Acções Pro-Sociais Reais Através do Facebook

A capacidade de transmissão de informação e conexão entre indivíduos torna o Facebook uma plataforma de grande potencial para a realização de acções de cariz social. Não me refiro apenas à possibilidade de apoiar várias causas ou de criar movimentos sociais, mas também de resolver e promover questões mais individualizadas. Dois casos recentes atestam bem essa capacidade e a forma como pode ser posta em prática. Na Holanda foi criado um movimento de apoio a uma toxicodependente na sua luta para se livrar da adição, e do Reino Unido chega o uso de anúncios do Facebook por parte das forças policiais na procura de pistas de um homicídio. Vejamos cada um dos casos.

Criar uma Rede Social na luta contra a droga

A ideia é da agência de branding holandesa Lemz e tem como protagonista Monica, uma toxicodependente de 37 anos que procura deixar o mundo da adicção. Sendo a rede social de Monica composto também por toxicodependentes torna-se complicado fugir desta realidade. O objectivo desta acção é o de criar uma rede social online de apoio que lhe permita livrar-se das drogas e prosseguir com a sua vida.

Em termos teóricos trata-se de uma ideia muito interessante e com grande potencial para resultar. A rede social de uma pessoa é uma das principais influências no seu estilo de vida, pelo que é importante que pessoas que procuram escapar de um comportamento adictivo ou auto-destrutivo possam contar com exemplos e apoio de outros que não pratiquem esses mesmos comportamentos. Por outro lado, há um assumir público de um compromisso por parte de Monica em esforçar-se para vencer esta batalha o que, como sabemos da norma da consistência, torna mais provável que efectivamente se empenhe em deixar as drogas. Podem ver o vídeo de anúncio da campanha abaixo:

Procura de pistas para resolver um homicídio

O recurso a plataformas de redes sociais por parte de forças policiais não é uma novidade e trata-se de algo que apenas está numa fase de lançamento e maturação antes de se tornar comum. Através de plataformas como o Facebook, Youtube ou Twitter já foi possível, um pouco por todo o Mundo, capturar criminosos ou reunir provas. No entanto, ainda não tinha conhecimento do uso dos anúncios do Facebook para este propósito como aconteceu no Reino Unido. O Avon and Somerset Constabulary recorreu a este meio no intuito de obter informação que possa ajudar na investigação do homicídio de uma mulher em Bristol.

Este caso deixa-me num estado mais ambivalente. A ideia é interessante e pode permitir à polícia contactar com potenciais testemunhas às quais dificilmente teriam acesso, até porque muitas delas podem nem ter noção de que dispõe de informação relevante sobre o crime ou mesmo da ocorrência do mesmo. Uma das justificações para o recurso a anúncios do Facebook por parte das autoridades foi o facto de se tratar de um site onde a grande maioria das pessoas acede. Recorrendo aos dados do próprio Facebook o anúncio poderá ter atingido mais de 360 mil utilizadores. Também é possível que este anúncio leve a que a polícia possa receber muitos contactos de pessoas que nada de útil tenham a acrescentar ou cuja informação possa mesmo prejudicar a investigação. A possibilidade do choque de se deparar com um anúncio deste tipo por parte de um familiar ou amigo da vítima também é outro factor que me deixa um pouco mais céptico quanto a esta iniciativa.

Nenhum dos casos é especialmente único ou representa uma total novidade, mas surgem numa altura em que a transposição de esforços online para resultados no mundo analógico começa a ser uma preocupação cada vez maior por parte dos promotores de tais iniciativas. Não sei se são representativos de uma tendência ou se são apenas actos isolados, mas torna-se necessário que o tempo dispendido no Facebook seja capaz de ser alavancado com acções com impacto práctico. Para bem da sociedade, mas também da própria plataforma.

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