Coleccionar Likes

Um tema que tem sido recorrente neste blog é o excesso de optimismo e de reverência com que os profissionais de marketing e comunicação encaram o Facebook. De repente (ok, nos últimos 3 anos) tudo se resolve com uma página do Facebook. Desde a mais pequena empresa, até às grandes multinacionais, todos olham para a plataforma do sr. Zuckerberg como um instrumento vital. Hoje em dia o Facebook é a versão comida pré-cozinhada do marketing e comunicação: a estrutura já está montada, é só acrescentar alguns ingredientes e, voilá, já temos uma “estratégia” moderna que podemos mostrar aos amigos e enviar uns quantos press releases a indicar quantos likes uma certa página já tem.

Esta situação resulta da formatação psicológica da maioria dos profissionais da área que continuam agarrados ao modelo de procura do maior número de eyeballs para exibir uma mensagem. Agarram-se ao Facebook como antes se agarravam aos números de audiências de um programa televisivo ou aos números de circulação de um determinado jornal. Continua a imperar a lógica de que se colocarmos a mensagem num meio com uma grande audiência, estamos a fazer o trabalho certo.

Esta é uma lógica que ignora por completo a dinâmica de utilização desta plataforma e da internet em geral. Contrariamente a um anúncio – na televisão, rádio ou imprensa – que é colocado junto ao conteúdo que os consumidores pretendem ver, o Facebook exige uma  maior proactividade da parte dos consumidores para que o conteúdo lhes seja “servido”. É certo que não estamos a falar de um grande barreira em termos de acção, basta clicar num botão; mas para que esse botão seja accionado é preciso que haja uma razão para isso acontecer, é preciso que haja uma relação prévia entre a marca e o consumidor, mesmo que indirecta.

Ou seja, o Facebook está mais apto para ser usado como um canal de comunicação no pós-serviço do que propriamente como um canal de marketing orientado para a captação de clientes. É um canal, pelas suas características e pela forma como é usado, é útil para manter uma relação contínua com os actuais clientes e, através destes, influenciar a consideração de outros. Não quer isto dizer que o Facebook não pode funcionar como canal de venda, ou que através da plataforma não se consiga angariar novos clientes. Isto é perfeitamente possível e há marcas que o fazem com sucesso. Simplesmente são objectivos mais fáceis de concretizar se houver uma estratégia e uma história já formada, online e offline.

E é a formação dessa estratégia e dessa história que são continuamente negligenciadas na procura incessante de likes e shares sem um objectivo estratégico em mente. Há uma maior preocupação em coleccionar seguidores do que propriamente em optimizar a relação com os clientes.

Anúncios

2 thoughts on “Coleccionar Likes

  1. Pingback: A Ilusão do Facebook ou Como os Marketers Provaram do Seu Próprio Veneno | Dissonância Cognitiva

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s