
In PR, Política on Setembro 11, 2009 por Bruno Ribeiro Tagged: eleições2009, manuela ferreira leite, Política, PR, ps, psd, relações públicas, socrates
Amanhã José Sócrates e Manuela Ferreira Leite estarão frente a frente no debate que se espera irá dissipar as dúvidas quanto ao futuro primeiro-ministro de Portugal. Se bem que Sócrates já conte com as continuadas ajudas de Ferreira Leite, o caso TVI adicionado aos da licenciatura e Freeport pode ainda ser um obstáculo a novo triunfo.
Se eu fosse um dos assessores de Sócrates aconselhava-o para durante o debate e antes de qualquer potencial ataque de Ferreira Leite assumir um compromisso com o país que lhe garantia a vitória nas eleições e deixava o PSD sem arma de arremesso: a de que, assim que fosse eleito, iria ordenar a realização de um inquérito independente sobre o cancelamento e que se restassem dúvidas no final do inquérito sobre a sua inocência que apresentaria ao Presidente da República a sua demissão! E terminava esta declaração indicando que está perfeitamente à vontade para assumir este compromisso pois tem a certeza da sua inocência!
Convém claro está, estar certo de que nada no inquérito irá apontar para o seu envolvimento na decisão da Prisa. Se Sócrates fizer algo similar, de preferência antes de qualquer ataque de Ferreira Leite, irá acabar de vez com as hipóteses do PSD. Simples e directo!

In PR, Política on Setembro 8, 2009 por Bruno Ribeiro Tagged: PR, Política, ferreira leite, psd, ps, socrates, relações públicas, be, cds, pcp, eleições2009
Ontem escrevi aqui isto:
A oposição, nomeadamente o PSD, só se for incompetente é que não tirará proveito deste erro monumental de Sócrates para vencer as eleições.
A ida de Manuela Ferreira Leite à Madeira e o facto de ter afirmado que na ilha, sob a liderança de Alberto João Jardim, não existe asfixia democrática encaixa perfeitamente na definição de incompetência!
Era óbvio que indo à Madeira algum jornalista iria colocar a questão da asfixia democrática na ilha. Se não houvesse quem a fizesse era de suspeitar. E como é óbvio Ferreira Leite tinha uma de duas saídas: ou negava a existência de asfixia democrática na ilha e perdia credibilidade nas críticas a Sócrates, ou hostilizava Alberto João Jardim. Optou, obviamente, pela primeira solução. Foi a vez do PS esboçar um sorriso.
Leia Mais »

In PR, Política on Setembro 7, 2009 por Bruno Ribeiro Tagged: Manuela Moura Guedes, Política, PR, Prisa, psicologia, relações públicas, socrates, TVI
“À mulher de César não basta ser honesta, há que parecer honesta”.
Sócrates cometeu um erro fundamental quando assinalou o Jornal Nacional da TVI como ‘alvo a abater’ por parte do PS. Ao fazê-lo criou ele mesmo o elo de ligação entre o Governo e decisão da Prisa de suspender o tempo de antena de Manuela Moura Guedes. Sócrates não só deu as munições aos seus opositores como se colocou na linha de tiro com um alvo bem grande na testa. A oposição, nomeadamente o PSD, só se for incompetente é que não tirará proveito deste erro monumental de Sócrates para vencer as eleições.
Sócrates influenciou a Prisa? Não sei e é completamente irrelevante para o resultado eleitoral: a suspeita foi lançada, muitos portugueses acham que sim e se a oposição souber trabalhar o tópico a grande maioria irá para as eleições com a dúvida no pensamento. E quem suspeitar que Sócrates censurou uma jornalista incómoda, dificilmente irá votar PS. Em política parecer é mais importante do que ser!
Foto de José Goulão

In Política, Psicologia Social on Junho 1, 2008 por Bruno Ribeiro Tagged: Comunicação, ferreira leite, Política, ps, psd, psicologia, Psicologia Social, socrates
Manuela Ferreira Leite foi ontem eleita presidente do PSD e será a candidata do partido às eleições legislativas de 2009. Terá sido aliás a ideia de se tratar da melhor opção para enfrentar Sócrates que terá feito a diferença junto dos militantes. Acontece que Ferreira Leite teve um “pequeno” descuido de linguagem que poderá muito bem minar a sua candidatura ao cargo de Primeiro Ministro.
Num encontro com jovens, Ferreira Leite afirmou que a precariedade no emprego é agora normal e que isso pode ser positivo para os jovens. Do ponto de vista racional ou filosófico este argumento é legítimo, já do ponto de vista político é um erro tremendo! “Normal” e “positivo” não são propriamente adjectivos que estejamos à espera de encontrar associados à palavra “precariedade” sobretudo quando o contexto é o emprego. As pessoas querem “segurança”, não em termos de “empregos para a vida”, mas sim segurança que lhes permita pagar as contas ao fim do mês, constituir família e tirar umas merecidas férias de quando em vez. A imagem que Ferreira Leite passou foi a de “isto é a realidade, aguentem-se à bronca”!
Acontece que os eleitores não querem que lhes recordem a realidade, nem que lhes digam que se aguentem à bronca! Querem que lhes falem de um futuro melhor, mas sem minimizar os problemas pelos quais terão de passar. Querem ter a certeza que no final de um período de crise a bonança está à sua espera! Esse não foi o discurso de Manuela Ferreira Leite e com isso pode vir a pagar caro nas eleições.
O mau uso das palavras não só irá permitir a associação de Manuela Ferreira Leite à defesa da precariedade, e de certeza que os partidos de esquerda (provavelmente não o PS) irão usar essa cartada, como retirará à candidata do PSD uma importante arma de arremesso contra Sócrates. A precariedade laboral é um dos principais problemas do país e um que mexe com a quase totalidade do eleitorado, de forma directa ou indirecta. Ao reconhecer que se trata de uma situação “normal” e até “positiva”, Ferreira Leite fica sem espaço de manobra para atacar Sócrates nessa frente, facto que o actual Primeiro Ministro não deixará de agradecer.
Manuela Ferreira Leite pode ser a pessoa mais competente do Mundo, mas não sabe falar a linguagem dos eleitores! Foi esse o seu grande problema enquanto Ministra das Finanças, e será esse o seu principal obstáculo na candidatura que irá apresentar. Os eleitores preocupam-se com os seus problemas do dia-a-dia, não com as questões macro-económicas ou como o défice público. As teorias económicas são obsoletas para quem apenas quer saber se o ordenado chegará ao fim do mês, ou se quando se reformar terá de arranjar um part-time para sobreviver. Os políticos portugueses ainda não perceberam que falam uma língua diferente da dos cidadãos que os elegem. Aqui sim era preciso um acordo ortográfico!