No Photos: o Mundo Fechado dos Museus

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Na maioria dos museus e exposições nacionais – há felizmente excepções – os visitantes são logo brindados com a indicação de proibição de captar imagens, fotográficas ou vídeo. O princípio de tal decisão é o de protecção da propriedade dos artigos em exibição. Na realidade esta opção assenta no medo de que potenciais visitantes vejam essas mesmas imagens e decidam não visitar o espaço porque já o “viram”. Há poucos dias deparei-me exactamente com esta situação numa visita à exposição “O Mundo Pré-Histórico” na Alfândega do Porto: “Proibido filmar ou fotografar”.

Em contraste, estive recentemente na Irlanda (República e no Norte) onde tive a oportunidade de visitar três espaços que não só não proibiam como encorajavam os visitantes a captar imagens da experiência: Titanic Belfast, Old Jameson Distillery e Guinness Storehouse. Apenas no Titanic Belfast havia a proibição de captação de imagens em algumas salas do museu, proibição essa que era ignorada por visitantes e staff. No caso da Jameson, único local com visita guiada, fotografar era encorajado pelo guia que, após a explicação de cada sala, informava que esperaria na seguinte enquanto os visitantes tiravam as fotos que quisessem.

Em ambos estes locais os responsáveis se aperceberam que estas fotografias não lhes retiram visitas. Contribuem para divulgar o espaço e para servir como material publicitário do mesmo. Mas nenhum conseguem explorar melhor esta possibilidade do que a Guinness Storehouse onde ao longo do espaço é possível aos visitantes tirar fotografias de experiências – como por exemplo após aprender a tirar a pint perfeita – e imediatamente e sem custos partilhar, a partir de iPads estrategicamente colocados e ligados ao sistema de fotografia, nas diversas plataformas de redes sociais e via email. O visitante fica com uma recordação, partilha a experiência com os seus amigos, e a marca ganha mais uma peça publicitária.

Negar ao visitante a possiblidade de partilhar a experiência e com isso promover um espaço é, para além de mau serviço, um erro de comunicação crasso. É estar preso a conceitos de propriedade e de negócio retrógados. Há objectos e espaços cuja exclusividade são parte integrante do seu fascínio e que devem ser mantidos. Para a grande maioria dos casos, isso não se aplica.

Imagem: c/94, Locked all over, Sowcarpet, Chennai by Chandrachoodan Gopalakrishnan

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One thought on “No Photos: o Mundo Fechado dos Museus

  1. Vitor Pereira

    Curiosamente os três espaços ns Irlanda que mencionou são os únicos que conheço como excepções, sendo queque duas têm interesses comerciais e as respectivas “exposições” são apenas veículos de marketing e, obviamente, não faria sentido algum proibir a divulgação. Tudo o resto é igual, não é um bom exemplo a Irlanda. 🙂

    Responder

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