Obama Fez História

O assunto é incontornável: Barack Obama foi ontem eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos América! É um feito histórico por se tratar do primeiro afro-americano a ocupar o cargo mais importante à face da Terra actualmente. Foi uma campanha muito interessante em todos os sentidos, embora politicamente não me tenha interessado muito pela mesma. A envolvência em torno da mesma em termos psico-sociológicos e na área do marketing foi bem mais interessante do que o debate de ideias entre os dois candidatos.

É fácil definir Obama numa palavra: Inspirador! Foi essa característica que permitiu a vitória de Obama. O democrata é capaz de motivar e de dar esperança nos seus discursos, e era isso que os americanos mais queriam do seu próximo presidente: alguém capaz de os guiar para longe de uma situação de crise com um discurso positivo! Duvido que haja algum político a nível mundial que consiga rivalizar com Obama em termos de apresentação e de discurso.

Obama criou um culto à sua volta, sendo capaz de se elevar a um estatuto de figura messiânica. Com isto não quero diminuir em nada o triunfo de Obama, muito pelo contrário. São poucas as pessoas que conseguem tornar-se líderes aclamados pelo dom da palavra e que conseguem apresentar-se como uma figura de consenso capaz de unir perspectivas diversas. O slogan ‘Yes, we can!’ é um exemplo de como a campanha de Obama se assemelhou a um culto religioso. O tipo de militância que Obama conseguiu dos seus apoiantes é algo que está apenas ao alcance de uns quantos, poucos, líderes mundiais.

O agora presidente é a representação viva do ideal da sua campanha: Change! Obama representa a mudança, não só em termos políticos, mas sobretudo em termos sociais e de mentalidade. Obama é o exemplo do que deve ser o político moderno! Será ele o futuro paradigma do que deve ser um candidato eleitoral e as tácticas que usou na sua campanha serão matéria de estudo nas áreas de marketing e relações públicas.

É preciso que se diga que o contexto era favorável aos democratas. A política de Bush tem sido um desastre em termos práticos e sobretudo em termos de percepção dos eleitores. A crise económica apenas veio evidenciar mais essa situação. Só um candidato muito forte e visto como independente poderia ter dado aos Republicanos qualquer hipótese de discutir estas eleições. McCain era esse candidato, mas o receio de não conseguir agradar às bases do partido levou-o a mudar o discurso para um patamar demasiado próximo do de Bush para constituir uma alternativa de mudança. A escolha de Palin apenas aprofundou essa aproximação. A governadora do Alaska conseguiu garantir o apoio da ala mais conservadora do GOP, mas alienou em demasia os independentes e os conservadores mais centristas.

Obama ganhou e, como já disse, embora do ponto de vista política duvide que isso representa uma mudança tão grande como muitos dos europeus esperam, não deixa de ser um exemplo fantástico das mudanças culturais que vão acontecendo um pouco por todo o Mundo. Barack Obama fez História!

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