Estratégias das Campanhas Europeias

O Pedro Magalhães realça, e bem, a diferença existente entre a campanha para as Europeias do PS da dos restantes partidos. Nota o Pedro que o PS tem feito uma campanha mais ‘despersonalizada’ e que realça sobretudo os momentos históricos da adesão de Portugal à UE. Por outro lado, os partidos da oposição não só têm apostado forte nos seus candidatos como têm proposto slogans mais direccionados para a política interna. O Pedro questiona se a opção do PS é a mais correcta.

Pessoalmente acho que sim. A maioria dos eleitores não irá votar a pensar nessa coisa tão distante que é o Parlamento Europeu; irá votar pensando na política nacional e nas suas preocupações do dia-a-dia. A ideia por detrás da campanha do PS – penso eu – foi a de procurar retirar o foco destas eleições da política interna e evitar que o voto dos portugueses se torne num voto de ‘castigo’ ao executivo liderado por Sócrates.

Por outro lado, a oposição tem feito o seu papel de colocar as preocupações nacionais como o tema central destas eleições. E nesse aspecto, há que realçar o Bloco de Esquerda com os seus cartazes em que junta Sócrates e Durão Barroso com a excelente frase ‘Porreiro para quem, pá?’.

A verdade é que apesar da ideia por detrás da campanha do PS ser aquela que melhor serviria os interesses do partido, a sua execução não tem sido a melhor. Sobretudo porque Vital Moreira não tem estado feliz nas suas declarações. De tal modo que se assistiu a Sócrates a tentar ‘virar o bico ao prego’ pedindo aos eleitores para usarem as Europeias para castigarem a oposição pela falta de alternativas. Não me parece que esta última estratégia seja a melhor. Um partido que está no poder querer destacar-se não por ser o melhor, mas sim por ser o ‘menos mau’ não diz grande coisa de si.

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4 thoughts on “Estratégias das Campanhas Europeias

  1. mariana sousa

    Consulto a dissonância na perspectiva proposta pelo seu autor. Interessam-me as análises fundamentadas da realidade a partir dos conceitos da psicologia social. Acontece que quando o autor entra na área da análise dos fenómenos políticos perde a capacidade da análise cuidada o que transforma alguns dos seus posts em meras opiniões, “por acaso” claramente orientadas. Tem todo o direito de as emitir mas não num espaço que define de outro modo.
    Fica-se muito pelo “acho”, como por exemplo, o cartaz do RRio. Tudo bem se fizesse uma análise comparativa séria com outros cartazes, se aplicasse as grelhas de leitura e de significado, se fizesse uma análise de conteúdo, etc.
    O post de hoje é, de novo, um desvio à linha que o autor traça: parte da opinião do Pedro e acha coisas sobre as campanhas do PS e PSD.
    Com esta orientação pode ganhar leitores mas perde muitos outros.

    Responder
  2. Bruno Ribeiro Post author

    Cara Mariana,

    antes de mais agradeço o seu comentário porque as críticas negativas são tão importantes – ou até mais – do que as positivas. Mas deixe-me esclarecer alguns ‘equívocos’ que comete na sua análise:

    1. Os meus posts sobre fenómenos políticos, quando não referem um estudo científico sobre o tema, são de facto opiniões. Mas não são opiniões não fundamentadas; são feitas tendo como base os meus conhecimentos de psicologia social e do comportamento humano.

    2. Esses posts opinativos reflectem as minhas considerações sobre os temas e são por isso acompanhados de expressões tais como ‘acho’, ‘em minha opinião’, ‘do meu ponto de vista’… exactamente porque sendo convicções – como já disse fundamentadas nos meus conhecimentos – podem estar ou não correctas. Se tivesse meios apresentar-lhe-ia dados concretos em que poderia suportar as minhas análises. Como não tenho, apresento as minhas convicções. Ao contrário de muitos ‘pseudo-especialistas’ não me considero dono da verdade. Umas vezes acertou, em outras falho redondamente. Felizmente são mais as primeiras do que as segundas, mas sei aprender com os meus erros.

    3. Diz a Mariana que as minhas opinião são ‘por acaso’ claramente orientadas. Só ‘por acaso’ está redondamente enganada. Se de facto lê com frequência este espaço saberá que já aqui abordei criticamente – sempre de forma construtiva – abordagens ou estratégias tanto de PS como de PSD, e continuarei a fazê-lo sempre que considere pertinente. Posso desde já dizer-lhe que as minhas convicções políticas não têm reflexo na filosofia de nenhum partido português. Não tenho preferência por nenhum partido e abordo as suas filosofias de forma muito racional tendo em conta o contexto em que se inserem.

    4. Diz a Mariana que tenho todo o direito de emitir as minhas opiniões mas não neste espaço porque não o defino como um local para emissão das minhas opiniões políticas. Peço-lhe desculpa, mas quem decide o que deve ou não ser publicado neste espaço sou eu. Se eu considerar que um dado tema deve merecer um post neste blog, irei fazê-lo sempre!

    5. Deixa o aviso que com ‘esta orientação’ posso ganhar leitores mas perder outros. Eu escrevo aqui por gosto e porque gosto de partilhar as minhas opiniões e conhecimentos. Cabe a quem por cá passa decidir se os conteúdos do blog valem ou não a pena a visita. Não irei alterar a minha forma de encarar este blog no sentido de ganhar mais ou menos leitores porque não é isso que me motiva. Deixa-me satisfeito que a Mariana goste de por cá passar para ler os meus posts mais técnicos; haverá certamente quem considere que esses não representam o conteúdo mais interessante do blog.

    Espero que não deixe de visitar o blog por não concordar com os meus posts ‘políticos’. Até porque pode sempre usar a caixa de comentários para discordar e apresentar a sua visão, pois isso é o que de mais interessante os blogs têm: são bidireccionais!

    Com os melhores cumprimentos,
    Bruno Ribeiro

    Responder
  3. dpdanielparadinha

    Pois, aqui está um bom exemplo do “devias ter estado calada” lol.. Parece-me uma crítica desnecessária da parte da Mariana S. Posso afirmar que não foi a melhor maneira de “iluminar” o Bruno. Este assume o seu carácter opinativo e não pormenorizado inventado ou puxado, caso contrário seria considerado intelectualoide.

    Aproveito para dizer que o ACHAR, embora pareça sempre “humildezinho” acaba por ser a maneira correcta, não vamos nós pensar ser donos da verdade e do conhecimento e que a certeza de morte e impostos está longe de ser suficiente.

    A crítica da Mariana S. parece-me uma tentativa algo ingénua de se sobrepor à falta de pormenor do Bruno, por isso, desnecessária. Como se este fosse quase obrigado a seguir a tal linha supostamente pretendida ou “canonizada”.

    Obviamente não podemos ter a percepção certa de como, a vários níveis, a Mariana escreveu a sua crítica, refiro-me ao seu olhar, refiro-me ao seu timing de escrita, refiro-me também ás suas expressões faciais..

    Parabéns Bruno 🙂

    “Com esta orientação pode ganhar leitores mas perde muitos outros.” – Sabem o que o Camilo Lourenço comentador desportiva, político e de economia diria sobre isto? Talvez que os intelectualoides são os menos abrangidos e os mais elitistas, os menos percebidos portanto.

    Responder

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