Gratuito a Mais

Ultimamente a palavra ‘Grátis’ tem sido cada vez mais usado em termos de modelos de negócio. Mais ou menos há 1 ano escrevi aqui sobre o assunto apresentando exemplos de estudos que demonstram o poder de persuasão do gratuito nas escolhas dos consumidores. Numa altura de crise económica cada vez mais as marcas procuram ‘oferecer’ algo aos seus consumidores no intuito de se manterem relevantes para os mesmos. Disso é exemplo um novo report da Trendwatching que fala do ‘Enduring Free Love’ com exemplos de mais modelos de produtos/serviços gratuitos que vão surgindo.

No entanto, quando tudo é grátis o que diferencia os produtos? Qual o valor dos mesmos?

Embora seja verdade que o gratuito gera atenção e atrai clientes, também o é que como modelo sustentável tem pouca viabilidade a longo prazo e com tantos ‘players’ a adoptá-lo. Assim que um produto se torna gratuito na cabeça dos consumidores, o mesmo perde valor em termos subjectivos. Se é grátis hoje, para quê pagar amanhã? E porque havemos de pagar algo por um produto quando existem que ofereça um similar de graça?

A verdade é que o preço continua a ser um atestado de qualidade: quanto mais caro, melhor! Daí que mesmo um mercado em crise continua a ser – menos é verdade – uma conjectura para marcas de luxo que distinguem os seus produtos não em termos de preço baixo, mas sim em termos de qualidade.

Durante a crise é mais do que certo que as vendas destes produtos ser irão ressentir. A questão essencial passa por saber quais as marcas que irão ter a ‘força’ necessária para evitar entrar em saldos e com isso perder o sentido de exclusividade a que estão associadas. Se toda a gente passar a usar um Rolex, a ter um mala Prada ou a conduzir um Ferrari o valor destas marcas irá cair e deixarão de ter o seu principal factor diferenciador.

Embora o gratuito seja um mercado interessante e que continuará a florescer, a verdade é que cada vez mais o ‘grátis’ é a norma e não a excepção. Com isso, perde-se o poder de atracção do modelo e acabar-se-á por atingir um ponto de saturação. ‘Tudo o que é demais, enjoa’ e mais tarde ou mais cedo os consumidores passarão a olhar para os artigos gratuitos com desconfiança; a mesma com que agoram olham para as ofertas promocionais! Entretanto as marcas que souberem aguentar a pressão de seguir a ‘manada’ e mantiverem o seu status de exclusividade voltarão a estar no topo assim que a crise for ultrapassada.

É que quando um produto se destaca pela qualidade ou pelos benefícios intangíveis que oferece, pouco há que a concorrência possa fazer. Mas não há nada que impeça um consumidor de passar de um produto gratuito para outro!

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