Web Social e Turismo: Realidade e Futuro

Recentemente li um artigo de opinião de um director de um agência com vários balcões por todo o país onde se defendia que a Internet, e mais concretamente a web social, não conseguia dar informação específica que só os agentes de viagem conseguiam transmitir aos turistas. Nesse artigo enumerava uma série de questões – como qual o melhor restaurante numa dada cidade – que fui respondendo à medida que lia o artigo recorrendo a vários sites e plataformas da web social. Sem ter de me deslocar a qualquer agência de viagem, sem sequer ter de me levantar do meu sofá e enquanto lia um artigo de opinião numa revista.

O sector do turismo é um daqueles onde o impacto da web social mais rapidamente se fez sentir. A quantidade de sites cujo conteúdo é criado exclusivamente pelos utilizadores dedicados ao turismo é imensa e a sua procura também. O canal online é cada vez mais importante na difusão de informação e na procura de dicas a nível turístico.

Curiosamente, ou talvez não, a resistência do sector, sobretudo ao nível das agências de viagem é grande. E compreensível! De um momento para o outro passaram de competir entre si, para competir com praticamente todas as pessoas que criam e partilham conteúdos online. De acordo com dados de 2008 da Forrester, 10% dos turistas europeus criam conteúdo online e 19% são críticos, comentando em blogs e fazendo críticas e análises online.

O recente Eurobarómetro do Turismo veio uma vez mais demonstrar a importância das opiniões de familiares e amigos no processo de decisão, mas também a crescente importância dos meios online para este mesmo processo. De acordo com os dados do inquérito a cerca de 30 mil turistas europeus a fonte de informação mais procurada para tomar decisões relativa a destinos de férias são os familiares e amigos (58%) que podem dar relatos directos. Em segundo lugar, surge a Internet (42%) bem à frente dos meios tradicionais de obtenção de informação ao nível do turismo: agências de viagem (22%), catálogos e brochuras (14%), guias e revistas (12%) e media (9%). Mais curioso, o único meio de informação que verificou um aumento significativo, face à vaga anterior, ao nível da confiança dos turistas foi precisamente a Internet (de 38% para 42%).

A vantagem da web social passa por precisamente conjugar estes dois factores: internet + familiares/amigos. Por muito difícil que seja aceitar esta realidade, este será o canal essencial para a divulgação turística nos próximos anos. Não estar presente nestas plataformas é praticamente o mesmo que não existir para uma cada vez maior fatia dos potenciais clientes. Em Portugal, onde o sector turístico é claramente fundamental, ainda há quem acredite que estes novos meios não passam de moda. Por outro lado, na vizinha Espanha – concorrente directo e um dos destinos mais procurados pelos turistas europeus – a aposta não podia ser mais clara com o lançamento da campanha Spain, a Country to Share que aposta claramente nesta plataformas para fazer passar a mensagem turísticas espanhola. Por cá continuamos a resistir e a enfiar a cabeça na areia.

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