Feira do Livro: Uma Marca em Queda

Sou um bibliófilo! Admito-o sem qualquer vergonha e, tenho que dizê-lo, com orgulho. Nas livrarias e bibliotecas sinto-me em casa. Adoro percorrer as várias secções em busca de um qualquer livro que pretendo adquirir, à descoberta de um tesouro, ou apenas a contemplar as lombadas de todos os exemplares expostos. Adoro ler (faço-o com regularidade e sem dificuldades desde os 4 anos) e se há produto em que gasto o meu dinheiro sem remorsos são os livros. Sejam livros de fantasia, romances históricos, de divulgação científica ou meramente técnicos (cada vez mais estes), o que eu gosto mesmo é de ler.

É por isso natural que a Feira do Livro, no caso a do Porto, sempre tenha feito parte da minha vida. Todos os anos reservo pelo menos uma tarde para ir ao Palácio de Cristal ver o certame. Confesso que cada vez o faço mais por obrigação moral do que propriamente por gosto. A abertura de cada vez mais livrarias de grandes dimensões e a possibilidade de efectuar compras online tiraram à Feira do Livro um pouco da sua magia.

Já não é um local de acesso a obras difíceis de encontrar no dia-a-dia. É apenas um conjunto de “barraquitas” que se limitam a expor os tops de qualquer livraria. Para isso dirijo-me a qualquer FNAC, Bertrand ou Almedina onde tenho muito mais conforto e maior leque de opções. A Feira do Livro como marca está em decadência, o que é pena num país onde a leitura não é uma prioridade. Pelo preço de um livro comprado em Portugal, adquirem-se 4 ou 5 em países como a Rep. Irlanda.

Um dos problemas da Feira do Livro é o excesso de editores. Pode parecer um paradoxo, mas não o é. Livros em quantidade podemos encontrar na web ou em qualquer grande livraria. A aposta da Feira do Livro deveria ser a qualidade, a promoção de novos livros e a possibilidade de encontrar raridades ou edições limitadas de obras que já saíram de circulação. No fundo, a Feira do Livro deveria distinguir-se por completo do que são as livrarias e tornar-se mais num local onde se pudesse encontrar algo de único.

Ainda assim, irei passar uma tarde na Feira do Livro à espera de encontrar uma qualquer surpresa agradável. Mas o mais provável é sair de lá com as mãos a abanar.

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