Blogs Corporativos: 4 Hipóteses na Procura de Informação

Imaginemos que uma dada empresa resolveu finalmente aderir a esta modernice dos blogs. Infelizmente, e como é provável que aconteça em muito lado, não a administração até lê uns blogs, sabe que existem plataformas onde é possível alojar blogs, que existe software próprio para ser usado… mas de escrever e manter um blog, disso não percebe nada! Onde ir então em procura deste tipo de informação essencial para se ter um blog de sucesso? Quem procurar para buscar aconselhamento sobre o que fazer e explicar o básico da coisa?

A meu ver existem 4 perspectivas possíveis (eventualmente existirão mais): 1) a organização tornar-se auto-didacta no assunto; 2) encontrar um funcionário que esteja por dentro do assunto e torná-lo parte do projecto; 3) contratar uma agência de comunicação; 4) contratar um consultor independente. Existem obviamente prós e contras para cada uma das situações e, a verdade, é que mesmo havendo umas preferíveis a outras, nenhuma é absolutamente correcta ou completamente errada. Caberá a cada organização saber escolher aquela que melhor se adequa à sua estratégia e, claro, cujo custo seja compatível com o orçamentado. Vou dar a minha opinião sobre cada uma destas hipóteses:

1) a organização tornar-se auto-didacta no assunto

Embora esta possa parecer uma solução viável, sobretudo porque é económica, a verdade é que é desaconselhável. Existe na blogosfera, nacional mas sobretudo internacional, suficiente informação para que seja possível o mais leigo nestes assuntos acumular conhecimento que lhe permita perceber como, em teoria, as coisas funcionam. Acontece que saber encontrar esta informação, e sobretudo saber distinguir a informação válida não é algo que ocorra sem custos temporais e imenso trabalho de pesquisa e leitura. Mas aquilo que torna esta opção a menos correcta é o facto de haver uma grande diferença entre saber como se faz e de facto saber fazer. A blogosfera, e os social media em geral, tem dinâmicas que só quem participa activamente percebe e será capaz de passar essa informação a outras pessoas de uma forma prática e accionável.

2) recorrer a um funcionário que tenha um blog pessoal

Este é um passo acima em relação à hipótese anterior na medida em que existe o recurso a alguém com experiência “no terreno”. Ainda assim há questões que é necessário ter em conta. Desde logo, o tipo de blog que essa pessoa escreve e os conhecimentos que tem da matéria. É diferente escrever um blog profissional de um blog pessoal que pode ser de puro divertimento ou de mera opinião. Existem diferenças na organização da estrutura do blog, bem como na forma de escrita. Além disso, o facto de alguém ter um blog, mesmo um de sucesso (o que depende da definição de sucesso de cada um), não significa que perceba as tais dinâmicas que acima referi (voltarei a este tema mais tarde) que envolvem questões que passam pela categorização dos posts e das tags correctas a usar, ou seja de organização, até a formas de escrever títulos cativantes, ou seja de optimização do conteúdo. Será sempre útil e de aproveitar a existência de um funcionário que perceba e esteja habituado a usar blogs, mas a menos que este tenha as características necessárias (ver a parte sobre consultores independentes) não será a melhor opção.

3) contratar uma agência de comunicação

Aqui já estamos a falar de uma solução mais “profissional”. Sendo os blogs uma plataforma de comunicação, é natural que as agências de comunicação estejam melhor colocadas no sentido de oferecer soluções e aconselhamento aos seus potenciais clientes. Como é óbvio, esta será uma solução que acarretará maiores custos, mas que por outro lado minimizará os riscos associados a fazer algo de forma mais “livre” e “amadora”. É preciso ter em atenção que nem todas as agências de comunicação são capazes de oferecer aconselhamento e treino nesta área mesmo que o publicitem. Um boa regra na análise das potenciais alternativas é verificar se as agências têm elas próprias um blog ou se, pelo menos, têm nos seus quadros funcionários que tenham blogs a título pessoal. O Carlos José Teixeira escreveu há tempos um post sobre o assunto pelo que recomendo a sua leitura.

4) contratar um consultor independente

Optar por esta última hipótese não será algo que seja muito fácil de assimilar numa empresa; sobretudo numa em que os social media sejam de certa forma desconhecidos. Será sempre mais “seguro”, no sentido de conservador, apostar numa agência de comunicação do que num blogger. No entanto, e sem desprimor para os profissionais das agências de comunicação que em alguns casos são excelentes bloggers, é neste segmento onde as empresas – e as próprias agências de comunicação – poderão encontrar informação e conselhos de grande valor (ainda esta semana o Paulo Querido revelou ter prestado um serviço deste tipo). Afinal estamos a falar de pessoas que terão na escrita dos seus blogs um hobbie quase profissional! Claro que aqui há que saber separar o trigo do joio e escolher a pessoa correcta para a função. Mais do que olhar a rankings, importa aqui perceber o conteúdo do blog e perceber qual o grau de respeito e influência que essa pessoa tem entre os seus pares. Parecendo que não, na blogosfera portuguesa não é muito difícil perceber isso até porque o meio não é assim tão vasto quanto isso. Se a pessoa em questão tiver experiência ou formação na área de comunicação e adjacentes tanto melhor. Bem como, se escrever frequentemente sobre o negócio onde a sua empresa actua. Ideal mesmo, é que além de tudo isto fosse seu funcionário!

Embora as duas últimas hipóteses sejam de longe as preferíveis, como disse acima, cada caso é um caso e caberá a cada empresa escolher a melhor opção para os seus objectivos e de acordo com o investimento que pretende fazer. O importante deste post é sobretudo que se perceba que existem alternativas para as empresas que ainda se afastam deste meio por desconhecimento. A informação está disponível e não faltam pessoas capazes de a fornecer. O necessário é saber distinguir quem essas pessoas são.

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