Má Gestão de Reputação: O Caso PóvoaOnline

Certamente que já será conhecido da maioria que o blog Póvoa Online foi encerrado por ordem do tribunal, em função de um providência cautelar accionado pelo presidente e vice-presidente da Câmara da Póvoa de Varzim que se sentiram lesados pelo conteúdo exibido nesse blog. Não conhecendo eu o blog até esta sentença (e já iremos a isso), admito que as duas pessoas que recorreram aos tribunais estão no seu direito, tanto assim é que o juiz acedeu ao pedido de encerramento do blog. Acontece que este é típico caso de “pior a emenda que o soneto”, e que demonstra uma total incompreensão sobre as novas realidades online.

O encerramento do blog em nada contribui para que o conteúdo do mesmo desapareça, pura e simplesmente porque não se trata de um registo de papel que se pode destruir para todo o sempre. Quem quiser ao conteúdo do blog basta aceder à cache do Google* sobre o mesmo, porque aquilo que o tribunal decidiu é que o acesso ao blog deveria ser vedado. Mas nem isso será necessário porque os autores do blog criaram um outro, o Póvoa Offline, para substituir o anterior. Solução simples e prática que deixa os queixosos e o juiz a fazerem má figura.

Pior ainda que a inutilidade da medida, só mesmo o facto de vir aumentar a difusão do blog. De um blog conhecido por alguns, o Póvoa Online – e agora a versão Offline – conseguiu graças à cobertura mediática a este caso inédito em Portugal publicidade gratuita; e ainda por cima polémica, ou seja, aquela com maior capacidade de atrair tráfego! Convém também não esquecer que o “povo” não vê com bons olhos actos que podem ser considerados como censura, daí resultando que os queixosos, por muita razão que tenham (e não é isso que aqui está em causa), serão vistos como alguém com algo a esconder e que se refugiaram na justiça para calar os críticos. Em histórias de David contra Golias, este último será sempre o mau da fita mesmo que não faça nada.

O que deveriam os queixoso ter feito? IGNORAR! Pura e simplesmente! Quanto muito deveriam ter-se limitado a uma queixa em tribunal por difamação, mas não requerendo o encerramento do blog. O interesse de um objecto/produto/serviço é tanto maior quanto maiores forem as barreiras que limite o seu acesso. Ao negar o acesso ao blog, apenas aumentaram o interesse e a curiosidade acerca do mesmo.

Nem sempre responder ou agir sobre aquilo que é escrito sobre uma pessoa ou produto nos social media é uma boa solução. Ao responder, e em força, apenas se consegue dar mais atenção ao problema e em certa medida “legitimar” aquilo que é dito. Se os autarcas tivessem ignorado aquilo que era publicado no blog – por muito que tal seja difícil de aceitar em termos de ego – este nunca teria saído do anonimato e continuaria a ser um blog de certa forma anónimo. Ao fazê-lo cometeram um erro na gestão da sua reputação que permitirá aos autores do blog uma maior visibilidade sem que seja possível aos visados responde de forma eficaz. Uma lição para muita gente aprender!

Update ainda antes da publicação:

Já agora recomendo a leitura dos posts do Paulo Querido, do João Caetano e do João Pedro Pereira.

* Entretanto o Google já fez “desaparecer” a cache deste blog

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One thought on “Má Gestão de Reputação: O Caso PóvoaOnline

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