A Morte dos Sites e do Triunfo do Facebook?

O apelo das redes sociais tem levado a uma maior aposta das marcas nestas plataformas. De tal forma que é cada vez mais comum ver iniciativas publicitárias que redireccionam os consumidores não para o site da marca ou para um mini-site do produto em questão, mas sim para a página do Facebook da mesma (ou no caso nem isso). O aumento do interesse é tal que a eMarketer prevê quem em 2011 o investimento a nível global de publicidade em redes sociais seja de 4.3 mil milhões de dólares, o que representa um crescimento de cerca de 68% face ao investido em 2009 (cerca de 2.6 mil milhões de dólares). Um outro estudo realizado pela King Fish Media junto de marketers indica que cerca de 75% prevê aumentar o seu investimento em redes sociais, sendo que desses 21% iriam desviar recursos actualmente alocados aos media tradicionais.

Este aumento de interesse e investimento era previsível com o crescimento das redes sociais, nomeadamente do Facebook que ultrapassou recentemente a barreira dos 500 milhões de utilizadores. De tal forma a plataforma liderada por Mark Zuckerberg se tornou fundamental que a passada semana a AdAge lançou um artigo onde se discutia a importância central do Facebook para as marcas já que muitas deles conseguiam reunir nas suas páginas da plataforma mais pessoas do que aquelas que visitam regularmente os seus sites oficiais, apontando mesmo uma quebra no número de visitas a essas propriedades online.

Quer isto dizer que os sites estão a “morrer” e que deverão dar lugar a páginas no Facebook e a presenças em outras redes sociais?

Embora quase pareça ser isso que o artigo da AdAge indica numa leitura mais apressada, não creio que isso seja o que está a acontecer nem sequer o caminho que se deva seguir. Em primeiro lugar porque existe uma diferença de comportamento entre quem visita o site de uma empresa e quem a segue nas redes sociais. Não quero com isto dizer que se tratam de públicos diferentes (embora isso possa acontecer), mas sim que os objectivos normalmente são distintos. E em segundo porque, apesar do número de page views poder ser inferior ao número de pessoas que seguem a marca nas redes sociais, o verdadeiro conteúdo da marca está no seu site, é essa a sua propriedade e, faz sentido, que as iniciativas levadas a cabo nas redes sociais tenham como objectivo conduzir os consumidores às propriedades da marca, sejam elas online ou offline (isto é, obviamente, redutor na medida em que é perfeitamente possível criar uma iniciativa no Facebook ou no Twitter que não tenha essa objectivo, como seja utilizar as plataformas como meios de apoio ao cliente). A respeito da contínua importância estratégia dos websites corporativos recomendo a leitura deste artigo de Pete Blackshaw também na AdAge.

É preciso notar que a crescente importância dada às páginas das marcas/produtos nas redes sociais resulta do facto de os marketers, na procura de estarem presentes nos locais onde os seus consumidores estão (sempre à procura do maior número de eyeballs na maioria dos casos), apostarem cada vez mais nesta plataforma o que por si leva a que mais consumidores sigam a marca/produto no Facebook. É na realidade uma profecia auto-realizável. A este respeito recomendo também a leitura deste post no ChasNote (hat tip para o Armando Alves).

Não me parece que os sites corporativos estejam para ser substituídos (pelo menos no futuro próximo) por páginas em redes sociais, e negligenciar as propriedades online à procura da nova moda não me parece ser de forma alguma a melhor estratégia a seguir. O conselho que deixo (com novo hat tip para o Armando) é este:

Imagem 1: AdAge

Imagem 2: Keep Calm and Carry On, by cromacom

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3 thoughts on “A Morte dos Sites e do Triunfo do Facebook?

  1. Pingback: Tweets that mention A Morte dos Sites e do Triunfo do Facebook? | Dissonância Cognitiva -- Topsy.com

  2. Gabriel Cunha

    Obrigado. Post interessante. Realmente as redes socias tornam-se uma das melhores ferramentas para as empresas interagirem com os seus clientes, para o bem e para o mal!

    Responder
  3. Pingback: A Ilusão do Facebook ou Como os Marketers Provaram do Seu Próprio Veneno | Dissonância Cognitiva

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