Garantir os Lucros e Apostar nas Perdas

Ninguém gosta de perder algo, mas estamos dispostos a arriscar não perder! Os seres humanos são conservadores no que toca aos seus ganhos não estando dispostos a arriscar aquilo que conseguem obter. Por outro lado, quando a perspectiva é a de evitar uma perda, estão perfeitamente dispostos a arriscar mesmo que isso implique perder tudo.

Um estudo que veio demonstrar isso mesmo foi realizado por Amos Tverski e Daniel Kahneman (este último Prémio Nobel da Economia em 2002 o que é, ou não, surpreendente para quem é psicólogo). O estudo em questão colocou os sujeitos perante um cenário de uma epidemia de uma doença rara que, estimava-se, mataria 600 pessoas. No entanto, havia a hipótese de implementar um de dois programas capazes de combater essa situação e era necessário decidir qual o programa a adoptar. A verdadeira investigação centrava-se na forma como os programas eram apresentados.

No primeiro cenário as hipóteses à escolha dos sujeitos eram as seguintes:

Se o programa A for adoptado, duzentas pessoas serão salvas.
Se o programa B for adoptado, existe uma probabilidade de 1/3 de que 600 pessoas serão salvas e de 2/3 de que nenhuma pessoa será salva.

Com estes dados, cerca de 72% dos sujeitos optou pelo Programa A e apenas 28% pelo programa B. Isto aconteceu porque o Programa A garantia que 200 pessoas sobreviveriam à doença enquanto no Programa B, mesmo havendo a probabilidade de todos serem salvos, não existia essa garantia.

Para um outro grupo de sujeitos os programas foram apresentados com uma lógica diferente:

Se o programa C for adoptado, quatrocentas pessoas morrerão.
Se o programa D for adoptado, existe uma probabilidade de 1/3 de ninguém morrer e de uma probabilidade de 2/3 de morrerem seiscentas pessoas.

Neste cenário apenas 22% escolheram o Programa C enquanto que a clara maioria optou pelo Programa D. O que é estranho porque o Programa C daria origem ao mesmo resultado que o Programa A, sendo o mesmo aplicável entro o Programa D e o Programa B. O que mudou? O facto de se centrar a questão não na perda de vidas, mas sim no evitar da morte! O resultado prático é o mesmo, o impacto psicológico é claramente diferente.

Outros estudos vieram suportar estes resultados, demonstrando que poucas pessoas estariam dispostas a apostar $10 do seu dinheiro num jogo de cara-ou-coroa, ou que, quando confrontadas com uma probabilidade de 85% de perderem $1.000 – e de 15% de não perderem nenhum – ou de terem uma perda certa de $850, a grande maioria das pessoas optava por arriscar perder uma quantia maior.

Esta é um tipo de aritmética mental que tem sido usada em proveito próprio por parte dos casinos onde muita gente não sabe quando parar, preferindo apostar tudo com o intuito de recuperar as perdas do que parar de jogar e aceitar a derrota.

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