Marcas Infiltradas nos Blogs

O Jornal de Negócios tem hoje um artigo interessante acerca da infiltração das marcas em blogs, social networks e fóruns com o intuito de encapotadamente publicitarem os seus produtos. O exemplo em destaque é o serviço que a empresa Webdote prestou à CTT de promoção de uma iniciativa online da empresa que visava tornar mais saliente aos internautas o selo dos correios. O modus operandis da Webdote é mais ou menos o seguinte: um seu funcionário visita blogs, entra em fóruns ou social networks fazendo-se passar por mais um membro da comunidade, comenta ou entra em discussões em curso deixando sempre o link para o site que quer publicitar.

A Webdote e, um pouco levado na corrente, o Jornal de Negócios chamam a esta prática marketing viral. Normalmente quando alguém “polui” uma caixa de comentários, um endereço de e-mail ou um fórum com o único propósito de publicitar um link, dá-se o nome de spam a essa actividade! Certo, é uma forma menos nociva e mais sofisticada de spam, mas não deixa de ser spam! Além de que, a prática de se fazer passar por outra pessoa com o intuito de publicitar uma marca é ilegal, mas isso já são contas de outro rosário.

Mais interessante ainda é ler alguns dos comentários inseridos no artigo de Ricardo Teixeira, o CEO da Webdote acerca das práticas da sua empresa. Atente-se nas mesmas:

O utilizador ‘online’ está sempre à beira de um click para sair. Se nos dirigirmos a ele como anunciantes de determinada marca ou projecto as suas resistências serão à partida maiores. Com uma fonte credível, amiga, é estabelecida à partida uma relação mais forte.

É apenas uma forma de evitarmos as resistências do interlocutor. Se o convite for feito por parte de um membro da comunidade é mais facilmente penetrável.

Ricardo Teixeira contra-argumenta dizendo não existir falta de ética na campanha que a Webdote desenvolveu para os CTT porque o objectivo é levar as pessoas a conhecer determinado projecto e não publicitar nenhum produto em concreto.

Elucidativos sobre a política da empresa! Transparência e ética não são conceitos bem entendidos por aqueles lados. Para uma empresa que quer ser tomada como referência em termos de publicidade nos social media, seria importante respeitar os princípios de conduta neste meios. Acho importante que as empresas participem e usem os social media, mas que o façam de forma transparente e não escondendo-se em pseudónimos e personas criadas com o único intuito de enganar os restantes utilizadores.

Advertisements

15 thoughts on “Marcas Infiltradas nos Blogs

  1. Andreia

    Bruno, muito provavelmente será surpreendido ao ver a Digital Communication Manager da Webdote a responder ao seu post.

    O impacto e o sucesso do marketing digital nas redes sociais é muitíssimo interessante do ponto de vista da Psicologia Social.

    Segundo um estudo divulgado pela Accenture, 68% das empresas inquiridas acreditam no potencial dos social media. 56% já promovem as suas marcas através do networking online.

    A marca CTT esteve sempre identificada. Quando divulgámos o passatempo Aqui há Selo, nas redes sociais, assim como na blogosfera, referenciou-se sempre o facto de se tratar de um passatempo dos CTT.

    A Sara foi criada para comunicar directa e personalizadamente com cada um dos participantes do Aqui Há Selo. Acção rara no contexto do marketing digital que permitiu uma comunicação não formatada, individualizada, dirigida pessoalmente a cada um dos participantes, apesar dos milhares que tivemos. Tratou-se de um trabalho hercúleo e que criou para o marketing digital, à imagem da Marta OK Teleseguro, uma personagem humana no meio digital, a Sara Aqui Há Selo, que pôs em prática uma comunicação personalizada, distante dos copies e respostas pré-formatadas.

    Quanto ao artigo, tivemos cerca de 300 mil visitantes no Aqui Há Selo, não cerca de 29 mil como referido. Somos uma agência de marketing digital e não uma agência de marketing viral, que penso nem existir Por aqui se pode avaliar a qualidade do artigo produzido.

    Responder
  2. Pingback: A Webdote e a Semântica - Marketing de Busca

  3. Andreia

    Pingback,

    Como se pode chamar publicidade encapotada, quando há uma referência explícita de que o passatempo pertence a uma marca?

    Se se deparasse com a seguinte informação: Festival do Sudoeste de 7 a 10 de Agosto. Visite o link. Independentemente de quem o tivesse postado, será que se consideraria este tipo de divulgação, publicidade encapotada?

    A publicidade encapotada existe, e quem não sabe que ela existe, agências, marcas e consumidores! Não queiram é converter links distribuidos pela net numa campanha de contornos negros.

    Como é nossa política, a marca esteve sempre explícita. A Sara, é talvez a primeira Marta OK Teleseguro do meio digital, uma “persona” que deu a conhecer a existência do passatempo e a qual, os internautas puderam conhecer no âmbito do concurso.

    A Webdote conhece bem os new media, sabe como inovar e como canalizar a interacção das redes sociais em benefício das marcas. Como mercado, as redes sociais continuarão seguramente a ser motivo de notícia, esperemos que não tão repletas de alarido.

    Responder
  4. Bruno Ribeiro Post author

    Antes de mais agradeço o seu comentário porque nos permite dialogar e esclarecer algumas questões que julgo serem do interesse de ambos mas, sobretudo, da “comunidade”. Quero também referir que o meu post baseia-se apenas e só no artigo do Jornal de Negócios e nos comentários transcritos nesse mesmo artigo pelo CEO da Webdote, Ricardo Teixeira, já que desconhecia até ontem a campanha e como tal não estou em posse de todos os factos. Passando à resposta ao seu comentário.

    A ideia que passa da notícia do Jornal de Negócios e das declarações transcritas de Ricardo Teixeira não é de que a CTT esteve sempre identificada e de que se fazia referência de que se tratava da promoção de um passatempo. A ideia que passa é que a “Sara”, que na realidade se chama Andreia Onofre 🙂 , fez aquilo que normalmente se chama spam: deixou comentários em blogs, fóruns e social networks com o intuito único de deixar o link para o site do Aqui Há Selo. Como disse no post, é uma forma mais sofisticada e menos nociva de spam, mas não deixa de o ser.

    Nem no artigo, nem das declarações do CEO da Webdote surge qualquer menção de haver o cuidado de identificar a marca ou de dar a entender aos restantes utilizadores desses espaços de que se tratava de uma acção publicitária, que não o deixa de ser por se tratar de um serviço e não de um produto. Muito pelo contrário! Aquilo que ressalta é o facto de se estar deliberadamente a enganar as pessoas, fazendo-se passar porque quem não se é para se conseguir atingir determinados objectivos.

    Pelo que li, houve a preocupação de fazer passar a “Sara” por uma pessoa real, de fazer crer aos membros da comunidade em que se infiltra de que é mais uma igual a eles. Não há identificação da marca que promove, não há pré-aviso de que se trata de uma acção publicitária. A pergunta que lhe deixo é esta: não podiam as mensagens ser enviadas pela Andreia, devidamente identificada como se tratando de uma acção de promoção de um passatempo?

    Sobretudo depois deste artigo, é natural que as pessoas se sintam enganadas, mesmo que tenham beneficiado disso. O que as irá tornar mais desconfiadas no futuro quanto aos comentários em blogs e outros meios online de forma a não voltarem a cair na “armadilha”. Com isto não terá a Webdote “sabotado” o seu próprio jogo?

    Responder
  5. Miguel Albano

    Vestindo o papel de cavaleiro andante, permitam só que faça uma pequena protecção da figura da Marta da OK Teleseguro.

    A Marta é uma personagem publicitária, apresentada num contexto comercial/publicitário introduzido num espaço devidamente reconhecido como sendo publicidade.

    Não podemos comparar a Marta com a Sara, visto que estamos a abordar meios completamente diferentes. Mais, a forma enquanto nós, consumidores/utilizadores, abordamos cada um desses meios é radicalmente diferente. Logo, encontrarmos uma Marta num anúncio ou uma Sara num comentário de um blog é completamente diferente.

    Cumprimentos,
    Miguel Albano

    Responder
  6. Andreia

    Bruno,

    sou a Sara, e o trabalho que fizemos foi belíssimo, para a marca e para os participantes. E não deixaremos que a imaturidade e o desconhecimento de uma jornalista venha macular um tão brilhante e acarinhado projecto, nem deixaremos que transmita uma imagem errada do que é o marketing digital. Quando para nós e para todas as agências o fundamental, é divulgar o que é afinal o marketing digital.

    Perdeu-se a oportunidade de se escrever um muito bom artigo em vez de se levantarem suspeitas. Mas um artigo sensacionalista é mais vendável do que o jornalismo positivo.

    O nome da Sara não é relevante, a net é território de nicknames ; ninguém se questiona se a Marta do OK Teleseguro é mesmo Marta? A Sara poder-se-ia ter chamado Lara, Mara, Clara, é uma “persona” do passatempo, que sempre identificou o passatempo com a marca. Concordo que se lhe chame spam. Mas publicidade encapotada?

    Para além do mais a Sara nunca fez publicidade, mas Relações Públicas.

    A Webdote, como agência digital, está absolutamente atenta às tendências do mercado internacional. Neste mundo estamos sempre a absorver informação, a aprender e a inovar. Quanto à legislação, essa não inova, está absolutamente desfasada e distante do que são as novas realidades do online. O quadro legal para os new media nunca poderá ser um corte e costura do que existe para a publicidade tradicional, ou nunca passará de um remendo.

    Quanto ao artigo e à possibilidade das pessoas se sentirem enganadas… respondo com a resposta de uma participante ao dizer-lhe que podia tratar-me pelo meu nome: “Para mim, será sempre a Sara”!

    Responder
  7. Andreia

    Miguel,

    a função principal da Sara era contactar personalizadamente, via mail, todos os participantes, e auxiliá-los com as suas dúvidas e necessidades relativamente ao passatempo. Foi sem dúvida uma Marta OK Teleseguro do meio digital. Existia num espaço devidamente identificado e associado a uma marca, só não celebrava seguros nem chamava a assistência em viagem.

    Responder
  8. Bruno Ribeiro Post author

    Andreia,

    Vamos por partes:

    1) Tal como o Miguel, não concordo com comparação com o caso da publicidade da OK Teleseguro. O princípio é de facto o mesmo – criar uma persona no sentido de humanizar a campanha – mas o meio onde se transmite a mensagem é relevante aqui. Na TV nós “vemos” a Marta e sabemos que ele é um produto fictício da publicidade; na web nós “lemos” a Sara mas não sabemos se ela é real ou fictícia.

    2) Aquilo que diz no seu comentário ao trackback do António não é o mesmo que transparece do artigo e das declarações do CEO da Webdote. É diferente colocar a informação de que está a decorrer um passatempo e indicar o link de entrar na conversa e depois colocar o link como se nada fosse. Na sua resposta dá a entender que foi o primeiro caso que ocorreu, do artigo e das declarações de Ricardo Teixeira entende-se que foi o segundo. São os dois spam, embora o do segundo caso seja mais sofisticado e contribua mais para a comunidade em termos de conversação; mas por outro lado induz as pessoas em erro. Com tal, não sei se as vantagens compensam os danos (não estou a dizer que houve ou não danos nesta campanha, mas sim que este tipo de tácticas pode originar danos).

    3) No que respeita à legislação, devo referir que ainda recentemente a Grã-Bretanha aprovou legislação que penaliza o uso de dados falsos em acções publicitárias, incluindo fazer-se passar por outra pessoa online. Não conheço a lei portuguesa em pormenor para saber até que ponto este tipo de campanha é ou não ilegal, ou sequer se deve ou não ser ilegal.

    4) A mim preocupam-me mais questões como a credibilidade deste tipo de meios. Se a ideia que já passa é que quem anda por estas paragens online é tudo uma cambada de “aldrabões” e de “mentirosos” (uma vez mais, não estou a dizer que os profissionais da Webdote o são, mas conheço bem a mentalidade portuguesa e os Moita Flores deste país para saber o que daí virá), não serão casos como estes – sejam ou não correctamente descritos nos artigos de imprensa – que irão ajudar a melhorar a imagem dos social media.

    Mas, como ainda tudo é novo nestes meios, sobretudo em Portugal, este tipo de discussões são enriquecedoras para todos e só demonstram como ainda há muito para aprendermos e discutirmos uns com os outros.

    Responder
  9. Bruno Ribeiro Post author

    Andreia,

    agora fiquei confuso com a sua resposta ao Miguel (já é a segunda vez hoje que responde enquanto lhe estou a responder 🙂 ). Afinal, como decorreu a campanha e em que parte se insere este trecho do artigo em termos da estratégia geral da Webdote:

    Sara já defendeu os direitos das mulheres, lutou contra o abandono dos animais e apoiou os mais desfavorecidos.

    Responder
  10. Miguel Albano

    Andreia,

    com todo o respeito, mas essa não é a função de uma «personagem fictícia». É a função da organização, da marca através dos seus responsáveis (sejam da própria organização ou representados por terceiras partes).

    A Andreia não é a Sara. A Andreia vestiu a pela da Sara. E amanhã, vai vestir a pele de quem? Da próxima vez que eu vir um comentário de uma Andreia ou de uma Sara, em quem irei eu confiar?

    A internet não é um mundo de nicknames. É um mundo de pessoas, algumas das quais se escondem por detrás de nicknames. É normal, aceitável até.

    Mas não para as marcas, nem para as organizações.

    Eu acredito na boa vontade da WebDote e dos seus colaboradores. Acredito igualmente na ingenuidade da jornalista no seu trabalho.

    Quando falamos com os jornalistas já devemos saber que perdemos o controlo sobre a nossa mensagem.

    Por isso é que os blogs são excelentes ferramentas de comunicação directa, como refere o Bruno frequentemente.

    Responder
  11. Paulo Querido

    Andreia, muito provavelmente será surpreendida ao ver o freelancer webjournalist da Frases Completas a responder ao seu comentário…

    “Bruno, muito provavelmente será surpreendido ao ver a Digital Communication Manager da Webdote a responder ao seu post.”

    O Bruno não me pareceu, felizmente para si, muito impressionado. Eu fiquei impressionado. Mal impressionado, that is. Além de feia, essa arrogância é absolutamente lamentável, para não dizer contraproducente em quem se apresenta como trabalhadora de uma agência de comunicação. Mas ok, isto é um jornalista a falar. Como sabemos, essa corja de lacaios não faz nada direito nem pensa, limita-se a reproduzir o que lhes é ditado — e a maior parte das vezes, como foi agora o caso, fá-lo mal…

    “sou a Sara, e o trabalho que fizemos foi belíssimo, para a marca e para os participantes. E não deixaremos que a imaturidade e o desconhecimento de uma jornalista venha macular um tão brilhante e acarinhado projecto, nem deixaremos que transmita uma imagem errada do que é o marketing digital. Quando para nós e para todas as agências o fundamental, é divulgar o que é afinal o marketing digital”

    A arrogância levada ao extremo. Não apenas deixaram: a “coisa”, que no início era uma acção de charme ao mercado (começa a haver mercado, como sabe melhor que eu, e as agências já se estão a esgatanhar para agarrar este incompreensível TGV) usando como é hábito os tontos dos jornalistas, pedindo expressamente que enviem o mais novato que lá haja, virou-se contra vocês e estão a deitar gasolina no fogo com essa desastrada tentativa de cortar nos danos nas caixas de comentários dos blogues que falaram disto.

    Não estão a “deixar que transmita uma imagem errada”: vocês ESTÃO A TRANSMITIR. A cores e em estéreo amplificado. Logo, acarretem com as consequências.

    Esta forneço-lhe em regime de try before you buy — um dos mais antigos modelos de negócio na micro-informática: o marketing e a publicidade TAMBÉM são virados de pernas para o ar pela revolução digital. Esqueça o negócio fácil com clientes crédulos e audiências sem alternativa do século XX. Era bom, mas acabou-se.

    “e não uma agência de marketing viral, que penso nem existir”.

    Andreia, uma pergunta: como chegou a “Digital Communication Manager”?

    está bem de ver que não estou a comentar o caso da campanha, que não considero já notícia, nem sequer a reportagem do JN, aque não li. Comento a sua atitude errada face à blogosfera. Nothing personal.

    Responder
  12. Paulo Querido

    Sobre a campanha, concordo que não passou de spam, que é o termo técnico que melghor se lhe aplica. Não há nada de ilegal no spam — uma das mais usadas técnicas do seu metier, o marketing digital. Há apenas aborrecimento, tédio e fúria por nos obrigarem a limpar o lixo.

    Responder
  13. Pingback: A Resposta da Webdote às Críticas da Blogosfera « Dissonância Cognitiva

  14. Oliver \\\\\\\"Fritz\\\\\\\" Paine

    É evidente que é aborrecido… É uma forma encapotada de publicidade visando vender um produto e não há nada de carinhoso nisso. Nem de acintoso, tendo em conta que é uma prática tão comum… no meu blog, já foram rastreados 2100 comentários de spam… aqueles que o wordpress apanha. Evidentemente, gabe-se a tenacidade da Sara em colocar comentários o que não é fácil: eu também já fiz isso!!!! Mas enfim, a mim ninguém me conhece, agora aos CTT…… bom, aí acho que o caso muda de figura. Acho que é um bocado como andar a pintar paredes, o fazer comentários spam nos blogs dos outros…. não estou a ver os CTT a fazer grafitti…!

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s