Social Media na Política

O Paulo Querido levantou, e logo por duas vezes, a questão do uso dos social media por parte de políticos. Primeiro num post acerca da presença na web, ou falta dela, do candidato à presidência do PSD Pedro Passos Coelho, e num outro acerca das primárias democratas nos EUA e às diferenças de estilo comunicacional entre Barack Obama e Hillary Clinton no Twitter. Neste segundo post deixei um comentário com a seguinte frase:

O uso dos social media é importante, mas ainda não tão fundamental quanto isso.

O Paulo respondeu, e bem, que também não os considera fundamentas mas que se tratam de ferramentas cada vez mais importantes na relação entre políticos e eleitores, sobretudo entre as franjas mais jovens. Os exemplos que o Paulo dá relativamente a Passos Coelho são evidência da falta de “cultura” web que grassa nas esferas políticas nacionais.

Embora o meu comentário possa dar outra ideia, concordo em pleno com a opinião do Paulo; penso no entanto é que a importância que é atribuída aos social media em termos políticos tem vindo a ser sobrevalorizada! E não só por quem os usa de forma regular, mas também pelos media tradicionais que no início das primárias norte-americanas publicaram inúmeras peças em que dissecavam ao pormenor o uso destas ferramentas pelos vários candidatos.

Quando digo que esta importância tem sido sobrevalorizada, não me refiro às ferramentas em si mas sim ao impacto eleitoral do seu público-alvo. Atendendo mais pormenorizadamente no caso dos EUA, a verdade é que os social media são usados sobretudo por jovens, embora nos últimos tempos a franja etária entre os 30 e os 45 anos tenha começado a adoptar estes serviços com maior frequência. É um facto que este público é aquele que se encontra menos ligado às questões políticas resultando numa menor ida às urnas.

Nas últimas eleições norte-americanas, em 2004, cerca de 52% dos jovens com menos de 24 anos não estavam registados para votar. Em contraste, no caso dos cidadãos com mais de 45 anos o registo anda em torno dos 74%. Embora não tenha dados, não duvido que em Portugal a situação seja similar tem ainda de se acrescentar uma menor penetração do acesso à Internet e do uso dos social media.

Não quero com isto dizer que os políticos não devem usar os social media. Pelo contrário! Devem usá-los cada vez mais e não só quando se encontram envolvidos em alguma campanha. Os social media deviam ser uma ferramenta diária na política. Considero é que os analistas (no caso concreto não me refiro ao Paulo) devem ter mais cuidado com as projecções políticas que fazem com base no que se passa nos social media, porque este é um meio de grande influência, mas que ainda não atinge a totalidade da população.

O mesmo se aplica a qualquer empresa seja qual for a sua área de negócio: é importante estarem presentes, participarem e tornarem-se parte da comunidade, mas tendo em conta que este é apenas mais um meio e não o Santo Graal da comunicação!

2 thoughts on “Social Media na Política

  1. Paulo Querido

    Bruno, de acordo: embora não seja apenas “mais um meio”, é mais um meio. Ou seja, não pode ser visto como um meio de comunicação semelhante aos que pré-existiam, apresenta diferenças paradigmáticas — começando pelo facto de a intermediação ser feita quase apenas por tecnologia, quase nada por humanos. E também porque sendo de massas, leva ao delírio a lógica de um para um que pouco mais do que se idealiza no marketing político para os outros meios.
    Colocadas em perspectiva as diferenças, conscientes delas, deve então um político (ou uma empresa/organismo/indivíduo) tornar-se parte da Grande Conversa, sob pena de perder contacto, diálogo, presença, junto de uma parte do seu eleitorado/alvo que já é significativa e a tendência é para o ser cada vez mais.

    Há outros pontos que recomendam que determinadas actividades — e a política é sem dúvida uma delas — adoptem os media sociais numa fase de crescimento, isto é, antes de eles se tornarem no maior denominador comum. Mas isso é consultoria😉

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  2. Bruno Ribeiro Post author

    Nem mais Paulo. Sobretudo na parte da consultoria🙂

    Acho que neste momento, mais do que o desconhecimento ou desvalorização, aquilo que mantém políticos/empresas longe dos social media é nada mais do que medo (talvez receio seja uma palavra mais ajustada). Medo de se expor aos comentários de eleitores/consumidores, medo de terem as suas marcas (pessoais ou empresariais) vulneráveis ao “povo”, medo que os seus blogs/perfis não tenham visitas ou comentários.

    Apesar de ser um estado passivo-negativo, considero isto uma evolução, um pouco ao que se passou em outras paragens onde ao medo sucedeu à aceitação e a participação.

    Responder

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