A Transferência de Quaresma: a Insatisfação dos Adeptos do FC Porto Explicada pela Psicologia

Domingo confirmou-se a transferência de Ricardo Quaresma do FC Porto para o Inter de Milão. O negócio foi realizado com o pagamento do clube italiano de € 18,6 milhões ao FC Porto, mais a cedência do internacional sub’21 português Pele avaliado em € 6 milhões, num total de € 24,5 milhões. O negócio poderá ainda chegar aos € 30,6 milhões caso jogador e clube italiano atinjam determinadas metas de desempenho ao longo dos próximos 3 anos.

Em termos objectivos tratou-se de um bom negócio. Foi a 5ª maior venda de um clube português; uma das maiores desta pré-temporada a nível internacional; resulta na entrada de um jovem muito promissor que pode representar uma mais-valia futura; e representa uma valorização de € 18,6 milhões do atleta que recorde-se chegou ao Dragão envolvido na transferência de Deco para o Barcelona, sendo na altura avaliado também em € 6 milhões. Ainda assim, uma rápida passagem por alguns blogs ou sites desportivos chega para perceber que os adeptos do FC Porto – grupo no qual orgulhosamente me incluo – não estão satisfeitos. Alguns chegam mesmo a afirmar ser este o pior negócio da história do clube.

Objectivamente estes sentimentos não fazem muito sentido. Mas como aqui já referi, as pessoas nem sempre analisam os factos de um ponto de vista racional.

Na origem do descontentamento dos adeptos do FC Porto estão dois fenómenos psicológicos: a ancoragem e a comparação! Começando pela processo de ancoragem, que já aqui abordei de forma mais elaborada, a origem do descontentamento está na afirmação de Pinto da Costa de que Quaresma só sairia do FC Porto pelo valor da cláusula de rescisão do seu contrato: € 40 milhões! Este valor passou a ser o preço âncora na mente dos adeptos para a venda do jogador.

Como tal, a diferença entre 40 e 24,5 milhões está na origem da insatisfação. Bastaria que o presidente do FC Porto não tivesse proferido a famosa frase para que não fosse estabelecido qualquer preço âncora e, como tal não houvesse a expectativa por parte dos adeptos de que esse valor, ou um muito próximo fosse atingido.

Os seres humanos não avaliam as situações no ‘vazio’, isto é, toda e qualquer avaliação é feita em termos comparativos, mesmo que a comparação seja com a não existência de alternativa. No caso da venda de Quaresma, a comparação é feita com outras vendas do clube, com as compras do clube e com transferências efectuadas no mercado internacional. Aqui já havia pouco a fazer para evitar o sentimento de insatisfação por parte dos adeptos já que não existe controlo por parte do clube das várias variáveis que compõe cada negócio.

Estes dois processos psicológicos justificam o porquê da insatisfação dos adeptos perante um negócio que do ponto de vista objectivo é muito positivo. E também se constata que na origem dessa insatisfação está uma falha de comunicação por parte do presidente do FC Porto, que se veio juntar a uma outra afirmação na qual prometeu a contratação de uma boa surpresa para os adeptos o que não se veio a cumprir, uma vez mais porque as expectativas criadas, mesmo que de uma forma acidental, não foram atingidas.

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