Quer Poupar? – Deixe o Cartão em Casa e Pague em Dinheiro

Com ou sem recessão, a chegada do Natal corresponde a um aumento dos gastos para a tradicional família portuguesa. Entre preparar o jantar da véspera e o almoço de Natal e os presentes para filhos, pais, primos, cão e gato, as despesas aumentam e o dinheiro não estica – mesmo tendo em conta o pagamento de subsídio de Natal a que nem todos terão direito.

A melhor forma de evitar que a despesa chegue a valores incomportáveis o melhor é retroceder um pouco na tecnologia e comodidade e passar a fazer compras com ‘dinheiro vivo’ e não com cartões de crédito ou de débito. Pelo menos de acordo com os resultados de uma investigação levada a cabo no MIT.

Na investigação em causa foi pedido aos participantes que fizessem licitações sobre bilhetes para um jogo dos Boston Celtics, sendo que a parte dos participantes foi indicado que poderiam pagar apenas em dinheiro e a outros que deveriam usar um cartão de crédito. Os resultados demonstraram que os sujeitos que teriam de pagar com um cartão de crédito estavam dispostas a fazer ofertas significativamente mais altas do que aqueles que estariam limitados a pagar em dinheiro.

Uma possível explicação para este facto tem a ver com a forma como o nosso cérebro processa a informação. Em termos básicos, sempre que vemos algo que nos agrada e que pretendemos comprar é activada uma parte do nosso cérebro designada por nucleus accumbens. Por outro lado, sentimentos como o sentimento de perda resultante do gasto do nosso dinheiro tão arduamente ganho activam outra parte do nosso cérebro chamada de insula. O poder de controlo – chamemos-lhe assim – que a insula tem sobre o nucleus accumbens reflecte-se no acto de compra: quando o sentimento de perda é superior ao desejo de compra, não compramos; quando o sentimento de perda é inferior, acabamos por comprar o produto. Até aqui nada de novo!

O que parece acontecer, é que quando usamos o cartão de crédito o nosso sentimento de perda é menor do que quando usamos notas ou moedas. Isto pode suceder pelo facto de a transacção não ser física, ou pelo facto de ainda não estarmos preparados – enquanto espécie – para lidar com a noção abstracta de dinheiro. Ou seja, os nossos cérebros ainda não processam este tipo de transferência da mesma forma que processam as transacções com dinheiro físico, o que é compreensível já que este modelo de negócio não existe assim há tanto tempo.

Embora ainda se trate de investigação que necessita de ser validade por mais estudos e aplicada a outras situações, a lição a levar para casa para os consumidores é a de que é melhor, em termos de poupança, de fazer compras com dinheiro físico do que com cartões de crédito. No caso das empresas, em especial para os bancos, o cenário ideal é o de incentivar o crescente uso de cartões.

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