Se mais exemplos fossem precisos os acontecimentos das última semana e meia vieram uma vez mais demonstrar que vivemos num Mundo hiperconectado em que o agora é cada vez mais curto. Os social media quebraram (quase) todas as barreiras comunicacionais e é cada vez mais difícil impedir que uma notícia não viaje pelo Mundo fora limitada apenas pela velocidade da ligação à Internet.
Isto exige que a capacidade de reacção e adaptação tem de ser imediata. Já não há tempo para planear, para ver como as coisas se desenvolvem antes de se responder. A capacidade de avaliação de uma situação e de decisão das escolhas mais acertadas – o que é diferente de escolhas certas – é algo que os profissionais actuais têm de desenvolver para poderem ‘sobreviver’ e evoluir no mercado laboral. E esta é uma realidade que não se reporta apenas aos meios noticiosos, emboram sejam estes aqueles que mais facilmente associamos a constante actualização e monitorização dos acontecimentos. Também as empresas têm de começar a perceber as vantagens de monitorizar os acontecimentos globais no sentido de evitar crises e/ou aproveitar ‘marés’ proveitosas.
A crise iraniana, a morte de Ed McMahon, de Farrah Fawcett e – o acontecimento de maior impacto – a morte de Michael Jackson criaram um verdadeiro furacão mediático que testou as capacidades dos principais jornais e sites noticiosos de se adaptarem minuto-a-minuto aos acontecimentos. Mas, centrando-me exclusivamente no caso de Michael Jackson, também estes acontecimentos testaram a capacidade das empresas de se adaptarem ao ritmo do Mundo.
No dia 26, através de um retweet do Miguel Albano, fiquei a saber que a morte de Jackson estava a ser usada para um esquema de spam. Pouco depois recebi uma sms da Optimus a promover um serviço de download de músicas do cantor norte-americano. E certamente outros exemplos haverá. Para muitos isto será um aproveitamento ‘vergonhoso’ da desgraça alheia; para outros, onde me incluo, é um bom exemplo de adaptação de uma empresa ou indivíduo ao ciclo noticioso. Mas ainda assim, é bom notar que a adaptação não foi imediata nem sequer por lá esteve perto. Entre o conhecimento da notícia e sms da Optimus passou quase 1 dia completo.
Mas outras empresas não foram capazes de responder à situação, como aconteceu com a FNAC. No dia 26 desloquei-me à FNAC do MarShopping à hora do almoço e não vi ser dado qualquer destaque à discografia de Jackson, pese embora estar a decorrer uma campanha de descontos em cd’s. No dia seguinte à morte do homem que lançou o disco de maior sucesso de todos os tempos, uma loja especializada não tinha qualquer destaque para o seu trabalho. Basta um visita à seccção de Music da Amazon britânica para ver que todos os tops estão dominados por Michael Jackson. É evidente que é mais fácil alterar algo online do que fisicamente, mas ainda assim parece-me que a FNAC, ou aquela loja em particular, perdeu uma oportunidade clara.
A lição a retirar de todas estas situações é que, hoje em dia, nenhuma empresa pode dar-se ao luxo de estar ‘desligada’. Estar atento ao mercado é uma necessidade cada vez maior quer online quer no ‘mundo físico’. As empresas que se souberem adaptar e desenvolver competências para responder com rapidez às exigências e variações dos focos de atenção dos consumidores serão aquelas que estarão em melhores condições para prosperar.
