A Norma da Consistência ao Serviço da Caridade

Volto ao tema das normas de persuasão para dar um exemplo prático de bom uso da norma da consistência. Se tomarem atenção ao vosso comportamento e ao comportamento daqueles que os rodeiam, irão reparar numa coisa interessante: são quase sempre as mesmas pessoas que contribuem para actos de caridade, sejam peditórios organizados seja uma esmola para alguém que pede nas ruas. Mas há mais! Se repararem com atenção irão verificar que tanto vocês como os vossos amigos/familiares se encontram mais predispostos a contribuírem para uma causa se já tiverem ajudado previamente essa mesma causa, ou uma outra qualquer.

Certamente que a “boa natureza” das pessoas está aqui em jogo. Existem de facto pessoas mais generosas do que outras, mas isso é um outro aspecto que não interessa aqui abordar. Aquilo para que quero chamar a atenção é para o facto de haver uma consistência no acto de ajudar os outros contribuindo com donativos. Uma consistência que não escapou às associações de caridade que procuram assim garantir pelo menos um fluxo regular de donativos.

Com vimos no meu post acerca da norma da consistência quanto mais público for o compromisso assumido maior será a tendência para se manter consistente com esse mesmo compromisso. É assim do interesse das associações de caridade, uma vez conseguida a anuência da pessoa em colaborar, tornar esse compromisso público de forma a garantir que no futuro essa pessoa continue a colaborar nos seus peditórios.

Uma associação que usa esta norma de forma bastante eficaz (embora não sei se conscientemente) é a Legião da Boa Vontade. Os contributos pedidos não são propriamente avultados – cerca de €5 mensais – mas a associação garante que são regulares de uma forma bastante simples: passa recibos! Todos os donativos dão direito a um recibo – que serve para atestar a honestidade da associação – com o valor entregue à LBV. Pode parecer um gesto inconsequente, mas é o suficiente para recordar a essa pessoa no futuro que já contribuiu para a causa e que não o fazer agora seria ser incongruente com o seu comportamento passado. E como sabemos, ser inconsistente é algo que não é muito bem visto na nossa sociedade!

Este post pertence à serie Princípios de Persuasão.

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