A Galp e as Vuvuzelas no Facebook

A febre do Mundial alastra-se e é quase impossível não ser afectado pela mesma. Em termos positivos e negativos. Como era de esperar, o país distrai-se com questões mais prementes – como a crise – para se unir em torno da selecção (mesmo aqueles que não apoiam acabam por seguir o tema com atenção, nem que seja para depois poderem criticar). É uma das maravilhas (e um dos problemas) do futebol de selecções: assim que a bola começa a rolar (e até antes) todos se unem em torno de um objectivo comum. Paul Auster disse, não sem alguma razão, que o futebol veio substituir a guerra no Velho Continente como símbolo de patriotismo e de união em torno de uma bandeira.

Sem surpresas, o Campeonato do Mundo é também uma oportunidade de ouro para as marcas se relacionarem com os seus consumidores e tentar aproveitar a onda de euforia em seu proveito. Caso em questão a Galp, que já leva largos anos de apoio à Selecção Nacional no intuito de melhorar a percepção dos consumidores a seu respeito. No geral, a Galp tem tirado bom proveito com a sua campanha de energia positiva no apoio à Selecção portuguesa. Este ano a empresa resolveu usar a “figura” controversa da vuvuzela (a FIFA ponderou proibir a entrada do instrumento em jogos do Mundial) como tema central da sua campanha de apoio. A ideia é simples: nos postos da Galp os consumidores podem adquirir vuvuzelas que deverão ser usadas no início dos jogos para transmitir o apoio dos portugueses à Selecção. A ideia em si é interessante (por muito que eu deteste o barulho do raio da corneta) e procura reunir os portugueses em torno de um objectivo comum com a Galp como elemento facilitador.

A campanha tem também a sua presença oficial no Facebook, onde são distribuídos conteúdos em torno da mesma. Até ao momento, a página “Vuvuzelas pela Selecção – Vamos lá Portugal” conta com 17.008 aderentes (a mudança de terminologia do Facebook torna mais difícil classificar as pessoas que seguem uma página), um número bastante interessante para uma página que foi iniciada em Abril. Em termos de adesão podemos considerar um caso de relativo sucesso: conseguiram angariar um elevado número de seguidores em pouco mais de 1 mês, mas tendo em conta o objectivo da campanha seria de esperar um pouco mais.

A beleza da web é que dá a oportunidade aos dois lados de um argumento de exporem o seu caso. Não é surpresa portanto que tenham sido criadas páginas contra as vuvuzelas e contra a Galp. A página em questão tem o nome de “A GALP que meta a VUVUZELA no cú e baixe o preço da gasolina!!!” que não poderia ser mais explícito quanto ao descontentamento para com a campanha e para com as políticas de preço da Galp, mas também do mercado em geral. Esta página tem ao momento 86.508 membros. Por cada pessoa que aderiu à página de campanha da Galp, 5 aderiram à página contra essa mesma campanha.

Não quero com isto dizer que a Galp não deveria ter feito a campanha ou ter criado uma página no Facebook, ou que a campanha não é um sucesso. Tendo em conta a quantidade de vuvuzelas que se vão ouvindo, penso que se pode afirmar que a campanha está a ter uma boa aceitação. O que duvido é que a campanha tenha um impacto positivo significativo na imagem que os consumidores têm da Galp. Porque a Galp não é um grupo de apoio à Selecção, mas sim uma empresa prestadora de um serviço em que o preço é uma componente fundamental na relação com os consumidores.

Este caso da Galp é sobretudo um bom exemplo do que as empresas podem e devem esperar das suas iniciativas na web social, sobretudo se não têm um reputação muito positiva com os seus clientes. Há sempre quem não esteja satisfeito e esteja disposto a divulgar a sua opinião. E o mais provável é que essa corrente mais negativa tenha maior adesão e maior participação por parte dos seus membros. Basta comparar a participação das pessoas nos dois grupos para isso ser evidente. Não deve ser visto como um sinal de que é melhor ficar fora da web social; quer a Galp estivesse presente ou não com a sua página, as críticas e o apoio estariam presentes. É um bom exemplo para perceber que o diálogo só está à espera que as marcas resolvam participar dele.

Imagem: Rainbow blowers, by Coca-Cola Sout Africa

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