O Fascínio pelo Número de Fãs no Facebook

O número de seguidores no Facebook continua a ser visto por muita gente como a principal métrica a ter em conta na avaliação da presença de uma marca nesta plataforma. Não é por isso surpreendente que notícias sobre a compra de seguidores, como a publicada pelo Público no passado sábado, continuem a surgir. Mas a verdade é que esta é uma métrica que, para lá do show-off, pode significar muito pouco se não for devidamente trabalhada.

Não quero com isto dizer que a presença de uma marca no Facebook não deva ter como objectivo a aquisição de um maior número de seguidores. Por muito que se fale de conversação, que é relevante e fundamental, o Facebook não deixa de ser uma plataforma de comunicação em que se procura fazer chegar uma mensagem a um número mais elevado possível de pessoas. Por isso, o número de seguidores que uma página tem é relevante, mas não deve ser a principal métrica de análise, nem deve ser vista isoladamente. Quando assim feito, para pouco mais serve de avaliar a popularidade de uma página e para alguém se vangloriar sobre o feito. O número de seguidores no Facebook parece ter vindo substituir os automóveis como forma de compensação para outras questões.

Thomas Baekdal publicou também recentemente um artigo intitulado ‘One Million Facebook Likes? So What?‘, em que aborda precisamente esta questão fazendo uma comparação entre o número total de likes de uma página e o rácio de pessoas que falam sobre essa página. Nessa análise fica claro que ter um maior número de seguidores não resulta propriamente numa página com um rácio elevado de conversações sobre essa mesma página. Um estudo australiano de que aqui falei, apontou também para uma baixa taxa de interacção com os fãs das 200 maiores páginas do Facebook a nível mundial. Numa análise que efectuei em seguimento desse mesmo estudo verifiquei que tanto as 100 maiores páginas de marcas a nível mundial, como as 100 maiores páginas em Portugal, apresentavam um rácio de interacção em torno dos 3%.

Resumindo, ao invés de se preocuparem com aglomerar números, os responsáveis por estas páginas deveriam preocupar-se com a criação de conteúdo que seja relevante para que os segue e que lhes permita retirar proveitos; seja através de mais vendas, visitas ao website, recomendações ou simplesmente difusão das suas mensagens. Estes esquemas servem apenas para se enganar a si próprios e resultarão, num futuro não muito distante, por ditar o abandono das iniciativas de promoção nestas plataformas porque, mais tarde ou mais cedo, alguém vai perceber que ter 1 milhão de zombies no Facebook não se traduz em melhores resultados empresariais.

Imagem: Dead End – close up by bennylin0724

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