Estratégia para um Blog da Quercus

Ontem afirmei que as ONG’s estão a desaproveitar as oportunidades de comunicação que lhes são concedidas pelos social media, e mais especificamente os blogs, ao não entrarem nestes novos meios e não retirarem deles os benefícios daí resultantes. Como forma de exemplo, resolvi abordar o caso da Quercus para demonstrar como esta organização poderia recorrer a um blog para amplificar a sua mensagem.

Escolhi a Quercus por duas questões simples: é uma das organizações com mais notoriedade e que já tem uma produção de conteúdos assinalável ainda que pouco integrados, e, sobretudo, porque seria uma das organizações que mais teria a ganhar tendo em conta que atravessámos uma altura em que as pessoas se encontram mais receptivas a comunicações sobre questões ambientais. Não irei entrar por questões técnicas, porque não considero ser a pessoa mais qualificada para dar esse tipo de informação, mas irei aqui deixar a minha opinião em termos de definição do foco do blog, dos tópicos a abordar e, sobretudo, os formatos possíveis para esses posts.

Começando por recorrer ao meu post acerca dos possíveis enfoques de um blog corporativo, um possível blog da Quercus deveria estabelecer um meio-termo entre um enfoque no mercado – no caso nas questões ambientais em geral – e um enfoque na organização – com a atenção direccionada para as iniciativas e acções desenvolvidas pela organização. Os tópicos em si estão “condicionados” às actividades da organização e são bastante amplos já que agrupam todas as questões ambientais, desde o uso de energias renováveis à protecção de espécies em risco de extinção.

Em termos de conteúdos, a Quercus poderia “reciclar” aqueles que vai publicando esporadicamente no quercustv, aos quais poderia adicionar as emissões diárias do programa Minuto Verde, assumindo que o acordo com a RTP o permite. Isto só por si serviria para manter um blog activo, embora isso representasse um erro estratégico. Embora existam blogs cujo conteúdo é exclusivamente em formato vídeo, não me parece que esta fosse a melhor alternativa para uma organização como a Quercus, até porque para isso já têm o quercustv que continuo a considerar um desperdício de espaço online.

Tendo em conta as variáveis em jogo, elaborei uma pequena lista de formatos de conteúdos que poderiam fazer parte de um blog da Quercus:

  • dicas sobre como ter um comportamento mais “amigo” da natureza;
  • divulgação e reportagens sobre as iniciativas da organização;
  • clipping de artigos acerca de temas relevantes ou envolvendo a organização;
  • comentário a notícias e eventos de interesse;
  • artigos de opinião;
  • divulgação de estudos e de dados científicos;
  • entrevistas a figuras proeminentes da organização ou da sociedade;
  • apresentação de dados sobre espécies em vias de extinção e iniciativas em curso para reverter o processo;
  • apresentação de casos de boas práticas ambientais por parte de indivíduos, empresas, autarquias, governo;
  • denúncia de casos de violação da lei ou de desrespeito pelas normas ambientais…

E muitos outros pontos poderiam ser acrescentados a esta lista. Como é óbvio, alguns dos conteúdos acima referidos também serão usados nos contactos com a comunicação social, mas existem outros a que a Internet, e mais especificamente um blog, poderia dar uma maior visibilidade.

A Quercus, mesmo comparativamente a outras ONG’s, encontra-se actualmente numa situação privilegiada para retira benefícios de uma estratégia bem montada do uso dos social media. À criação de um blog, aconselharia a criação de perfis nas principais social networks, o uso progressivo e regular do Twitter e do Friendfeed, e a criação de contas em sites como o Youtube e o Flickr, sem esquecer as versões nacionais do Sapo, para a distribuição de conteúdos multimédia. O recurso a ferramentas de social bookmarking, como o Del.icio.us, seria também interessante como uma forma de organizar informação e de a distribuir eficazmente pelo seu público-alvo.

Como é óbvio este post é uma simplificação de todo um processo de uso dos social media para comunicação organizacional, ao qual seria necessário polir algumas arestas para que fosse de facto eficaz. Em todo o caso, espero ter conseguido transmitir a simplicidade – não confundir com facilidade – com que uma ONG pode usar os social media em seu benefício, e em prol das suas lutas diárias.

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6 thoughts on “Estratégia para um Blog da Quercus

  1. Miguel Albano

    Carlos,

    nós não podemos andar a dar o ouro todo ao bandido 🙂

    Agora mais a sério, as contribuições do Bruno têm sido excepcionais e ajudam a elevar o nível da blogosfera de comunicação e relações públicas. É de saudar.

    Por outro lado, existe sempre alguma retracção por parte dos consultores (falo do meu caso pessoal) em partilhar ideias/conceitos/competências para casos concretos, dado que isso é algo que é vendável.

    Mas não vejam isto como uma desculpa.

    Prometido fica que iremos também contribuir com casos/ideias/sugestões/boas práticas concretos/concretas que ajudem a melhorar a percepção que as pessoas possam ter da comunicação digital.

    Miguel Albano

    Responder
  2. Bruno Ribeiro Post author

    Antes de mais, agradeço a ambos os elogios. Não sei se os mereço ou não, mas fazem bem ao ego!

    Acho que ambos têm razão no que dizem: seria interessante ver as agências de comunicação a partilharem o know how, mas é compreensível que queiram manter os “segredos dos negócios” resguardados. No fundo é uma situação que espelha bem o dilema empresarial com os social media: aumentar a transparência e partilhar conhecimentos, mantendo os seus segredos corporativos.

    Em todo o caso, encaro este tipo de posts como uma demonstração de capacidades e de expertise. No meu caso pode servir como promoção da minha marca pessoal, no caso de uma agência pode servir para atrair um cliente indeciso.

    Abraço

    Responder
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  4. Carlos José Teixeira

    Albano, estive a ler a entrevista ao Pedro Rocha, mui bien!
    Entretanto, passo a aguardar o cumprimento da tua promessa 🙂 de glasnost no blogue.
    É que, ainda assim, a meu ver o “segredo de negócio” não desculpa tudo… como poderás ver seguindo o trackback que já aparece por aqui…

    Abraço a ambos!

    Responder
  5. Pingback: Agências | Os Blogues da Má Língua | : fractura.net!

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