Par ou Ímpar: O Problema das Escalas nos Questionários e Sondagens

Ao ler este post de Pedro Magalhães em reposta a um outro de Eduardo Pitta, voltei a recordar-me de uma discussão acerca do número de pontos que uma escala de respostas deve ter. A dúvida centra-se essencialmente na escolha entre um número de pontos par ou a opção pela solução ímpar. Existem argumentos a favor de qualquer escolha, embora pessoalmente pense que um número de pontos ímpar é o ideal.

A escolha de um número par, ocorre normalmente pelo facto de se querer obter uma resposta concreta por parte dos inquiridos. Aquilo que se faz é retirar uma opção neutra de forma a “forçar” os sujeitos a optarem por um dos campos de resposta: negativo ou positivo, ou outra dicotomia que esteja a ser usada. Na minha opinião isto causa uma clara anomalia já que é perfeitamente possível que uma pessoa tenha uma opinião neutra ou que nem sequer tenha uma opinião formada sobre o assunto em questão. Face à ausência de uma opção de não comprometimento muitas pessoas formam a sua opinião na hora, o que não é o que se pretende, ou então optam por não responder, o que também não é desejável. Embora tal seja muitas vezes desvalorizado, sobretudo em termos de decisões de marketing, a ausência de um opinião ou tomada de decisão sobre um dado assunto é tão ou mais valioso do que uma tendência clara de resposta.

A escolha de um número de pontos ímpar para uma escala ataca de certa forma este problema, mas é preciso ter em conta que esta solução apresenta também algumas falhas. Desde logo, nem sempre é possível apresentar representações semânticas (que têm melhores resultados comparativamente à apresentação de apenas valores numéricos em muitos casos) para a solução neutra, ou encontrar antónimos exactos para os pontos opostos de uma escala. Ainda assim, esta solução apresenta mais vantagens e deve, em minha opinião, ser preferida relativamente à escolha de opções par.

Já agora, penso que as melhores opções são escalas com 5 ou 7 pontos de resposta (a escolha de uma ou outra solução depende da complexidade do tópico em questão e das preferências de quem formula o questionário) já que permitem uma boa distinção entre opiniões sem no entanto apresentarem um número irreal e excessivo de opções capazes de perturbar, distrair ou inibir as escolhas dos inquiridos.

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