Arquivo da Categoria: Psicologia Social

Princípio da Escassez na Música: Wu-Tang Clan Lançam Álbum com Único Exemplar

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Nada exemplifica melhor o conceito de luxo, do que a escassez de um produto. A possibilidade de possuir um objecto único, de experimentar uma experiência exclusiva, ou de viver um momento irrepetível, é um dos principais motivadores de comportamento de consumo, como aliás já aqui expliquei.

Os Wu-Tang Clan, criam esse perfeito ambiente de luxo e exclusividade com o lançamento do seu novo álbum “The Wu – Once Upon a Time in Shaolin”, que terá UM único exemplar. Apenas uma pessoa em todo o mundo irá ter na sua posse esta obra, que está a ser preparada pelo grupo desde 1997. Mas antes de vender o álbum, o grupo irá exibi-lo em museus e galerias onde, após pagar uma verba que se espera ser superior a 30$, os fãs do grupo poderão ouvir as faixas raras que compõem o álbum. No final da digressão o disco será vendido pelo melhor preço que poderá atingir alguns milhões de dólares.

O grupo afirma que esta é uma iniciativa que visa criar um novo movimento de afirmação da música como arte, e de romper com o tradicionalismo da indústria no que respeita ao lançamento de novos discos. Será interessante ver como se desenrola esta iniciativa, sobretudo sendo os Wu-Tang um dos mais conceituados grupos de hip-hop e que já revolucionou a indústria quando surgiu.

The Fun Theory: 4 anos continua viva

Há 4 anos atrás a Volkswagen lançou a sua iniciativa “The fun theory” com as famosas “escadas piano”. O conceito por detrás desta iniciativa foi o de que o método mais simples e eficaz de conseguir mudar o comportamento das pessoas seria o de fazê-lo de uma forma divertida e dinâmica. Desde então algumas iniciativas, privadas e públicas, publicitárias ou não, têm vindo a seguir a mesma linha de pensamento de mudar comportamentos e atitudes através acções de interacção com o público.

O mais recente exemplo chega de Moscovo onde os passageiros do metro local podem adquirir bilhetes em troca de exercício físico. A iniciativa tem o duplo propósito de promover os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, que se realizam em Sochi, e de consciencializar os moscovitas para a prática de desporto e de estilos de vida mais activos e saudáveis:

Um outro exemplo muito interessante, e que também envolve bilhetes para o metro, chega-nos de Pequim, onde os passageiros podem adquirir bilhetes de metro em troca de garrafas de plástico doadas para reciclagem:

Ainda dentro do tema da reciclagem, um outro exemplo interessante é o “Bottletheatre” desenvolvido pela marca alemã de cerveja Astra: em troca de garrafas vazias, os transeuntes podem assistir a espectáculos privados.

Bónus: as “piano stairs” da Volkswagen

Google Stories: O Poder das Narrativas II

No último post falei da forma como a Skype, e também a Apple, usam narrativas para promover os seus produtos. Hoje trago mais um exemplo, no caso da Google, que recorre às suas Google Stories para demonstrar o poder que os produtos da empresa têm para ajudar as pessoas nas mais diversas tarefas. O importante aqui, tal como nos exemplos anteriores, está nas pessoas e nas suas histórias e não nas ferramentas que utilizam. Os produtos e serviço são apenas facilitadores que permitem ultrapassar barreiras, vencer desafios ou, simplesmente, fornecer uma nova visão sobre um problema. Neste momento, a Google apresenta 8 narrativas diferentes que podemos acompanhar.

Bónus: numa altura em que as narrativas se vão tornando importantes (não que alguma vez o tenham deixado de ser) enquanto material de comunicação, a HBO utiliza essa mesma importância para promover o seu mais recente serviço.

Debenhams: O Princípio do Contraste na Publicidade e Marketing

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No meio de toda a publicidade com que diariamente os consumidores são bombardeados, a dificuldade, do ponto de vista das marcas, é a de ser notado, de conseguir uma brecha que permita a um anúncio captar um pouco da atenção de um público desconfiado e dessa forma ser capaz de passar uma mensagem e, espera-se, consiga persuadir um cliente a adquirir um produto ou serviço. A originalidade ou diferenciação em certos atributos chave são as melhores formas de o conseguir, procurando fazer um contraste com a inúmero concorrência.

Um bom exemplo de campanhas que, pelo seu contraste, se diferenciam da concorrência são as já lendárias campanhas da Benetton. Outra empresa, também ligada ao vestuária que adopta a mesma táctica, é a Debenhams, que consegue diferenciar-se pelo contraste com a sua nova campanha para a qual escolheu modelos pouco usuais: pessoas amputadas, atletas paralímpicos, modelos com 70 anos ou com tamanhos acima dos normalmente aceitáveis para o mundo da moda.

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A empresa avançou com a apresentação de manequins em tamanhos grandes, que serão agora parte integrante das lojas da marca.

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Esta nova forma de comunicar da Debenhams sobressai claramente do que é são as tradicionais estratégias empregues pelas marcas de vestuário e moda. Este contraste torna a comunicação mais saliente junto dos consumidores e opinion makers permitindo que a marca receba mais atenção do que aquela que seria expectável numa campanha e postura tradicionais.

De acordo com a empresa, a escolha destes modelos deve-se à necessidade da cadeia de lojas se ligar com o consumidor, apresentando modelos fisicamente mais próximas do consumidor comum e abraçando a diversidade. Não duvido que essas sejam as reais motivações, ou pelo menos parte delas. Mas certamente que o destaque que esta opção deu à marca em termos de promoção nos media e junto de consumidores, pelo seu carácter contrastante, não terá deixado de ser parte da equação na tomada de decisão.

Psicologia do Halloween: Mensagens do Além

Mystifying Oracle

À volta de uma mesa um conjunto de amigos reúne-se, luzes apagadas e velas acesas, cada qual com o dedo indicador sobre um copo de vidro pousado sobre uma tábua onde se encontram escritas as letras do alfabeto e números de 0 a 9. Entre sorrisos e movimentos de desconforto, olham nervosamente uns para os outros à espera que alguém fale. Depois de uma inspiração profunda, um dos membros do grupo ganha coragem e pergunta para o vazio “Está aí alguém?”.
Lentamente, sem que ninguém compreenda o porquê, e perante o olhar atónito e aterrorizado de todos, o copo move-se, em direcção à letra “S”. Seguem-se o “I” e o “M”. Com demasiado medo para tirar o dedo do copo, o nosso grupo de amigos volta a questionar o vazio à espera de respostas mais concretas. Durante mais de 1 hora persistem nesta tarefa, descobrindo que estão a falar com um idoso que faleceu naquela casa há mais de 60 anos em condições misteriosas.

Se este relato parece familiar, é porque faz parte de histórias que todos ouvimos ou das quais já participamos. As tábuas Ouija – o popular ‘jogo do copo’ – têm feito parte do imaginário popular desde que no final do séc. XIX começaram a ser usadas para comunicar com espíritos. Milhares de pessoas questionaram o “além” e receberam respostas, convencendo-se de que realmente existe algo para lá desta vida, à distância de uma tábua de madeira, não se apercebendo que estão apenas a ser vítimas do seu próprio cérebro.

O responsável pelos movimentos do copo não é um espírito que vagueia pela casa, mas sim um fenómeno psicofisiológico chamado efeito ideomotor. Este efeito explica a desconexão entra o nosso pensamento e as nossas acções, em que por vezes certos reflexos musculares involuntários escapam ao nosso consciente, embora os músculos estejam a executar ‘ordens’ provenientes do nosso cérebro. E é precisamente isso que acontece nas tábuas Ouija: são os próprios intervenientes que de forma inconsciente movimentam o copo criando mensagens, atribuindo esses movimentos a uma terceira entidade por não terem consciência dos mesmos.

Desfeita a ilusão de comunicar com o “além”, deixo a sugestão de, munidos com este conhecimento, poderem criar a vossa própria experiência paranormal. Basta uma tábua Ouija, uma boa história sobre uma morte macabra, e um grupo de amigos facilmente impressionáveis.

Imagem: Mystifying Oracle by Matt