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O Efeito da Desejabilidade Social nas Sondagens Eleitorais Norte-Americanas

In Estudos de Mercado, Psicologia Social on Outubro 13, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: , , , ,

Quanto mais perto estamos do dia 4 de Novembro mais ‘azul’ se vão tornando os gráficos de previsão dos resultados das eleições norte-americanas, como se podem constatar no Pollster. Depois da aproximação de McCain por altura dos congressos dos dois partidos, Obama parece ter tomado a dianteira e cada vez mais o democrata é o favorito para suceder a Bush. Se tal se deve às prestações nos debates ou ao actual clima económico é algo que irei deixar de parte neste post. Aquilo que me questiono é sobre a ‘certeza’ com que se pode confiar nos resultados das sondagens.

Não me vou questionar sobre questões metodológicas ou sobre as margens de erro das sondagens, mas sim no facto de elas poderem estar ou não a ‘enganar’ quem as realiza e quem as analisa. E a principal responsável por tal ‘engano’ dá pelo nome de desejabilidade social, ou seja, a tendência que as pessoas têm para dizerem ou fazerem não aquilo que realmente querem ou pensam querer, mas sim aquilo que acho que os outros esperam que faça! Basicamente é aquilo que leva as pessoas a responderem aquilo que ‘fica bem’ numa sondagem e não a indicarem aquilo que realmente pensam. E isto é algo que pode vir a prejudicar Obama no escrutínio real!

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As Eleições Americanas em Palavras

In Política on Setembro 9, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: , , ,

Os discursos de Barack Obama e John McCain nas convenções dos respectivos partidos podem não ser os discursos mais importantes de todo o processo eleitoral; mas são discursos fundamentais para perceber as motivações e antever aquilo que os meses finais da campanha reservam em termos de combate político.

Usando o Wordle, resolvi criar uma nuvem de palavras com os discursos de ambos os candidatos de forma a realçar os tópicos mais focados por cada um.

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O Buzz em Torno de Sarah Palin

In Blogs, Política, Social Media on Setembro 4, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: , , ,

A escolha de John McCain para vice-presidente dos E.U.A. não poderia ser mais surpreendente: Sarah Palin, governadora do Alaska e até ao anúncio da sua escolha uma virtual desconhecida da maioria do eleitorado norte-americano. A escolha de Palin tem, do ponto do vista política, vários pontos de análise que ainda tentarei abordar neste blog, mas hoje quero centrar-me num ponto em particular: o buzz!

O anúncio de Palin tomou de surpresa os americanos e, convenientemente, centrou as atenções do eleitorados e dos media no partido Republicano durante a convenção Democrata em que Obama teve um discurso de grande qualidade. A escolha de Palin não teve o buzz que se gerou como objectivo único, ou principal, mas a escolha da data do anúncio foi claramente estudada para obtenção de um maior impacto mediático. De seguida apresento gráficos que atestam o impacto de Palin na blogosfera.

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Spin de McCain Pode Afastar Independentes

In Persuasão, Política, Psicologia Social on Junho 5, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: , , , , , ,

Não é só em Portugal que os políticos cometem gaffes em termos de comunicação. Na luta pelas presidenciais norte-americanas John McCain realizou uma manobra de spin que lhe poderá custar caro em termos de apelo aos eleitores independentes. No final de 2007, o Senador Republicano criticou a administração Bush por ter realizado ilegalmente escutas telefónicas a cidadãos norte-americanos; uma postura que lhe granjeou elogios por parte de democratas e independentes.

No entanto, mais recentemente após ter sido veiculado que McCain queria que tanto a administração como as companhias telefónicas fossem ouvidas, um porta-voz da sua candidatura veio afirmar que o Senador não deseja que tal aconteça. Mais importante foi este segmento da comunicação:

We do not know what lies ahead in our nation’s fight against radical Islamic extremists, but John McCain will do everything he can to protect Americans from such threats, including asking the telecoms for appropriate assistance to collect intelligence against foreign threats to the United States as authorized by Article II of the Constitution.

A frase é de tal forma forte e passível de interpretação que a Wired resolveu titular o seu artigo acerca do tema desta forma:

McCain: I’d Spy on Americans Secretly, Too

A verdade é que, analisando à luz da política norte-americana, aquilo que McCain fez foi retratar-se junto do eleitorado republicano a quem a sua “cedência” aos pedidos democratas pareceria um sinal de fraqueza num tópico onde leva alguma vantagem sobre Obama: a segurança nacional! A forma como o comunicado foi redigido enfatiza essa aproximação com uso de expressões com “radical Islamic extremists” e “will do anything he can to protect Americans”.

O problema é que grande parte desta eleições será decidida pelos independentes e essas mesmas palavras não são normalmente muito apreciadas por este segmento do eleitorado. Em primeiro lugar, teria sido mais prudente não utilizar conotações religiosas atacando o Islão. Uma abordagem mais capaz de agradar a republicanos, independentes e mesmo democratas seria a ter-se referido a terroristas, embora mantendo os adjectivos “radicals” e “extremists” que servem para enfatizar o perigo.

Por outro lado, ao invés de referir-se ao artigo II da Constituição, que por mais bonito que soe duvido que a grande maioria dos eleitores saiba que existe, deveria ter-se limitado a afirmar que faria tudo o que fosse possível para proteger os norte-americanos respeitado a Lei. Os artigos constitucionais são vagos e estão “longe” do povo, agora a Lei não! A Lei é omnipresente e deve ser respeitada por todos, mesmo o Presidente dos EUA. E a verdade é que não estaria a faltar a verdade se posteriormente usasse escutas ilegais, porque tal está previsto na lei.

Agora que as primárias Democratas chegaram ao fim, a corrida à Casa Branca vai de facto começar. Como tal, a “guerra” de palavras entre Obama e McCain passará a ser o foco. A cobertura que será dada pelos media desempenhará um papel fundamental. Basta atentar no título que a Wired usou, colocando um comunicado em discurso directo, atribuindo-lhe uma dimensão mais pessoal, e utilizando a palavra “espiar” que tem conotações mais fortes e negativas do que “escutar” ou “vigiar”.