A Privação Relativa e os Salários dos CEO Americanos

No meu último post referi que iria dar dois exemplos concretos da acção da privação relativa, e começo hoje a cumprir essa ‘promessa’. O primeiro exemplo tem tudo de actual já que se refere aos salários auferidos pelos CEO americanos e à forma como estes dispararam nos últimos 15 anos.

Em 1976, um CEO norte-americano ganhava em média 36 vezes mais do que um trabalhador comum. Essa diferença tinha aumentando em 1993 para 131 vezes. No sentido de regular a situação e de mostrar às empresas os salários obscenos que pagavam aos seus executivos, que estavam na origem de grandes desigualdades sociais e poderiam tornar-se a longo prazo insustentáveis, as autoridades dos EUA tornaram obrigatória a divulgação dos valores dos salários e dos prémios pagos aos executivos de topo por parte das empresas norte-americanas. Quinze anos depois, um CEO norte-americano ganha em média 369 vezes mais do que um trabalhador comum!

Ou seja, a publicação dos vencimentos actuou – em conjugação com outros factores – para o aumentar dos salários dos CEO e das diferenças entre aquilo que ganham os executivos de topo e o trabalhador comum!

O que aconteceu? Com o publicar das listas, cada CEO passou a poder comparar-se não apenas os funcionários da sua empresa, mas também com outros CEO de outras empresas que passaram então a ser a referência comparativa. A isto juntaram-se vários rankings publicados nos media que ordenavam os CEO de acordo com aquilo que ganhavam. De repente, uma série de pessoas que tinham um rendimento muito acima da média passaram a considerar-se ‘prejudicados’ em comparação a outros indivíduos dentro do seu grupo de referência. Com isto, as exigências salariais dos CEO nos EUA tornaram-se cada vez maiores cavando o fosso para o resto da sociedade.

Do ponto de vista da gestão dos recursos humanos, este exemplo é uma boa lição para qualquer empresa que pretenda evitar o descontentamento dos seus funcionários e controlar a sua folha salarial. Se não tiver uma prática de atribuição de vencimentos equitativa dentro de uma mesma função, o melhor é evitar que os seus funcionários tenham acesso aos vencimentos uns dos outros.

2 thoughts on “A Privação Relativa e os Salários dos CEO Americanos

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