Destruir a Teoria do Arrefecimento Global da Compal

A Compal lançou há já algum tempo uma publicidade que apresenta a sua teoria do arrefecimento global para promover a linha Compal Fresh, como podem ver abaixo:

A publicidade seguem uma série de premissas que encadeadas levam à solução lógica de que beber Compal Fresh leva ao arrefecimento do planeta. O que em si levaria a uma menor necessidade de beber Compal Fresh, mas pronto. Mas a verdade é que, assumindo a mesma linha de pensamento do anúncio podemos formar o seguinte silogismo:

Para termos um planeta mais fresco precisamos de um planeta com mais água.
O aquecimento global irá derreter o gelo dos pólos, aumentando o nível de água do planeta.
Logo, para termos um planeta mais fresco devemos contribuir para o aquecimento global.

9 thoughts on “Destruir a Teoria do Arrefecimento Global da Compal

  1. Armando Alves

    Mais água (por via do aquecimento global) não te dá um planeta mais fresco. Simplesmente dá um planeta com mais água.

    Por mais rebuscado que seja o raciocínio criativo, o facto é que beber um sumo (ou beber água), por regra, deixa-te mais refrescado. Se o objectivo da publicidade for criar desejo e mudar comportamentos, o anúncio cumpre.

    Responder
  2. Bruno Ribeiro Post author

    Armando,

    de acordo com o spot: um planeta com mais água, é um planeta mais fresco. Logo, assumindo essa lógica, qualquer iniciativa que leve a um aumento de água no planeta resultará num planeta mais fresco. Como tal, se apoiarmos o aquecimente global iremos contribuir para um aumento do nível de água dos mares e oceanos o que irá conduzir a um planeta mais fresco (uma lógica que tem validade científica).

    A questão que coloco ao raciocínio é que facilmente é alterado para atacar a premissa inicial do anúncio. Deviam ter deixado ficar o argumento pela parte da diminuição do efeito de estufa. A parte de ‘tomar menos banhos’ e com isso gastar menos água e o planeta ficar mais fresco por ter mais água era desnecessário. Não acrescenta nada ao argumento e acaba por enfraquecer a lógica do mesmo.

    Não coloco em causa se o anúncio cumpre ou não, e também não sei se há vontade de estudar isso. Sei que quando o vi pela primeira vez foi demasiado maçador para prestar atenção, e só a tirada final me chamou a atenção. Tive que procurar na net para ver qual era a marca. Claro que isso não significa que não tenha resultado com outras pessoas. Mas na mesma sessão de cinema onde vi o spot, foi passado um da SuperBock com a mesma duração que me chamou a atenção e que me deu vontade de beber uma cerveja. Again, isso sou eu não posso falar pelos outros.

    Disclaimer: sou cliente SuperBock e Compal Fresh.

    Abraço

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  3. Rui Moio

    1. – Sem dúvida que este é um óptimo exemplo do que é a Dissonância Cognitiva. Perante situações adversas a pessoa humana encontra sempre mecanismos conducentes a resolver mentalmente os conflitos internos mesmo que a solução a encontrar seja algo completamente ilógico ou irracional, como é o caso do exemplo dado.

    2. – Neste quadro, se explica a proliferação de situacionistas que logo ocorre numa sociedade, sempre que oconteça uma alteração política que em termos de valores seja diferente e mesmo contrária à anterior.

    3. – E, assim se esplica também parte do êxito da adesão das massas metropolitanas e de alguma parte das forças vivas do Ultramar ao golpe de estado do 25 de Abril de 1974.

    4. – Hoje, perante as dificuldades económinas acrescidas dos últimos anos, já aparecem alguns políticos e analistas que acusam o regime político actual da situação que se vive.

    5. – Mas, quase ninguém defende que a génese do nosso problema nacional está, não apenas no que se fez ou deixou de se fazer nos últimos 10 a 20 anos, mas, no próprio nascimento do actual regime político; pois, este regime foi parido por uma grande traição aos valores permanentes da portugalidade e da nação portuguesa no seu todo pluricontinental e pluriracial de sempre, ou seja, nasceu da entrega traiçoeira e acobardada do Ultramar ao inimigo do todo da Nação Portuguesa e do desvirtuar da nossa identidade de sempre, que foi e terá de continuar a ser, Africana, Atlântica e Ecuménica.

    Rui Moio

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  4. Armando Alves

    Às vezes temos que tirar os chapeus de profissionais que estão constantemente a esmiuçar as peças de comunicação. Vá lá compreender totalmente os comportamentos das pessoas.

    Não vês a figura de quem comentou depois de ti? Que raio lhe passou pela cabeça para vir falar sobre “situacionismo” e “forças vivas do Ultramar”, num post sobre arrefecimento global ….
    🙂

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  5. Rui Moio

    Quanto ao parágrafo 1:
    Creio que o proprietário do blogue Dissonância Cognitiva postou o “Destruir a Teoria do Arrefecimento Global da Compal” porque relacionou um determinado anúncio com o fenómeno psicológico denominado “Dissonância Cognitiva”. Se assim foi, eu quis corroborar essa opinião. Em meu entender, julgo que se pode relacionar este anúncio publicitário (que tem por objectivo encrementar o consumo de um produto comercial) com a Dissonância Cognitiva.

    Quanto aos parágrafos 2 e 3:
    Relacionei a Dissonância Cognitiva com a alteração de posicionamento de um grande número de pessoas quando confrontadas de repente com circunstâncias ambientais diferentes ou mesmo contrárias às que existiam antes de ocorrer um “clic” da mudança. E isto aconteceu nos momentos imediatamente posteriores ao golpe de estado do 25 de Abril de 1974: de repente, um grande número de pessoas adeptas do regime deposto assume-se defensora do novo regime político.
    Os situacionistas são os que optam por estar com a situação. Ora, a Dissonância Cognitiva procura a paz interior e o fim da conflitualidade perante situações exteriores (ambientais) adversas.
    Creio que, também aqui, se aplica a Dissonância Cognitiva.

    Quanto ao parágrafo 4:
    Hoje, perante o crescente descontentamento da opinião pública face à gravíssima crise económica, de falta de valores e de identidade nacional, já alguns conseguem abertamente contradizerem os que fizeram a opinião dominante durante os últimos 35 anos da vida nacional, e isto acontece quando defendem que a crise que se vive não é senão resultado da actuação económica e até política dos governos dos últimos 10 a 20 anos.
    Também aqui, no tentar-se explicar a crise e até no apontar caminhos que possam levar a sair-se dela, se aplica a Dissonância Cognitiva.

    A Dissonância Cognitiva ao tempo do 25 de Abril de 1974 deveu-se a uma concordância de cada um com a grande opinião das massas e esta era, na metrópole sobretudo, de apoio aos militares rebeldes.
    Para apaziguar os ânimos dos mais cépticos, os golpistas arvoraram a bandeira da democracia, da liberdade de expressão, de que a guerra estava perdida, que a guerra no ultramar era injusta, que Portugal estava isolado no mundo, que a guerra já durava há muitos anos e que o povo estava cansado dela, que nunca se ganha uma guerra de guerrilhas, que o poder político demorara demasiado tempo a resolver o conflito pois ele apenas poderia ser resolvido politicamente, etc, etc,…

    Quando ao parágrafo 5:
    Os mais contestatários e críticos desta situação ainda não estão em condições de afirmar abertamente que o mal advém de há 35 anos, ou seja, radica-se num regime que nasceu da traição e do desvirtuamento de valores permanentes do povo e da nação portuguesa e que esses valores assentam na africanidade, na visão atlântica e ecuménica da nação portuguesa. Sempre assim foi e, necessariamente terá de ser, sob risco de se perder a independência nacional.
    Creio que, também aqui, se aplica a Dissonância Cognitiva. As forças ambientais nacionais e internacionais são ainda muito fortes de modo a que os analistas defensores desta linha possam abertamente defendê-la sem serem silenciados.

    Rui Moio

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  6. Filipe Macedo

    Apesar de concordar com o post prévio, nomeadamente com o relacionamento da dissonância cognitiva e as alterações socio politicas, gostaria de ser mais focalizado e não divagar muito.

    Por isso pergunto o seguinte, fazer a garrafa, tampa,rotulo e produzir o respectivo conteudo que constitui a composição do liquido denominado compal fresh não necessita do dispendio de energia?

    Se sim, está forçosamente a contribuir para o aquecimento global, restando-me dizer que se querem realmente ser fresh bebam um copo de agua da torneira que aquece menos o planeta.

    Se se quiser ir pelo prisma do anuncio, que afirma que um planta com mais agua é um planeta mais fresco, tambem aí se encontra uma falha critica…

    Mais agua não significa maior frescura.

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  7. Inês M

    Só um reminder: este spot está associado ao contexto de lançamento de uma campanha/ movimento 36o que ocorreu em 2008 ou 2007/2008. Talvez grande parte da dissonânica cognitiva aqui alegada face a este caso específico se prenda precisamente com uma leitura fora de contexto.

    Porque a leitura em consonância quer-se sempre com texto.

    E este ponto dava toda uma análise sobre a importância do mesmo nos processo de leitura e interpretação daquilo a que somos expostos, do ponto de vista de mensagem.

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