O “Novo” Consumidor Que É o Mesmo de Sempre

Uma das maiores “falácias” dos últimos anos é a de que os consumidores são “diferentes” nos social media, que se comportam de forma totalmente diferente e que são uma nova versão do consumidor com os quais as marcas estavam habituadas a lidar. Este “novo consumidor” é mais interactivo, participativo e mais “desligado” das marcas.

Isso não é totalmente verdade. Houve efectivamente uma alteração de comportamento e de forma de estar, mas não ao nível daquilo que muitos pretendem fazer crer. O que os “novos” consumidores fazem é comunicar mais. Comunicam mais com os seus pares, e comunicam mais com as marcas.

Aquilo que estas plataformas de social media vieram permitir foi alterar o meio de comunicar e o volume. Agora falamos com mais pessoas em mais locais (plataformas). Mas os consumidores já falavam entre si antes de haver social media. Por muito que isso possa parecer um conceito algo estranho para alguns marketers, os seres humanos sobreviveram vários milénios sem a Internet. O sucesso de um vendedor nos mercados medievais estava dependente do passa-a-palavra dos seus clientes. O mesmo continua a ser verdade nas feiras que se realizam semanalmente, ou na realidade da Internet.

O que mudou foi o local onde essas conversas entre consumidores têm lugar, e o número de interlocutores. Se há 40/50 anos os consumidores trocavam experiências no café da vila ou no adro da igreja, hoje fazem-no no Facebook, no Twitter ou nos fóruns que existem na Internet. Enquanto antes o faziam para um punhado de conhecidos, hoje fazem-no para centenas de “amigos” e milhares de desconhecidos.

Falar com os consumidores, escutá-los e assistir às conversas que têm entre si não é algo novo. É apenas algo que as marcas não estavam habituadas a fazer e que, até há bem pouco tempo, podiam dar-se ao luxo de ignorar. Mas não era por ignorarem que elas deixavam de acontecer.

Os social media não “criaram” um novo consumidor ou promoveram uma evolução diferencial do consumidor tradicional. Vieram isso sim exponenciar características e comportamentos que antes se encontravam circunscritos a um círculo fechado de contactos. A falta de ligação entre as marcas e os consumidores nas redes sociais não é fruto de uma alteração de comportamento significativa dos consumidores. Acontece sobretudo porque as pessoas não utilizam estes canais como consumidores, não criam contas para interagirem com as marcas ou para ficar a conhecer as últimas novidades de um produto. Usam estas plataformas para partilharem experiências e emoções com a sua família, amigos, conhecidos e grupos de afinidade. Se entretanto, sem corromper a sua experiência na plataforma, ficarem a conhecer um pouco mais de uma marca ou de um produto, tanto melhor.

Não foi o consumidor que mudou radicalmente. As marcas é que não estavam habituadas a ser ignoradas porque sempre comunicaram em monólogos publicitários consigo mesmas.

Anúncios

One thought on “O “Novo” Consumidor Que É o Mesmo de Sempre

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s