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FourSeasons Lança “Airbnb” de Luxo

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O site Airbnb, que permite a proprietários individuais alugar um espaço de sua casa, ou a totalidade da residência, a outras pessoas, tem sido visto como um novo némesis da hotelaria tradicional. Efectivamente, com valores mais baixos, e sem as regras de segurança, higiene e fiscais a que os hotéis estão sujeitos, este é um tipo de negócio que começa a colocar alguma pressão sobre as cadeias de hotéis, mas também sobre os hostels.

Independentemente das questões legais e fiscais que se têm levantado contra o Airbnb, o modelo de negócio encontra-se claramente adaptado às novas tendências de consumo, nomeadamente o eclodir da economia colaborativa e a procura de experiências mais autênticas, sobretudo em termos de turismo. Um modelo que, de certa forma, passa um pouco ao lado da hotelaria tradicional, mas que não a exclui por completo, bastando haver vontade de aprender e capacidade de adaptação, de forma a criar um serviço “novo” mantendo no entanto os factores diferenciadores do serviço de um hotel.

Foi precisamente isso que a cadeia Four Seasons fez, criando o seu próprio portal de aluguer de residências de luxo, que mantêm a qualidade de serviço típica das propriedades do grupo. Através do site vacationrentals.fourseasons.com, os clientes habituais do grupo poderão escolher de um conjunto de propriedades de luxo, um pouco por todo o globo – para já só não há opções de escolha na Europa – que providenciam a experiência de uma residência pessoal, associada aos serviços de um hotel de cinco estrelas. Entre os serviços que poderão ser requisitados pelos hóspedes encontram-se os serviços de um chefe privado, serviços de limpeza, e de fitness. para além de motorista privado ou ter o frigorífico devidamente apetrechado.

O serviço está longe de ser uma réplica do Airbnb e não se trata de uma versão de luxo da economia colaborativa. Mas é um bom exemplo de como quando uma marca se encontra aberta a novas aprendizagens e a “ler” o mercado e os consumidores, consegue adaptar-se a novas realidades.

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Para Surpresa de Alguns, as Pessoas Continuam a Preferir Falar Umas com as Outras

Um artigo recente do site Skift sobre os resultados do último Eurobarómetro sobre turismo, aponta para o facto das recomendações pessoais continuarem a ser a principal fonte de informação na escolha do destino turístico, seguindo-se sites na Internet. Quanto aos social media, Rafat Ali afirma que:

On the other hand, social media as a source of travel advice is still not matching the hype and effort that’s being put into it by travel brands.

E analisando os dados do Eurobarómetro vemos claramente que os sites de social media (que merecem uma categoria à parte), apenas foram utilizados por 7% dos inquiridos, ocupando o 7º lugar na listagem de meios de informação, curiosamente com a mesma percentagem dos guias e revistas de turismo.

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Enquanto que Ali vê nestes resultados alguma incapacidade dos social media conseguirem assumir uma preponderância em termos de informar os turistas (resta saber se por culpa das dinâmicas próprias das plataformas, se por incapacidade de quem as trabalha), eu vejo-os com alguma naturalidade e vejo sobretudo problemas metodológicos do questionário e de análise.

Comecemos pelas questões metodológicas. A questão que é colocada aos inquiridos é a de, perante uma lista que lhes é lida, indicar as fontes de informação que utilizou para planear as suas férias. Os sites de social media aparecem numa categoria distinta, mas na verdade é que se encontram no limbo entre os sites da Internet (que é o que são) e as recomendações pessoais (que é a dinâmica que promovem). Compreende-se o interesse em separar estas plataformas de outros tipos de comunicação, mas não há garantias de que essa distinção seja clara para os turistas. Eu, por exemplo, classificaria como recomendação pessoal informação que tenha encontrado através das fotos ou posts de um dos meus contactos pessoais no Facebook, da mesma forma que o faria se fosse via telefone.

Passemos para a análise. Se olharmos atentamente para o gráfico acima, reparamos que os site de social media foram a única fonte de informação que aumentou o seu impacto em relação à vaga anterior. As restantes fontes ou mantêm a importância ou vêem-na diminuir. Se analisarmos as vagas anteriores (desde 2009, sendo que os social media apenas surgem separados em 2012), nota-se que meios tradicionais como as agências e postos de turismo, os media tradicionais, e os guias e revistas de turismo têm vindo progressivamente a perder relevância, sendo que o mesmo se aplica às brochuras, embora isso não seja notório nas duas últimas vagas. Atendendo a que os sites de social media são algo recente, o facto de já atingirem um nível de importância igual a meios que existem há mais de 100 anos é um factor de destaque pela positiva (para as plataformas em si; para a indústria e para os turistas ainda é cedo para dizer).

Por último, não deixo de me surpreender constantemente com o facto de ainda haver quem se surpreenda – ou se finja de surpreendido – com o facto das interacções pessoais entre seres humanos se manterem como o principal meio de comunicação e de recolha de informação. É no mínimo absurdo achar que 20 anos, ou poucos mais, seriam suficientes para alterar milhares de séculos de evolução e de socialização.