
In Psicologia Social on Novembro 12, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: Privação Relativa, Psicologia Social
A adopção crescente por parte do governo chinês de uma postura mais capitalista tem significado não só um maior protagonismo da China no panorama mundial, mas também um aumento significativo no nível de qualidade de vida dos chineses. Entre 1990 e 2000 o nível médio de qualidade de vida entre os moradores da zona rural da China aumentou 3 vezes; já nas zonas urbanos esse aumento foi de 4 vezes. Em termos objectivos, não existem dúvidas de que existiu um aumento significativo em termos económicos e sociais na qualidade de vida dos chineses.
No entanto, nessa mesma década a percentagem de chineses que se declararam como estando muito satisfeitos baixou de 28% para 12%. Em termos da satisfação com a vida, numa escala de 0 a 10, o nível médio de satisfação em 1990 era de 7.3 e em 2000 baixou para 6.5. Ou seja, apesar de objectivamente estarem melhor, os chineses sentiam-se menos satisfeitos. A que se deveu esta diminuição da satisfação perante um aumento objectivo da qualidade de vida?
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In Psicologia Social on Novembro 10, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: Privação Relativa, Psicologia Social, Recursos Humanos
No meu último post referi que iria dar dois exemplos concretos da acção da privação relativa, e começo hoje a cumprir essa ‘promessa’. O primeiro exemplo tem tudo de actual já que se refere aos salários auferidos pelos CEO americanos e à forma como estes dispararam nos últimos 15 anos.
Em 1976, um CEO norte-americano ganhava em média 36 vezes mais do que um trabalhador comum. Essa diferença tinha aumentando em 1993 para 131 vezes. No sentido de regular a situação e de mostrar às empresas os salários obscenos que pagavam aos seus executivos, que estavam na origem de grandes desigualdades sociais e poderiam tornar-se a longo prazo insustentáveis, as autoridades dos EUA tornaram obrigatória a divulgação dos valores dos salários e dos prémios pagos aos executivos de topo por parte das empresas norte-americanas. Quinze anos depois, um CEO norte-americano ganha em média 369 vezes mais do que um trabalhador comum!
Ou seja, a publicação dos vencimentos actuou – em conjugação com outros factores – para o aumentar dos salários dos CEO e das diferenças entre aquilo que ganham os executivos de topo e o trabalhador comum!
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In Psicologia Social on Novembro 7, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: Privação Relativa, Psicologia Social
Continuando no tema da ‘irracionalidade’ que por vezes guia o comportamento humano, hoje irei explorar o sentimento de insatisfação que pessoas e grupos por vezes expressam quando do ponto de vista objectivo não existem motivos que justifiquem essa insatisfação. Podendo parecer um pouco estranho, a verdade é que os movimentos para a igualdade racial e um pedido de aumento de um jogador de futebol têm um mecanismo psicológico em comum: a privação relativa! Claro que existem outros motivos, alguns mais importantes e outros menos, que contribuem para cada uma das situações que referi, mas irei apenas centrar-me naquilo que têm em comum.
E o que é afinal a privação relativa? É um sentimento de descontentamento que surge da percepção de que estamos a ser privados de algo a que teríamos direito, sobretudo algo que percebemos que outros indivíduos ou grupos com os quais nos comparámos possuem. Esse ‘algo’ pode significar o salário ao fim do mês, a posse de bens materiais, o reconhecimento das nossas capacidades, etc… Este sentimento de privação é denominado de ‘relativo’ porque surge precisamente por comparação com a situação de indivíduos ou grupos de referência.
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