a facilidade com que se podem criar perfis nas redes sociais ou um blog tem levado a que cada vez mais empresas apostem nestes meios para entrar em contacto com os seus clientes, actuais ou potenciais. E porque não haviam de o fazer? Cada vez mais pessoas usam as redes sociais para encontrar informações sobre produtos e/ou serviços. O Google é hoje em dia a página principal de qualquer negócio. Os consumidores preferem encontrar informação na net veiculada por outros consumidores, ou pelo menos ter a hipótese de comunicar directamente com uma empresa sem recursos a intermediários. É por isso natural que a aposta nos social media a nível empresarial cresça.
Existe no entanto um erro no raciocínio de muitas empresas que apostam nos social media para promover os seus produtos ou para interagir com os seus clientes: um perfil no Twitter, um blog da empresa, um canal no Youtube não são substitutos para um bom produto ou serviço! Se o produto/serviço for mau, a qualidade da presença de uma empresa nos social media pouco fará para o tornar num sucesso.