Têm as Empresas Portuguesas Medo dos Social Media?

Ontem resolvi fazer uma experiência no Twitter recorrendo a uma útil ferramenta que dá pelo nome de StrawPoll, que nos permite fazer curtas sondagens aos membros desta micro-social network (na minha opinião o Twitter é mais uma social network do que propriamente uma ferramenta de blogging). A questão que coloquei foi exactamente (mais palavra menos palavra) a que dá título a este post. A iniciativa não foi propriamente um sucesso porque só obteve 3 respostas, mas serviu para experimentar o serviço e para recolher três testemunhos de qualidade.

Naquilo que não foi, pelo menos para mim, uma surpresa as respostas convergiram para o “Sim”. Essa é também a minha opinião. Acho que as empresas portuguesas têm medo dos social media. Basta recordar o recente número da Meios & Publicidade que “ensinava” às empresas como se defenderem dos blogs, esses vilões! Já mais interessantes foram os motivos apontados nas 3 respostas, motivos diferentes mas que contribuem para o estado actual da blogosfera corporativa nacional – praticamente inexistente!

O Rui Costa considera que o desinteresse e a desinformação são também factores importantes para o alheamento que se verifica. Embora pense que estes dois problemas (porque é isso que considero serem) têm vindo a ser minimizados ultimamente, concordo que continuam a inibir a entrada das empresas nacionais nas várias plataformas dos social media. O Paulo Querido e o Miguel Caetano têm opiniões que a meu ver são complementares: o Paulo acha que o medo advém do facto das empresas estarem habituadas a ter um intermediário nas suas relações a comunicação, enquanto o Miguel pensa que o problema está no facto de não saberem (as empresas) em quem confiar. É precisamente a falta de um elo de ligação que leva a um sentimento de desconfiança das empresas, já que não têm um figura em que se apoiar ou em quem delegar responsabilidades.

Concordando com os pontos acima focados, quero acrescentar 3 aspectos que contribuem para este aparente medo que impede as empresas portuguesas de participarem mais activamente nos social media:

  1. Medo da exposição – em Portugal não existem uma cultura de transparência, quer seja em termos sociais, políticas ou, o que interessa para o caso, empresariais. Ao mergulhar de cabeça neste novo mundo (que de novo já nada tem) as empresas têm medo de se exporem, de perderem parte da sua vantagem competitiva face aos concorrentes, e de darem a conhecer a sua realidade aos consumidores que é bem menos apelativa do que as campanhas de marketing e publicidade fazem parecer.
  2. Medo de ser ignorados – pode parecer um pouco estranho, mas penso que muitas empresas têm medo de participar neste meios e passarem completamente despercebidos. Não participar é algo com que podem viver, mas agora entrar no jogo apenas para descobrirem que os clientes não lêem os seus blogs, subscrevem os seus podcasts ou que não querem pertencer ao seu grupo de amigos no Hi5 é algo com que a maior parte dos executivos tem receio.
  3. Medo de conhecerem realmente os seus clientes – todos os marketeers dizem querer conhecer a fundo os seus actuais e potenciais clientes, perceber o que os move, os seus anseios, aquilo que os preocupa; afinal é para isso que servem os estudos de mercado. Puro engano! Aquilo que querem é saber como podem encaixar os seus produtos ou serviços na vida dos consumidores, não perceber as motivações destes (existem excepções, como é óbvio). Na realidade, acho que a maioria tem receio de espreitar aprofundadamente para os seus clientes. Acho que têm medo de descobrir que os seus produtos tão queridos não passam de fait-divers para os consumidores, ou de que na realidade estes só os aturam por falta de alternativas. No fundo, os marketeers têm medo de descobrir que tudo aquilo que pensam e idealizam sobres os seus clientes está profundamente errado!

Na minha opinião são estes os “medos” que impedem uma participação mais activa das empresas nacionais nos social media. Acho que muita gente ainda não percebeu que os riscos que podem correr são largamente ultrapassados pelos benefícios que podem colher, desde que usem uma boa estratégia e cumpras as regras do jogo.

Quem quiser acrescentar a sua opinião tem, como sempre, a caixa de comentários disponível podendo ainda responder à minha pequena sondagem, desde que tenha um conta no Twitter.

7 thoughts on “Têm as Empresas Portuguesas Medo dos Social Media?

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  2. Carlos José Teixeira

    Bom… estou completamente de acordo com as respostas acima mas creio que existem mais alguna parágrafos a juntar-lhes.
    Uma das causas mais importantes é a ignorância, pura e simples, acerca da blogoesfera. O que é, como é, para que serve, como se faz, são peguntas a mais para gestores que, na maioria das vezes, vêem a actividade como uma perda de tempo. Devo dizer-te, por experiência própria, que falar de SEO, SMO, e quejandos numa reunião é malhar em ferro frio…
    A realidade empresarial portuguesa, no respeitante à utilização da Internet em geral e da blogoesfera em particular, é da mais completa iliteracia. E o pior é que não sabem, não querem saber, e têm raiva a quem sabe, como se costuma dizer. As coisas relativas à comunicação estão entregues aos bichos, na maior parte dos casos, daí que apareça um sem número de habilidosos a tratar dela.
    Bom… concluindo, sim, as empresas têm medo dos media sociais, especialmente por causa da não observação de determinados parâmetros que considerao essenciais.
    Aconselho vivamente a leitura de um pequeno documento que a Cision publicou, “Staying Afloat in a Sea of Social Media – an intelligent approach to managing and monitoring social media” [que te (vos) posso enviar por e-mail, se estiveres interessado], disponível em http://us.cision.com/, sujeito a inscrição no site. Entratanto, estou a traduzí-lo “por episódios”, um por dia, e a guardar as coisas em http://www.comunicacaoempresarial.com/seccao/series/media-social-cision/, ao ritmo de um capítulo por dia. Deverei publicar o último artigo lá para quinta-feira da semana que vem. Existem outros, a abordar outras vertentes, que também trabalharei… a seu tempo.
    Creio que a divulgação deste documento, pequeno e simples, pelo tecido empresarial português, poderia auxiliar a desmistificar algumas coisas…
    Bom, o contacto vai acima, e o comentário já vai longo🙂
    Abraço,
    CJT

    Responder
  3. Bruno Ribeiro Post author

    Eu reparei Paulo e agradeço.

    De facto contava com mais participação tendo em conta o tema. Mas vou continuar a tentar, porque me parece uma ferramenta bastante útil.

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  4. Pingback: O Twitter como Ferramenta de Estudos de Mercado « Dissonância Cognitiva

  5. Rui

    A ferramenta é muitíssimo interessante. É só uma questão de habituação e quem sabe, alguma conjugação de esforços.
    Abraço.

    Responder
  6. O Autor

    “Têm as Empresas Portuguesas Medo dos Social Media?”

    Acho que as empresas portuguesas nem sabem o que significa social media!

    Responder

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