Blogs Corporativos: Quem os Deve Escrever?

Como prometido, a continuação da minha saga sobre blogs corporativos irá agora focar-se em quem deve escrever este tipo de blogs. De facto, esta é uma questão muito pertinente e essencial para a definição de uma estratégia de comunicação que inclua um blog. Uma vez mais, vou-me socorrer do comentário do Miguel Albano para depois prosseguir com a minha opinião:

Os blogs corporativos podem assumir inúmeras linhas editoriais. Podem ser individuais ou podem ser de grupo. Podem ser do CEO ou dos estagiários. Podem ser abstractos ou falar especificamente de um produto. Há muito por onde começar. O dilema geralmente passa pelo quem.

Existem aqui três questões relacionadas que importa separar para podermos concentrarmo-nos em cada uma com o cuidado que merecem: 1) blogs individuais vs blogs colectivos; 2) hierarquia interna (e, de certa forma) externa de quem bloga; 3) tópicos a abordar no blog. Abordemos cada uma destas questões.

1 – Blogs individuais vs blogs colectivos

Não será de certo complicado encontrar argumentos a favor ou contra cada uma das alternativas. Pessoalmente, acho que um blog corporativo deve ser colectivo. É certamente melhor, do ponto de vista da gestão do tempo, deixar a tarefa ao cargo de uma só pessoa e não dispersar a tarefa por várias. No entanto, um blog corporativo é suposto representar uma instituição que é composta por mais do que uma pessoa, e como tal é preferível que os consumidores “entrem em contacto” com mais do que uma perspectiva do interior da empresa.

Os blogs individuais têm ainda um outro inconveniente: são demasiado dependentes da pessoa que os escreve! Se por qualquer motivo a pessoa responsável pelo blog sair da companhia, o blog segue o mesmo caminho. Em comparação, um blog colectivo permite que a saída de um dos membros possa ser colmatada sem que a estrutura e identidade do blog sofra muito com isso. Esta solução permite também que não haja uma sobrecarga de um único indivíduo, distribuindo o “trabalho” por várias pessoas. Do ponto de vista negativo existe a necessidade de haver articulação entre os membros do blog para que não haja uma total inconsistência entre os posts de diferentes bloggers.

2 – Hierarquia interna de quem bloga.

As pessoas, ou pessoa, responsáveis pelo blog deverão ter alguns anos de casa e ter um bom conhecimento da empresa, dos seus negócios, produtos e/ou serviços, da estratégia actual e futura, e sobre os clientes. Isto coloca imediatamente de fora os estagiários! Do ponto de vista da estrutura interna pode parecer de certa forma lógico deixar esta questão para um estagiário que ainda não tenha grandes responsabilidades a seu cargo. Isto é um erro! Os estagiários são pessoas que ainda não têm um conhecimento profundo da cultura interna de uma empresa e, como tal, não serão capazes de a transmitir num blog. Por outro lado, um estagiário é alguém que não está seguro na empresa e que pode sair no término do seu contrato actual, ou que passando a efectivo terá a seu cargo outras tarefas, ficando o blog a cargo de outro estagiário ou esquecido. Claro que se o objectivo da empresa for ter um blog apenas para dizer que o tem, esta é uma solução viável, mas que mais tarde ou mais cedo resultará no fim do blog.

E quanto aos CEOs? Serão as pessoas indicadas para escrever um blog corporativo? Aqui irá depender muito do objectivo do blog e da sua composição. Acho bastante positivo que um CEO esteja disponível e interessado em escrever num blog, uma atitude que merecerá o apreço de grande parte dos consumidores. No entanto, é preciso não esquecer que a disponibilidade temporal para manter um blog e postar regularmente será menor do que a de um outro colaborador da empresa. Também é importante ter em conta o prestígio que o CEO (e mesmo outros colaboradores) têm fora da empresa – seja pelo trabalho aí desenvolvido ou não – um facto que poderá levar a que o blog seja encarado mais como um blog pessoal de alguém que é CEO de uma empresa, do que como um blog da empresa. O ideal seria que o CEO estivesse disposto a colaborar ocasionalmente com o blog da empresa sendo este mantido por outros colaboradores.

A minha proposta é de que os blogs corporativos sejam mantidos por profissionais de nível intermédio que demonstrem ter um bom conhecimento da cultura da empresa e dos negócios desta. Com isto teremos bloggers totalmente integrados na estrutura da organização mas não demasiado “afastados” dos consumidores que impeça estes de se “relacionarem” com quem escreve o blog. Também considero que o ideal seria que a equipa que compõem o blog tivesse elementos de vários departamentos da empresa, a menos o objectivo do blog seja o de ser uma plataforma de comunicação entre um dado departamento (ex. Apoio ao Cliente) e os consumidores. Mas mesmo neste caso será aconselhável que outras pessoas da organização participam para dar uma visão mais global da empresa.

3. Tópicos a abordar

Este é um tema que se calhar mereceria um post só por si, pelo que irei apenas abordar de forma breve. A verdade é que, dentro do seu ramo de negócios e desde que pertinente, um blog corporativo pode abordar uma grande variedade de assuntos: pode focar-se num único produto ou serviço; debruçar-se sobre o mercado como um todo; o foco pode estar em comunicar aos shareholders os valores da empresa…

O importante, mais do que o próprio tópico em si, é que o “tom” do blog seja genuíno e que a forma como se escreve envolva o público-alvo. Pode haver quem pense que não valerá a pena lançar um blog porque não tem assunto sobre o que falar. Isso só indica que não perdeu muito tempo a reflectir sobre isso, porque se o fizesse teria encontrado um tópico sobre o qual valeria a pena escrever.

Uma vez mais relembro que não defendo que todas as empresas devem ter blogs. Há algumas para as quais não faz o menor sentido criar e manter um blog, porque os benefícios pura e simplesmente não compensam os gastos financeiros e temporais. Mas existem empresas que estão a perder uma grande oportunidade para envolverem os seus consumidores no seu negócio. E quanto mais envolvido um consumidor estiver com uma marca, maior será a sua lealdade e a sua evangelização da mesma.

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One thought on “Blogs Corporativos: Quem os Deve Escrever?

  1. Pingback: Blogs Corporativos: Qual o Foco Ideal para este tipo de Blogs? « Dissonância Cognitiva

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