Promover Portugal como Marca de Origem

A AEP lançou uma nova campanha que procura promover os produtos nacionais junto dos consumidores portugueses. A campanha, intitulada ‘Portugal, a minha primeira escolha’, vem no seguimento da iniciativa ‘Compro o que é nosso’ e pretende divulgar a qualidade dos produtos made in Portugal tornando-os apelativos a um povo cuja auto-estima não está assim muito elevada e que olha com desconfiança para aquilo que por cá vai sendo criado.

A iniciativa é louvável e, diria mesmo, necessária para revitalização da economia nacional. Em Portugal produzem-se artigos de elevada qualidade, reconhecidos internacionalmente. Nada contra a campanha, muito pelo contrário. Mas lendo a notícia no site da AEP constato o quanto ainda em Portugal se desconhece sobre as reais motivações dos consumidores. Destaco este parágrafo:

Hoje, não têm justificação as opções de consumo fundadas unicamente na proveniência de um produto ou serviço. Num mercado maduro como o nosso, submetido a crescentes mecanismos de regulação e de supervisão, os consumidores portugueses têm ao seu alcance condições de escolha e de escrutínio da qualidade e de garantia de satisfação dos produtos que compram idênticas às da generalidade dos países da União Europeia. É tempo, pois, do que é fabricado em Portugal deixar de ser discriminado por razões que têm a ver apenas com a origem.

A desconfiança em relação aos produtos nacionais tem toda a justificação e lógica! Durante anos as pessoas foram ‘aprendendo’ a valorizar aquilo que vinha de fora e a desvalorizar o produto nacional. Como tal, é mais do que justificada que a marca ‘made in Portugal’ seja olhada com desconfiança. Os produtos nacionais são discriminados pela sua origem porque a marca Portugal é fraca! Pura e simplesmente isso!

E por mais que estas campanhas sejam importantes, a AEP não pode por decreto decidir que os consumidores vão deixar de olhar com desconfiança para os produtos portugueses. Para isso acontecer é preciso mais do que campanhas publicitários em praias e unidades hoteleiras – péssimas escolhas, adianto já! É preciso mostrar a qualidade do produto, é preciso dar exemplos de que as empresas nacionais têm capacidade para concorrer internacionalmente. E uma boa forma de o fazer é deixarem-se de campanhas publicitárias e apostarem na melhoria dos serviços. O nível de atendimento ao cliente e dos serviços de apoio as clientes das empresas nacionais é ou inexistente ou completamente desajustado.

Se querem que os consumidores portugueses apostem no produtos nacionais, está na hora de começarem a apostar nos consumidores portugueses! Em tudo o caso, quero ressalvar que a AEP faz mais pela promoção de Portugal como marca de origem do que muitas outras entidades que têm tanta ou mais responsabilidade em fazê-lo!

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