Gen X e Y em Portugal: Estudo Interessante da Brand Oaks

Via Brief do Lombo, tomei conhecimento desta apresentação da OAK Brands sobre as Gerações X e Y de Portugal. Antes de sequer tecer qualquer comentário, recomendo que vejam a apresentação e reflictam sobre a mesma porque vale a pena


Começo por tecer críticas – construtivas claro está – sobre a metodologia. 200 inquéritos é pouco, sobretudo quando centrados apenas em Lisboa e Porto, ou melhor quase apenas em Lisboa com 72% dos inquiridos. A amostra deveria ser maior e deveria ser mais diversificada no que toca à localização dos inquiridos. Da mesma forma, ao escolher apenas a vertente online, a Brand Oaks acaba por enviesar os resultados com uma tipo de amostra que pode ou não ser representativa da população que se pretende estudar. Acredito que seja, mas é sempre preferível ter certezas. Compreendo no entanto o porquê de se utilizar uma solução online já que permite minimizar – e de que forma – os custos!

O formato das questões – com opções de resposta de ‘Concordo’, ‘Discord0’ ou ‘Indiferente’ – não me parece de todo ser o melhor para aquilo que se pretende obter. Isto é um pouco ‘defeito de fabrico’ mas penso que, pretendendo-se obter graus de concordância com certas afirmações, é sempre preferível recorrer a escalas de Likert. Usando este método estar-se-ia a dar aos inquiridos mais variantes dentro do nível de concordância e com isso obter respostas mais próximas daquilo que são as atitudes reais das pessoas.

Passando um pouco para os resultados, existem dois que me chamaram a atenção porque penso que não reflectem a realidade. No que toca à confiança nos meios de comunicação em geral, sem surpresa as pessoas confiam sobretudo nas recomendações de familiares, amigos e conhecidos. No que toca à chamada web 2.0, apesar de 2% afirmar confiar muito na informação aí veiculada a maioria (58%) confia pouco ou não confia. O meu problema com estes resultados, e que é igual para todos os estudos que têm sido feitos sobre este tema, está no facto de haver uma grande sobreposição entre as duas categorias, o que impede de se saber ao certo qual a confiança depositada pelas pessoas na web 2.0 porque existe uma clara diferença entre um blog ou um tweet de uma pessoa conhecida e o de um desconhecido. E o mesmo ocorre se em causa estiver alguém considerado um expert vs uma pessoa sobre a qual não temos referência.

Não me surpreende que os inquiridos indiquem que não confiam ou confiam pouco nas mensagens publicitárias e nos media. O que também não é verdade, diga-se. O mais correcto seria ‘as pessoas acham que’ ou ‘as pessoas não admitem que confiam’. Os seres humanos têm claras dificuldades em sinalizar os canais que os influenciam e tendem a avaliar que são menos influenciáveis do que todos os outros. E o que é que a influência tem a ver com a confiança? Tudo! Se não confiássemos na informação não éramos influenciados por ela, por muito que o neguemos.

O outro dado que considero ‘interessante’ prende-se com os hábitos de consumo nomeadamente com a importância que determinados parâmetros têm na definição de uma compra. 30% dos inquiridos diz que valoriza pouco o valor emocional de um produto, enquanto que 10% afirma que não valoriza este aspecto! Tretas! Se as pessoas tivessem consciência daquilo que influencia as suas escolhas, a resposta a esta questão seria de que 100% das pessoas valoriza muito este aspecto na compra de um produto! Tudo aquilo que nós fazemos – e no caso de compras isso é por demais evidente – está dependente da nossa relação emocional com o objecto em análise. Já aqui por várias vezes dei exemplos de como as emoções definem o nosso comportamento. As respostas a esta questão são explicadas pelo facto dos seres humanos procurarem sempre argumentos racionais que expliquem os seus comportamentos!

Já vai um post longo e apenas com críticas, mas na realidade acho que estas críticas – que se destinam somente a aspectos metodológicos e a artefactos resultantes de se entrevistarem pessoas – incidem sobre o aspecto menos relevante deste estudo. É interessante ter dados quantitativos, mas acho mais relevante os insights que a equipa da Brand Oaks via fornecendo! Simples e facilmente aplicáveis! Volto a reiterar: este estudo é para ler e guardar! Acho que é o maior elogio que posso fazer a quem o elaborou!

4 thoughts on “Gen X e Y em Portugal: Estudo Interessante da Brand Oaks

  1. Pingback: PARA LER COM CALMA, PARTILHAR E COMENTAR POR AÍ | recolhas | : fractura.net!

  2. pedro rocha

    Olá Bruno,

    Obrigado pelas críticas ao trabalho que fizemos; Concordo com muitas das tuas reacções.

    200 inquéritos não representam, de todo, as gerações que nos propusemos estudar. Mas pode servir para indiciar alguns comportamentos daquela franja. Escolhemos os entrevistados no universo online e nas grandes urbes porque tendencialmente estes indivíduos têm um poder de partilha, persuasão e divulgação de comportamentos sociais mais relevantes na sociedade actual, ajudando a definir estilos de vida enquanto early adopters. Acreditamos que é aí que reside a relevância do estudo, apesar do pouco alcançe estatístico do estudo – no estudo dos influenciadores da geração X e Y, mais do que o mainstream das mesmas.

    Obviamente que as respostas, quer relativamente aos hábitos de consumo, quer relativamente à confiança nos meios, representam processos de pós-racionalização. Também eu concordo que o benefício emocional é de longe o mais importante. Mas, tal como descrito no estudo, achamos que a utilidade encerra em si um benefício emocional, de justificação do processo de compra, que é algo com que as pessoas se deparam em muito no dia a dia e que as marcas devem perseguir com mais afinco.

    Vamos guardar as tuas críticas para construir melhor conteúdo no futuro. E, se esiveres disponível para nos ajudar a construir estudos noutras alturas, gostávamos de te contactar para discutir metodologias, hipóteses a testar e outras ideias que tal.🙂

    Obrigado pelo interesse!

    Pedro Rocha

    http://www.oak-brands.com

    Responder
    1. Bruno Ribeiro Post author

      Olá Pedro,

      estarei à vossa disposição sempre que achem pertinente! É sempre de louvar este tipo de estudos centrados no mercado nacional. Assim como é de louvar a atitude tão pouco portuguesa de partilhar os resultados de uma forma facilmente exportável.

      Responder
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