Reservar Hotel Através do Instagram

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Quantas vezes já não nos apeteceu entrar num avião e viajar para umas férias únicas, tentados por imagens vistas numa qualquer rede social? Como este é um desejo que acaba por ser experienciado pela maioria dos utilizadores destas redes, a cadeia de hotéis Conrad resolveu aproveitar o momento e facilitar a reserva de um quarto de hotel em algumas das suas principais unidades através das fotos que publica no Instagram.

O formato é simples e eficaz: quando um utilizador encontra uma foto que lhe abre o apetite para viajar, basta clicar na mesma para ser enviado para a página desse hotel, pronto para ser feita a reserva. O potencial da iniciativa é ainda mais amplo, uma vez que a partilha das fotos por parte de utilizadores da plataforma permite fazer chegar a mesma a uma audiência mais vasta.

Ainda não há dados ou certezas da capacidade desta iniciativa, mas o seu princípio base é de realçar: ao invés de inventar algo totalmente novo e tentar impô-lo aos utilizadores, a cadeia de hotéis limitou-se a adaptar a forma de vender ao comportamento dos utilizadores.

A que Cheira uma Universidade? Marketing Sensorial no Ensino Superior

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Qual é o cheiro da Universidade do Porto? E da de Coimbra? Será que a Católica de Lisboa tem uma fragrância diferente da Católica do Porto?

Estas perguntas podem parecer descabidas, mas nos EUA começam a fazer sentido com as universidades norte-americanas a desenvolverem fragrâncias próprias de forma a distinguirem-se junto dos potenciais alunos e doadores. A univerisdade do Alabama usa na sua fragrância aromas de maçã e toranja, enquanto que na Florida domina os citrinos e aromas florais.

Estes aromas estão a ser vendidos em objectos do dia-a-dia como perfumes, ambientadores, gel de banho ou batons. Mas a longo prazo certamente estarão presentes em todos os momentos de contacto que as universidades estabelecerem com os seus público-alvos, seja um evento formal, numa simples brochura a anunciar os novos cursos ou nas cartas a pedir donativos aos ex-alunos.

Aquilo que para muitos pode parecer uma extravagância, não é mais do que a demonstração de que as universidades norte-americanas estão atentas às tendências de marketing e começam a adoptar estratégias de marketing sensorial nas suas iniciativas. Está demonstrado que quanto maior é o envolvimento sensorial (positivo) de um consumidor com uma marca, maior é a sua propensão para consumir a mesma.

Neste caso específico, recorre-se ao olfacto como factor diferenciador, uma escolha que, do meu ponto de vista, se foca no futuro e não especificamente no presente. Embora certamente que a gama de produtos desenvolvida para venda directa irá ter sucesso, até porque o grau de filiação com a alma mater é sempre exacerbada – sobretudo nos EUA com a cultura de competição desportiva e não só existente – esta estratégia, e a escolha específica do olfacto, dá-me a entender que o verdadeiro objectivo está um pouco mais à frente no tempo.

O olfacto está intimamente ligado à formação de memórias, daí que seja frequente vermos aromas que associamos à infância e família usados por marcas, e ao formar-se uma associação positiva entre a universidade e um determinado aroma actualmente, essa mesma associação poderá ser desencadeada futuramente pela presença da fragrância. E a activação dos sentimentos positivos do tempo passado na universidade é fundamental para o modelo de negócio deste segmento nos EUA que está em grande parte dependente dos contributos financeiros de ex-alunos.

Velho É Melhor: Efeito da Nostalgia em Rótulos de Cerveja

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Barney Stinson (personagem de “How I Met Your Mother” protagonizada por Neil Patrick Harris) tinha uma (entre outras) regra de ouro: “New is always better”!

Acontece que em termos de consumo, esta é uma regra que não se aplica de forma igual a todas as categorias de produtos e a todos os consumidores. Embora uma grande percentagem da comunicação de produto seja focada em novos lançamentos, novas características ou novas aplicações, existe uma forte capacidade de mobilização na nostalgia, no regresso às origens, sejam elas reais ou simbólicas.

Um dos segmentos onde esta capacidade de influenciar consumidores através do regresso ao passado é o das bebidas, nomeadamente nas cervejas. É normal as marcas de cerveja lançarem novas ofertas que recuperam velhas receitas, algumas das quais supostamente perdidas em arquivos escondidos em catacumbas – vide casos da Bohemia e Abadia.

Uma outra forma de estimular o impacto da nostalgia é através do recuperar de símbolos do passado, seja o formato de uma garrafa ou de um rótulo. Um exemplo prático disto ocorreu o ano passado nos Estados Unidos com a cerveja Miller Lite que recuperou para uma edição especial o logo usado pela marca nos anos ’80 e ’90, numa campanha associada ao filme “Anchorman 2″ e que registou um aumento nas vendas da marca.

Mais interessante do que o próprio aumento das vendas – não que tal não seja importante – foi o facto de em vários testes de mercado os clientes da marca atribuírem maior qualidade e melhor sabor à cerveja proveniente das garrafas ou latas com o rótulo antigo. Obviamente que o sabor da cerveja não foi afectado pelo rótulo, mas a experiência dos consumidores foi alterada para um espectro mais positivo, o que os levou a descrever o sabor como melhor.

Obviamente que esta é uma estratégia de curto-médio prazo, uma vez que, assim que os consumidores se habituarem ao “novo” logo, o efeito de nostalgia dissipar-se-à. No entanto, não deixa de ser uma boa forma de recuperar uma marca ou injectar-lhe nova vitalidade.

Suar Calorias para Comprar Roupa

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Para incentivar os chilenos a fazer mais exercício a empresa de lacticínios Colun criou um pop-up store de artigos desportivos que apenas aceitava um tipo de pagamento: em calorias! Para conseguir adquirir um dos produtos expostos na loja, os interessados tinham primeiro que subir para um dos aparelhos aí colocados e suar para perder calorias suficientes para levar o artigo para casa.

5 Artigos para Ler em 10 Minutos #11

As melhores leituras da passada semana para reflectir:

How Data Inspired Tourism Australia to Market Its Food and Wine (Skift) – um exemplo prático de como colocar insights ao serviço da estratégia de promoção ao nível do turismo

THIS LINGERIE COMPANY A/B TESTS THE WORLD’S HOTTEST WOMEN TO SEE WHO MAKES YOU CLICK “BUY” (Fast Company) – um olhar aos bastidores da empresa de lingerie Adore Me e a forma como optimizam a promoção dos seus produtos, chegando ao detalhe de analisar como a posição das mãos das modelos afecta o desempenho de uma imagem

The Ice-Bucket Racket (NY Times) – uma análise ao sucesso do ice-bucket challenge do ponto de vista psico-sociológico e o porquê de não ser fácil, ou mesmo adequado, tentar imitar a fórmula

Steven Pinker: ‘Twitter can hone your skills as a writer’ (The Guardian) – uma pequena mas interessante entrevista a Steven Pinker sobre o impacto da tecnologia nas capacidades cognitivas do ser humano

Content Strategy for the Customer Journey: Marketing that Makes Business Sense (Conversation Agent) – Valeria Maltoni com mais uma das suas análises essenciais de ler, desta feita sobre a adequação da estratégia de content marketing à concretização dos objectivos de negócio

5 Artigos para ler em 10 Minutos #9

A dose semanal de artigos curtos que dão que pensar.

Facebook Has Finally Killed Organic Reach. What Should Marketers Do Next? (Nate Elliott’s Blog) – a notícia de que o Facebook irá reduzir a distribuição orgânica de posts promocionais, leva a uma nova discussão por parte da Forrester sobre como devem os profissionais reagir perante esta situação.

Exclusive: Amazon to Get Into Hotel Booking With Launch of Travel Site (Skift) – depois do gigante chinês AliBaba, é a vez da Amazon começar a olhar para o turismo como potencial extensão da sua presença online

How Retailers Can Make the World More Shoppable (PSFK) – desde a possibilidade de comprar um produto via Twitter ou uma aplicação de realidade aumentada, o Mundo – tanto o digital como o analógico – está cada vez mais comercial

Airbnb Introducing Print Magazine, Pineapple (NY TImes) – no sentido de se tornar mais relevante e aumentar a sua notoriedade, a Airbnb aposta agora também numa política de conteúdos impressa

The Fall of Facebook (Alexis Madrigal) – o que será o futuro do Facebook e das plataformas de redes sociais? Alexis Madrigal aposta que o que aí virá, não tem necessariamente de partir do trabalho da equipa de Zuckerberg… nem tem de retirar todo o protagonismo ao Facebook.

5 Artigos para Ler em 10 Minutos #8

Depois de um hiato, regressa a minha listagem dos 5 artigos mais interessantes que li durante a passada semana:

GOP Provided Social Analytics to Key Senate Campaigns (AdAge) – uma análise à forma como o partido Republicano recorreu à análise de conteúdos nas redes sociais na sua estratégia eleitoral deste ano

Shell Upgrade Lets Soccer Players’ Movements Power Field Floodlights (PSFK) – uma iniciativa interessante da Shell no Brasil com um sistema de iluminação de campos de futebol alimentado pelos movimentos dos jogadores no terreno

Majority of Digital Travel Researchers Will Be Mobile by Next Year (eMarketer) – a pesquisa de opções de viagens está a tornar-se móvel, de acordo com os dados, pelo menos de acordo com as estimativas da eMarketer

Tiffany Built a Luxury Subway Car, and It’s a Whole Lot Nicer Than the 6 Train (AdWeek) – uma acção interessante da Tiffany criando a sua própria carruagem de metro para exibir a sua nova coleção

Tablet-Based In-Flight Entertainment May Be the Game-Changing Trend Few Are Noticing (PSFK) – serão os tablets a solução para os problemas de entretenimento a bordo que as companhias aéreas enfrentam? A hipótese é interessante, mas a inércia e os constrangimentos causados por anos a pensar dentro de um mesmo paradigma serão adversários difíceis de combater.