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Pingo Doce: Como Definir o Preço que os Consumidores Devem Gastar

Um destes dias estava a meio de efectuar algumas compras numa loja do Pingo Doce quando, através do sistema sonora, são os clientes relembrados de que não é possível efectuar pagamentos via multibanco para valores inferiores a 20€. Não se tratando de uma novidade, até por ter sido algo amplamente debatido há semanas atrás quando foi anunciada a medida, não deixou de ser um pequeno choque, sobretudo porque não tinha comigo valor em numerário suficiente para pagar os artigos que pretendia levar. Por outro lado, o valor dos mesmos era pouco superior a 10€ pelo que não se qualificava o cabaz para ser pago por multibanco como era a minha intenção. Vi-me então perante o dilema de abandonar o cesto com os artigos para sair da loja, dirigir a um ATM e levantar dinheiro, ou então de comprar mais artigos que não estavam planeados para atingir os 20€ e pagar com cartão.

Durante alguns segundos esta opção, a menos racional economicamente, foi a que ganhou mais força. Ter de abandonar o processo de compra quando estava praticamente concluído, sair da loja, dirigir-me a um ATM – sem saber se seria possível levantar dinheiro – e voltar a entrar na loja sem saber se o cesto de compras se manteria como o deixei, pareceu-me ser um processo demasiado dispendioso em termos de esforço. Gastar mais 10€ em compras começou a parecer-me razoável até porque seriam artigos que, não sendo necessários no imediato, acabariam por o ser no futuro. Outras racionalizações foram sendo construídas para justificar esta decisão até o meu cérebro me chamar à razão com uma simples palavra: ancoragem!

Rapidamente me recordei de princípios básicos de comportamento do consumidor e de uma discussão iniciado no Facebook pelo Armando Alves precisamente sobre este tema, e que serve em grande parte de inspiração para este texto.

Haverá certamente alguma razão ao nível da gestão para o valor base para aceitar pagamentos via cartão seja 20€ (do ponto de vista académico gostaria de acreditar que esse valor tenha sido fixado após cuidada análise do histórico de transacções dos clientes, tendo sido considerado como aquele que traria maior retorno ao Pingo Doce sem criar demasiado atrito aos clientes). Mas um dos efeitos principais deste valor é o de criar uma referência para o gasto dos clientes: 20€ vai sendo elevado a valor “normal” de compras numa ida ao supermercado. E é esse o valor que é colocado em destaque na mente do consumidor enquanto está na loja, de forma a que lhe pareça razoável adquirir produtos que não programou comprar de forma a atingir o tal valor que lhe permite o conforto de pagar através de cartão.

Esta é apenas a visão mais maquiavélica da decisão: criar um valor âncora que permita aumentar os gastos dos clientes. Mas há uma outra – retirando da equação questões de pagamentos de taxas – que poderia e deveria ter sido usada na comunicação da decisão por parte do Pingo Doce: os clientes que pagam em numerário tendem a gastar menos. Um dos motivos para isso é o fenómeno designado de “dor de comprar” (buying pain).

Não se trata de qualquer tipo de dor física, mas sim a sensação de desconforto resultante do dispêndio de dinheiro (nem sempre este fenómeno ocorre) que se torna mais “real” quando o pagamento é feito em numerário, ocorrendo uma transacção física, do que quando é feita através de cartão onde não é possível no imediato ao consumidor visualizar a “perda”, voluntária, de dinheiro.

O Pingo Doce poderia ter aproveitado o contexto de crise em que o país se encontra, para lançar esta medida como um estímulo à poupança dos portugueses. Não é certo que essa mesma comunicação não fosse encarada negativamente e apenas como sendo propaganda da empresa, mas seria uma forma de interessante de apresentar a decisão, não a remetendo apenas para questões fiscais, o que levantou algumas questões negativas para a decisão da marca.

Questões de comunicação à parte, seria interessante saber qual o impacto que esta iniciativa do Pingo Doce teve sobre o comportamento dos consumidores. Embora se tenha falado na altura do quão negativo poderia ser o impacto da mesma, com os consumidores a optarem por cadeias de supermercado que lhes facilitem a vida, i.e., permitam pagamento por cartão para qualquer quantia, é bem possível que o gasto por cliente em idas às lojas para despesas mais pequenas tenha aumentado.

Hyundai Santa Fe Excita as Mulheres Holandesas

A utilização de imagens de conotação sexual com o intuito de vender automóveis não é um artifício novo da indústria publicitária. Mas este anúncio holandês da Hyundai consegue rivalizar – para não dizer que ganha aos pontos – com o mais erótico anúncio da Axe.

Conteúdo sobre o Meio: Foquem-se nas Pessoas e não na Tecnologia

O foco deve ser colocado nas pessoas e não na tecnologia!

É esta a mensagem que o Facebook quer passar para os marketers. É esta a mensagem que muitos não querem perceber. A tecnologia é apenas o meio que nos permite fazer chegar a mensagem às pessoas. Não é o ponto central da relação, nem sequer o mais importante. O conteúdo e a dinâmica estabelecida são mais relevantes do que a forma e o canal. Quem o diz é Paul Adams, que ficou conhecido pelo seu trabalho “The Real Life Social Network”, que mencionei neste post, que inspirou algumas das mais inovadoras características do Google+, e que o Facebook tratou de “importar” quando foi “pescar” Adams à Google.

O Impacto das Redes Sociais na Actividade Física das Crianças

Não é novidade nenhuma que a pressão exercida pelos nossos pares tem uma grande influência nas decisões que tomámos, sobretudo em períodos do nosso desenvolvimento em que ainda estamos a formar a nossa identidade e a necessidade de pertença tem um maior apelo. Os gostos e práticas das nossas redes sociais (termo aqui usado no seu sentido original e não como descrição generalizada de plataformas digitais) moldam os nossos gostos e as nossas práticas, desde as marcas que gostamos, à música que ouvimos, ou a práticas diárias como é o caso do consumo de tabaco.

Normalmente vilipendiada pelos efeitos nocivos que pode ter – deste o referido tabagismo até à prática de condutas anti-sociais – a pressão dos pares pode também ser usada para incutir comportamentos mais positivos, ou socialmente mais aceitáveis, como é o caso de aumentar os níveis de exercício entre crianças. Pelo menos é o que aponta um estudo realizado por investigadores da Vanderbilt School of Medicine, onde um grupo de crianças foi avaliada durante um período de 12 semanas. O estudo demonstrou que o factor que mais influenciava o tempo que uma criança passava a realizar actividades físicas era o nível de actividade dos seus 6 amigos mais próximos. Ou seja, quanto mais activa a rede social, mais activa a criança (é importante compreender que cada criança é influenciada pelos seus pares, mas também é influenciadora dos mesmos, devendo a rede social ser compreendida como um todo que se auto-influencia).

At the start of the program, none of the children knew one another well, so the researchers were able to track how the youngsters made and dropped friends and what effect these changing relationships had on their physical activity level.

Turned out, it was a big one: during the time the children spent in the program, the strongest factor influencing how much time they spent engaged in moderate to vigorous physical activity was the activity level of their four to six closest friends. In fact, children changed their exercise level about 10% to better match those in their circle; children who hung out with more active students were more likely to increase their physical activity levels, while those who befriended more sedentary children became less active.

O impacto das redes sociais ao nível da saúde de um indivíduo é um tema cada vez mais estudado. Já aqui referi os estudos realizados por Nicholas Christakis e James Fowler ao nível da obesidade e como a mesma pode ser contagiosa dentro de uma comunidade.

Este estudo da Vanderbilt, comparando com os estudos de Christakis e Fowler, tem a vantagem de ter estudado in loco o desenvolvimento das redes sociais não se baseando em “artefactos” antropológicos – não que estes não tenham o seu valor, antes pelo contrário. Fica no entanto a dúvida, uma vez que não se trata de um desenho experimental, se são as redes sociais que influenciaram as crianças a adoptar uma postura mais activa, ou se foi o nível de actividade pré-estudo que levou à formação dessas redes sociais, isto é, as crianças mais activas “procuraram” outros que se assemelhassem a elas.

Via: Time

Imagem: À moi! À moi! by Philiphoto