Optimismo: Um Pouco de Benção e um Pouco de Maldição

Desemprego num nível histórico. O país a precisar de ajuda externa. A perspectiva de mais anos de contenção e de dificuldades. O cenário actual em Portugal, tal como em outros países pela Europa fora, não é o mais animador. Não é portanto de admirar que os portugueses se sintam pessimistas quanto ao futuro, com previsões pouco animadoras para os próximos tempos. Mas se o cenário ao nível das condições do país é este, será que o mesmo se reflecte a nível privado? Será que cada um de nós se sente tão pessimista quanto ao nosso futuro do que quanto ao futuro do país?

A acreditar em vários estudos ao nível da psicologia do optimismo é de esperar que individualmente, cada português se sinta optimista quanto ao seu futuro. Os seres humanos têm a tendência para se sentirem optimistas, acreditando que o seu futuro será melhor que o seu presente. É isto que leva casais recém-casados a acreditar que o seu casamento durará “até que a morte os separe” mesmo tendo em conta a elevada taxa de divórcio. Ou porque todos os empreendedores acreditam nas suas empresas mesmo quando grande parte dos negócios criados acaba por desaparecer em menos de 5 anos. A verdade é que o optimismo faz parte da nossa espécie, o que nos leva por vezes a cometer erros por excesso de confiança e falta de preparação. Mas é também o optimismo que nos faz levantar e voltar a tentar ser feliz apesar das adversidades.

A Time Magazine chamou recentemente à capa este tema com um artigo muito interessante da autoria de Tali Sharot onde toda a dinâmica da psicologia do optimismo é relatada e vista de vários ângulos:

We like to think of ourselves as rational creatures. We watch our backs, weigh the odds, pack an umbrella. But both neuroscience and social science suggest that we are more optimistic than realistic. On average, we expect things to turn out better than they wind up being. People hugely underestimate their chances of getting divorced, losing their job or being diagnosed with cancer; expect their children to be extraordinarily gifted; envision themselves achieving more than their peers; and overestimate their likely life span (sometimes by 20 years or more).

The belief that the future will be much better than the past and present is known as the optimism bias. It abides in every race, region and socioeconomic bracket. Schoolchildren playing when-I-grow-up are rampant optimists, but so are grownups: a 2005 study found that adults over 60 are just as likely to see the glass half full as young adults.

You might expect optimism to erode under the tide of news about violent conflicts, high unemployment, tornadoes and floods and all the threats and failures that shape human life. Collectively we can grow pessimistic — about the direction of our country or the ability of our leaders to improve education and reduce crime. But private optimism, about our personal future, remains incredibly resilient. A survey conducted in 2007 found that while 70% thought families in general were less successful than in their parents’ day, 76% of respondents were optimistic about the future of their own family.

Overly positive assumptions can lead to disastrous miscalculations — make us less likely to get health checkups, apply sunscreen or open a savings account, and more likely to bet the farm on a bad investment. But the bias also protects and inspires us: it keeps us moving forward rather than to the nearest high-rise ledge. Without optimism, our ancestors might never have ventured far from their tribes and we might all be cave dwellers, still huddled together and dreaming of light and heat.

É um artigo longo mas muito interessante que vale a pena ler. Ajuda a perceber o porquê de haver quem se mantenha optimista apesar do cenário negro em que nos encontrámos e o porquê do optimismo ser uma característica importante nos seres humanos. Mas é também um artigo que demonstra que podemos ser excessivamente optimistas e não nos precavermos contra adversidades, e como podemos evitar cair nessa ratoeira.

Saídos recentemente de eleições legislativas, que ditaram a mudança governamental, e sabendo que nos esperam tempos ainda atribulados, acho que esta é uma leitura importante para os portugueses. Pode ser que nos inspire a lutar por um futuro mais feliz e optimista.

Link para o artigo: Time – Optimism Bias

Imagem: Rainbow Valley, by rwangsa

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