De Lisboa ou Reformador? A Importância do Nome do Tratado no Referendo Irlandês

Até ler este post do Pedro Magalhães não me tinha apercebido que o referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa/Reformador estava próximo. Mais do que o facto de uma nova sondagem dar pela primeira vez vitória ao “Não”, se bem que a tendência das sondagens ao longo do tempo tem demonstrando um crescimento deste sentido de voto, aquilo que me despertou a curiosidade foi o destaque ao facto da campanha se ter feito em torno do “Lisbon Treaty” e não do “Reform Treaty”.

E porquê? Porque se o discurso se tivesse mantido no segundo as probabilidades do sim ganhar seriam certamente menores.

Se do ponto de vista português, e sobretudo de José Sócrates, a importância do nome está relacionada com uma questão de nacionalismo e de querer inserir Portugal no mapa da Europa, onde continuamos infelizmente a ser um parceiro menor; já para a discussão em torno do tema e, sobretudo, em termos do posicionamento na mente dos eleitores a escolha da designação é bem mais importante.

Um Tratado de Lisboa é algo que, apesar de ter grandes implicações, se torna inócuo para os eleitores (por muito que custe admitir a muita gente, a maior parte dos eleitores não irá votar neste referendo – ou mesmo em grande parte das eleições – preocupando-se em saber todo o seu conteúdo). Poderão concordar ou não que o tratado, mas o nome em si é neutro (a menos que se deteste a cidade ou o país ao qual se faz referência). Já o mesmo não se passa com um tratado que se pretende reformador.

“Reformar” algo (retirando aqui a conotação laboral portuguesa) significa proceder a alterações ao que está actualmente em vigor. O resultado dessas alterações é incerto, porque não é possível dizer que o futuro com este tratado será melhor ou pior. Os defensores de cada um dos lados irão colocar os seus argumentos em discussão, mas a verdade é que para os eleitores é uma situação incerta. Incerteza é algo que as sociedades não gostam e que tentam evitar. Se a discussão fosse em torno de um “Reform Treaty” tenho a certeza, sobretudo tendo em conta o equilíbrio actual, que o “Não” sairia vencedor!

Palavras como “reformar” ou “revolucionar” são demasiado fortes e criam não só incertezas como geram demasiadas expectativas. Quando se pretende alterar algo é mais seguro usar termos como “melhorar” ou “promover”, se se pretende um efeito positivo, ou “abolir” se se procura um efeito negativo.

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